compartilhar

DELAÇÕES DISTRITAIS: CGDF vai apurar desvios denunciados por delatores em obras da construtora

Grupo recém-criado pela Controladoria-Geral do DF apresentará relatório sobre ilícitos administrativos de obras como o Mané Garrincha

O Governo do Distrito Federal criou um grupo para avaliar e propor ações, no âmbito administrativo, acerca das denúncias apresentadas por delatores da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato dentro da capital da República.

 

Em 10 dias, a contar da data de sua instalação, o Grupo de Ações Integradas de Controle (Gaic) apresentará relatório de diagnóstico e plano de ação. A Portaria nº 42 foi publicada no Diário Oficial do DF de terça-feira (18/4) pela Controladoria-Geral do DF.

Serão analisados possíveis ilícitos administrativos envolvendo obras bilionárias no DF, como o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. As delações e a ação do Gaic ainda abarcam o Sistema BRT Sul; o Centro Administrativo do DF (Buritinga); e a construção dos Jardins Mangueiral.


Cinco políticos conhecidos do Distrito Federal, alvos da Lista de Janot, tiveram os pedidos de abertura de inquérito remetidos para outros foros e tribunais pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), por suposto recebimento de ilícitos a partir de obras no DF.

 

Gaic
Como todo desvio de verba traz prejuízo ao governo, a Controladoria Geral do DF publicou a portaria no Diário Oficial do DF afirmando a “importância de se promover a boa governança, prevenindo e detectando eventuais desvios de conduta e atos ilícitos, de modo a proteger a imagem e o patrimônio público”.

 

Reprodução/DODF

Entre os políticos acusados de irregularidades por delatores estão os ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT), o ex-senador Gim Argello e o deputado distrital Robério Negreiros (PSDB), além de Márcio Machado, ex-presidente do PSDB local e secretário de Obras no governo Arruda.


 

De acordo com a delação do ex-executivo da Odebrecht João Pacífico, por exemplo, Arruda teria recebido R$ 966 mil em recursos não contabilizados da empreiteira. Do montante, R$ 500 teriam vindo do Centro Administrativo do DF (Centrad) e R$ 466 mil teriam sido liberados para o caixa dois por meio das obras da construção do VLT de Goiânia.


O Centrad (Buritinga), localizado em Taguatinga, também teria possibilitado o pagamento de propina para o Agnelo Queiroz e o seu vice à época, Tadeu Filipelli (PMDB).

De acordo com Pacífico, ex-superintendente regional da construtora, o peemedebista recebeu R$ 2 milhões em recursos ilícitos do consórcio formado para a empreitada, uma parceria da Odebrecht com a Via Engenharia.


O nome de Geraldo Magela, ex-secretário de Habitação do GDF, também é citado nas delações devido ao suposto pedido de pagamento de propina para a construção dos Jardins Mangueiral.

Nesta quarta (19), o secretário da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais, Sérgio Sampaio; a secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos; o controlador-Geral do Distrito Federal, Henrique Moraes Ziller; a procuradora Paola Aires e o chefe de gabinete da Governadoria, Alden de Oliveira, fazem coletiva de imprensa para falar sobre o assunto. A reunião será às 9h, no Salão Nobre do Palácio do Buriti.

 

COMENTÁRIOS