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RESCALDO DA GREVE GERAL: Jovem é detido em manifestação, posta vídeo e é levado à DP novamente.CLIQUE E VEJA

O manifestante, em um vídeo publicado na internet, disse que foi abordado por um policial “negão”. PM alega injúria racial

Um manifestante identificado como Davi Maia Macedo, 20 anos, foi detido pela Polícia Militar duas vezes apenas na tarde desta sexta-feira (28/4).

Ele participava do protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência, na Esplanada dos Ministérios.

 

De acordo com informações do boletim de ocorrência, a primeira abordagem feita pelos militares foi por conta de uma camiseta que o jovem usava para cobrir o rosto. Ele teria se negado a tirar o pano e chegou a xingar os policiais.


Davi foi conduzido à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), onde o fato foi registrado como desacato.

Após assinar o Termo Circunstanciado, onde o autor se compromete a comparecer à Justiça, o rapaz gravou um vídeo onde relata que obedeceu a ordem de tirar a camisa do rosto, mas reagiu no momento em que os policiais tentaram tirar a sua roupa.


“Quando estava saindo, eu olhei para trás e não me aguentei. Dei dedo para eles e chamei de pau no c*. Aí o negão veio correndo atrás de mim e me deu uma banda, um mata-leão. Veio um cara, me pegou pela perna e fui levado para a DP”, contou.

 


A Polícia Militar informou que as equipes do centro de inteligência da corporação, responsáveis pelo monitoramento das redes sociais, perceberam a postagem e iniciaram um trabalho de identificação do rapaz.

Os dados e as fotos de Davi foram repassados aos militares que atuavam na Esplanada dos Ministérios. Ao localizar o jovem, a PM fez a prisão e encaminhou o suspeito à 5ª DP (Área Central). Os manifestantes que estavam no local criticaram a ação da polícia. A corporação informou que vai adotar medidas judiciais para denunciar o caso de injúria racial. Apesar de o termo não constar na ocorrência policial.

Assista ao vídeo da prisão:


Ao Metrópoles, a mãe de Davi, Aurea Quiroz, afirmou que o filho não usou a palavra “negão” como algo pejorativo. “Lá em casa, quem não é filho é neto de preto. Ele chamou negão como a descrição física de um homem negro e grande. Minha família é ligada a movimentos sociais e lá em casa nunca teve espaço para o racismo”, contou a aposentada.


Aurea, que é militante e mora em Olhos D’água (GO), disse que estava acompanhando o filho na manifestação por meio das redes sociais. Logo depois, ela decidiu ir ao ato para acompanhar o caçula de sete irmãos.


“Ele é muito performático, colocou aquele figurino e se empolgou muito com tudo aquilo. Então decidi ficar por perto para cuidar dele. Mas antes mesmo de chegar na manifestação, tive que pegá-lo na DP”, disse. A aposentada chegou a mandar uma mensagem alertando o filho sobre os riscos das abordagens. O texto foi publicado por Davi no Facebook.(*Por:Mirelle Pinheiro)

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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