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OPERAÇÃO CAIXA DE PANDORA: TJDF condena ex-deputados distritais em processos no "mensalão do Arruda"

Ex-distrital Eurides Brito foi condenada a 10 anos de prisão. Seu colega, Odilon Aires, foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão. Ambos poderão recorrer em liberdade.

A Justiça do Distrito Federal condenou a ex-secretária de Educação e ex-deputada distrital Eurides Brito a dez anos de prisão em regime fechado, por corrupção no escândalo conhecido como a “Caixa de Pandora”.

 

A sentença desta sexta-feira (5) entendeu que a deputada vendeu apoio político em troca de uma mesada paga pelo ex-secretário Durval Barbosa – delator do esquema chamado “Mensalão do DEM".

A pedido do Ministério Público, Eurides terá de pagar R$ 930 mil de multa para ressarcir os cofres públicos. O G1 não conseguiu localizar a defesa dela, que poderá recorrer em liberdade.

 No processo, a ex-parlamentar, afastada da vida pública, negou que tivesse recebido as quantias de dinheiro.

Também citado na Caixa de Pandora, o ex-deputado Odilon Aires foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão. Ele é uma das pessoas filmadas recebendo maços de dinheiro da mão de Durval Barbosa.

Na condenação, a Justiça entendeu que Aires recebeu R$ 30 mil mensais indevidos para prestar apoio político ao ex-governador José Roberto Arruda. Aires também terá de pagar R$ 150 mil pelos desvios.

Procurado, o advogado dele, Cléber Lopes, afirmou que vai recorrer. "Juiz não é deus. Juiz erra também. A decisão está errada. É lamentável que isso esteja acontecendo neste momento, uma vez que Odilon está passando por um problema de saúde: ele teve esclerose lateral amiotrófica." O cliente dele ficará em liberdade enquanto aguarda uma decisão de instância superior.

 

Arruda

 

O TJ condenou o ex-governador José Roberto Arruda (PR), também na sexta-feira, pelo crime de falsidade ideológica. Segundo a sentença, o político forjou quatro recibos em 2009, com valor total de R$ 90 mil, para justificar doações ilegais recebidas de Durval Barbosa – ex-secretário de Relações Institucionais do DF, e delator do esquema conhecido como mensalão do DEM. Cabe recurso.

Arruda foi condenado a 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, além do pagamento de multa pelo dano aos cofres públicos. A sentença prevê o cumprimento inicial da pena em regime semiaberto.


Procurado, o advogado de Arruda, Paulo Catta Preta, disse que os recibos já tinham sido aceitos pela Justiça Eleitoral. E por isso, segundo ele, o caso deveria ter sido julgado naquela instância, e não na Justiça comum.

O escândalo envolvendo os recibos ficou conhecido como "farra dos panetones" porque, à época, Arruda disse que as doações de Durval serviriam para comprar os pães natalinos para famílias carentes do DF. Como o político, então filiado ao DEM, tinha costume de fazer esse tipo de ação de caridade, o juiz responsável pelo caso diz que o delito se aproximou do "crime perfeito".

Ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, em evento de campanha em 2014 (Foto: TV Globo/Reprodução)Ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, em evento de campanha em 2014


 

Entenda o caso

 

Em 2006, quando fazia campanha ao governo do DF, Arruda foi flagrado em vídeo enquanto recebia uma sacola com R$ 50 mil das mãos de Durval. As imagens foram reveladas pela TV Globo três anos depois, em setembro de 2009, e deram origem às investigações conhecidas como "Caixa de Pandora".

Na época, Arruda disse que o dinheiro era uma doação para comprar panetones para famílias carentes. Como comprovação, apresentou quatro recibos declarando recebimento de dinheiro "para pequenas lembranças e nossa campanha de Natal", de 2004 a 2007.


Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Arruda forjou e imprimiu os quatro documentos no mesmo dia, na residência oficial de Águas Claras. Em seguida, os papéis foram rubricados por Durval Barbosa. A impressora foi apreendida pela Polícia Federal, em 2010, e uma perícia comprovou a fraude.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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