compartilhar

ENTRE RESERVATÓRIOS: GDF já prevê 'gasto extra' de R$ 4 milhões para distribuir água do Lago Paranoá

Obra de captação deve ficar pronta em setembro, estima governo; contrato foi assinado nesta quarta. Reforma de estação atrás do Buriti foi incluída, e GDF tenta convencer União a bancar mudança.

O governador Rodrigo Rollemberg assinouo contrato para captação emergencial de água no Lago Paranoá.

A empreitada a cargo da Enfil S/A Controle Ambiental foi orçada em R$ 42 milhões, 15% a menos que os R$ 55 milhões previstos inicialmente.

Agora, o governo já fala em um adicional de até R$ 4 milhões para bancar mudanças no projeto.


Segundo a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), a estrutura que será instalada às margens do Lago Paranoá terá de ser complementada por uma segunda obra.

Ela não estava prevista no projeto original e, por não ser considerada emergencial, não está incluída no aporte de R$ 42 milhões da União.


Sem essa obra, o governo não teria como repassar eventuais "excedentes" captados no Lago Paranoá para as regiões abastecidas pela bacia do Descoberto. A princípio, a água vinda do lago será destinada a regiões como Sobradinho 2, Lago Norte e Varjão, que são atendidas pelo reservatório de Santa Maria.


No planejamento original, a estação elevatória da Caesb que já existe no Parque da Cidade serviria de interligação entre o tanque de captação do Lago Paranoá – que será construído no Setor de Mansões do Lago Norte – e as localidades do Descoberto. O mecanismo serviria para "equilibrar" o abastecimento nas duas áreas, caso um reservatório fique em situação mais crítica que o outro.


 

Em busca do dinheiro

 

Os planos mudaram e, agora, a Caesb quer reformar uma outro reservatório no Cruzeiro. Segundo o presidente da companhia, Maurício Luduvice, as estimativas de custo variam entre R$ 1,2 milhão e R$ 4 milhões.

Por esse plano, a água sairia do Lago Paranoá e seguiria em direção à estação atrás do Buriti. Após o tratamento, ela seria enviada para um reservatório no Cruzeiro, de onde seria distribuída, finalmente, para casas e comércios de diversas regiões.


O governo do DF vai tentar usar parte dos R$ 13 milhões "economizados" no contrato original para custear essa alteração. Questionado, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, diz que é preciso "estudar" o novo projeto.


Se a verba não for liberada, a Caesb trabalha com algumas "alternativas" para custear o empreendimento com dinheiro local. Entre as opções, está a destinação da tarifa de contingência e o uso do próprio orçamento da empresa.

Em março deste ano, a companhia já tinha anunciado ao G1 que esse complexo fazia parte da obra. Segundo Luduvice, estudos mais recentes mostraram que a estação do Parque da Cidade não teria estrutura suficiente para receber esse volume de água.

Se o governo do DF conseguir executar o plano, a água bombeada a partir dessa estação poderá atender locais como Águas Claras (zona média e zona baixa), Candangolândia, Colônia Agrícola Águas Claras, Guará I, Guará II, Lucio Costa, Núcleo Bandeirante e Setor de Mansões Park Way (quadras 1 a 5).


 

Projeto de captação

 

A mini-estação consiste em um sistema de motores-bomba que vão ficar em balsas no leito do lago. Serão quatro, no total, com capacidade para captar 700 litros por segundo – metade do que atualmente é consumido pelo Plano Piloto. O prazo para entrega é de oito meses segundo o certame, mas a expectativa é que a obra esteja concluída em setembro.


“Desde o início do nosso governo tivemos a percepção clara da necessidade de investimentos, que não eram feitos há 16 anos no Distrito Federal. Essa obra é importante para amenizar os efeitos da crise hídrica”, apontou Rollemberg na solenidade desta quarta. Entre outras melhorias em curso, ele citou o Sistema do Bananal, previsto ainda para o segundo semestre deste ano.


O circuito, que funciona com energia elétrica, vai puxar a água do Paranoá e transportá-la para uma estação móvel de tratamento, composta por membranas de moléculas grandes e com elevada capacidade de filtragem. Essas membranas, instaladas em cointêineres, vão ficar perto da margem do lago.


Depois de tratada, a água será bombeada para a rede que abastece a Grande Brasília. O volume captado irá abastecer Lago Norte, Varjão, Paranoá, Itapoã, Taquari e Sobradinho 2 e desafogar o reservatório de Santa Maria.

A estrutura pode acabar encarecendo a conta de água do Plano Piloto e cidades-satélites. Um reajuste da tarifa já é discutido. Enquanto a Agência Reguladora das Águas (Adasa) sugere um aumento de 2,5%, a Caesb espera um reajuste de 5% nas faturas. Apesar de contribuir por trazer 700 litros de água por segundo no sistema, não há previsão para fim do racionamento.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

COMENTÁRIOS