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LAVA JATO: Casa onde Gim Argello recebeu empreiteiro pode ser alugada a R$ 30 mil

Localizada em uma das áreas mais nobres de Brasília, a residência onde ex-senador despachava até antes de ser preso fica na QL 8 do Lago Sul

Se as paredes tivessem ouvidos, como costuma-se dizer por aí, uma luxuosa casa do Lago Sul seria detentora de alguns dos segredos que abalaram a República desde a deflagração da Operação Lava Jato.

 

O imóvel, localizado no Conjunto 4 da QL 8, pertencia ao ex-senador Gim Argello (ex-PTB-DF), que usava as instalações para receber políticos, personagens ligados aos bastidores do poder e empresários. Recentemente, a residência foi disponibilizada para aluguel, pelo salgado preço de R$ 30 mil mensais.

Com área total de 3 mil metros quadrados, sendo 700m construídos, o imóvel tem quatro quartos, duas suítes, garagem para 20 carros e uma ampla piscina.

Gim, que está preso desde 12 de abril do ano passado, quando policiais federais deflagraram a 28ª fase da Operação Lava Jato, morava na QL 12 do Lago Sul, mas usava a casa na QL 8 como escritório. Aliados de Gim confirmaram que ele ainda despachava no local até pouco tempo antes de ser detido.


Um dos personagens que teria visitado a residência foi o empreiteiro Ricardo Pessoa, que está entre os delatores da Lava Jato. O dono da UTC Engenharia afirmou que, em 2014, pagou R$ 5 milhões para Gim Argello evitar uma convocação na CPMI da Petrobras no Congresso Nacional. Em depoimento, Pinheiro contou que se encontrou com o então senador em três ocasiões no Lago Sul.


Hoje, o único negócio que envolve o local é achar um locatário disposto a desembolsar R$ 30 mil por mês. A imobiliária TRK Imóveis é quem anuncia a casa. No site da empresa, a descrição da propriedade é atraente.


"Belíssima casa, preparada para ser utilizada como escritório. Todos os cômodos são amplos, arejados e possuem um projeto de iluminação impecável. O espaço foi muito bem aproveitado, com diversas salas de tamanhos variados, banheiros sofisticados e uma cozinha muito bem equipada. As salas possuem ar condicionado, deixando o ambiente mais agradável, e todos os cômodos têm acabamento e decoração refinados" - Descrição da residência na QL 8 publicada no site da imobiliária TRK

Transações comerciais
Desde 2012, a casa não está mais no nome do ex-senador, embora ele a utilizasse até meses antes da prisão. Atualmente, a residência é da empresa JMPC Administração e Participações. Gim Argello fez uma permuta e entregou o imóvel em troca de outros 12, que totalizavam R$ 1.225.862,94, segundo consta na certidão emitida pelo Cartório do 1º Ofício do Registro de Imóveis do DF.


Antes de ser da JMPC e de Gim, a mansão era de nomes envolvidos em polêmicas na capital do país. Em julho de 1995, Dorival Josué do Amaral comprou o imóvel de um casal por 200 mil cruzeiros. Ele é tio do ex-senador e empresário Valmir Amaral. Os dois participavam do comando do Grupo Amaral, que controlava parte do transporte público na Grande Brasília.


O poder da família Amaral começou a decair até que, em 2013, o GDF fez uma intervenção e assumiu as empresas Viva Brasília, Rápido Veneza e Rápido Brasília, que integravam o grupo.

Dois anos antes dessa intervenção, em junho de 2011, Gim Argello havia comprado a casa de Dorival Josué por R$ 1,2 milhão. Naquela época, o Grupo Amaral já era alvo de processos referentes a dívidas trabalhistas e execuções fiscais. A residência não ficou muito tempo no nome de Gim. No ano seguinte, o ex-senador fez a permuta com a empresa JMPC.

Essas transações levaram a Justiça a acreditar que tudo não passou de uma manobra para que a família Amaral ocultasse patrimônio. Por essa razão, em maio de 2013, o imóvel foi penhorado por ordem do juízo da Vara de Execução Fiscal do DF.

A finalidade seria garantir o pagamento de uma dívida milionária — R$ 12 milhões — de Dorival Josué do Amaral. Na decisão, a juíza Lívia Lourenço Gonçalves autoriza o confisco de três imóveis, entre eles, a casa hoje disponível para locação e uma mansão no Lago Sul, levada a leilão no ano passado.

À época, a magistrada concordou com o argumento do DF de que houve “fraude à execução” em relação ao imóvel que passou pelas mãos do ex-senador Gim Argello. A transferência da titularidade da casa, segundo Lívia, foi realizada depois da inscrição dos débitos em dívida ativa e após a citação na execução fiscal. “Portanto, o negócio jurídico é inoponível ao credor tributário”, sentenciou a juíza.

A justiça trabalhista da capital federal também impôs entraves ao uso do local. O juiz Urgel Ribeiro Pereira Lopes determinou a indisponibilidade do imóvel em 2015, após outra penhora. O bloqueio se referia a uma dívida de R$ 135 mil de Dorival Josué do Amaral, Valmir Amaral e da Expresso Rota Federal Transportes. Este é o último registro gravado na matrícula do imóvel, no Cartório do 1º Ofício do Registro de Imóveis do DF, em 13 de abril.


Outro lado
O representante da JMPC, advogado José Murilo Procópio de Carvalho, está fora do Brasil. Funcionários do escritório dele, em Nova Lima, Minas Gerais, informaram que ele não poderia responder aos questionamentos da reportagem sobre a situação atual da casa.

Procurada pela reportagem, a defesa de Gim Argello disse que não se pronunciaria. Já os advogados da família Amaral não tinham retornado aos contatos até a última atualização desta matéria.(*Por:Kelly Almeida/Juliana Cavalcante)

Rafaela Felicciano/Metrópoles

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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