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ENFIL S/A CONTROLE AMBIENTAL: Empresa citada na Lava Jato vai captar água do Lago Paranoá por R$ 42 milhões

Apesar de ficar em segundo lugar no pregão, Enfil foi escolhida porque a Caesb avaliou que a primeira colocada era de pequeno porte

Empresa tem até setembro para entregar estrutura, sob risco de multa. Modelo de captação é semelhante ao usado em países desérticos do Oriente Médio, diz presidente da companhia de água de Brasília

 

A Enfil S/A Controle Ambiental, citada nas investigações da Lava Jato, foi escolhida para fazer o sistema de captação e tratamento de água do Lago Paranoá.

 

Ela ganhou o pregão da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) ao custo de R$ 42 milhões, 15% a menos do valor que estava previsto. 

 

Apesar de ficar em segundo lugar na concorrência, a Enfil saiu vencedora porque a primeira colocada, de acordo com a Caesb, era de pequeno porte e não teria condições de fazer a obra no prazo estipulado.

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Parte do faturamento da Enfil vem de contratos com a Petrobras. Um deles, referente às obras da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Suape, litoral pernambucano, foi citado no âmbito das investigações da Lava Jato.

 

Relatório de uma comissão interna criada pela estatal para apurar irregularidades no empreendimento apontou que o consórcio da qual a Enfil participava foi contratado sem a emissão de parecer jurídico, fato ignorado por Pedro José Barusco, então gerente de Serviços da Petrobras, condenado por corrupção pelo juiz Sérgio Moro.

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Outra menção à empresa foi feita pelo consultor do Grupo Setal e representante da Camargo Corrêa, Julio Gerin de Almeida Camargo, durante depoimento à Polícia Federal sobre irregularidades na obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Ele disse, em seu depoimento, que recordava-se da empresa, mas não tinha certeza de qual seria a participação dela no empreendimento.

 

A empresa foi contratada para fazer unidades de tratamento de água e efluentes nas duas obras. Ao Metrópoles, a Enfil reconheceu que foi citada na investigação. “De fato, houve essa acusação, mas nas declarações do diretor da Petrobras, ele destacou que esse foi um dos contratos em que não houve sobrepreço”, explicou a empresa, por meio de nota. Já a Caesb informou que “cabe aos órgãos de controle fiscalizar qualquer irregularidade”.

 

Alvo da Odebrecht
Em reportagem publicada no dia 14/4, o Metrópoles mostrou que as obras de captação do Lago Paranoá estavam na mira da Odebrecth. As tratativas foram narradas pelos ex-executivos da empreiteira João Pacífico e Ricardo Ferraz em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF).

Além da concessão já contratada do Centro Administrativo do GDF em Taguatinga (Centrad), Ferraz relata que, durante encontro com políticos locais para discutir apoio financeiro ilegal da empresa, demonstrou interesse na futura obra.


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O resultado da concorrência saiu no Diário Oficial do Distrito Federal desta segunda-feira (24/4). A captação será feita por meio de uma estrutura flutuante, que vai funcionar por cerca de dois meses em caráter experimental. A obra será bancada com recursos da União.

A previsão é que a instalação da estrutura de captação, que será flutuante, comece no mês que vem e a operação inicie em setembro, em caráter de testes. Segundo a Caesb, a captação propriamente dita deve ocorrer a partir de novembro. Caso a estrutura não fique pronta dentro do prazo, a empresa terá que pagar multa.

A intenção é captar 700 litros de água por segundo para reforçar o abastecimento nas localidades da Grande Brasília atendidas pela Barragem do Descoberto e evitar que haja a ampliação do período de racionamento no Distrito Federal.

A empresa foi contratada em regime turn key, que consiste no fornecimento de um pacote completo de serviços e soluções para um projeto em todas as suas etapas — desde a consultoria inicial à manutenção posterior.(*Por:Mirelle Pinheiro)

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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