compartilhar

TRACK CARE: Sistema de prontuários dos hospitais do GDF está sem manutenção há 5 meses

Contrato de R$ 5,6 milhões terminou em outubro, e serviço foi interrompido em dezembro. Governo diz que empresa pediu R$ 30 milhões na renovação; nesta segunda, falha impossibilitou consultas.

O sistema eletrônico que reúne todos os dados de consultas, alergias, exames e histórico médico da rede pública de saúde do Distrito Federal está sem contrato de manutenção há, pelo menos, 5 meses.

 

De acordo com a empresa responsável pelo TrakCare, o pagamento do serviço cessou em outubro, e os técnicos pararam de trabalhar em dezembro.

 

Nesta segunda (8), a Secretaria de Saúde do GDF informou que todos os ambulatórios da rede tiveram de remarcar atendimentos eletivos (sem urgência), porque uma falha no sistema impediu o acesso aos prontuários. Mesmo sem contrato de manutenção, a pasta informou que espera normalizar o funcionamento do programa até esta terça (9).

 

Em nota ao G1, a Intersystems – fornecedora do sistema TrakCare – afirmou que o acesso dos técnicos ao sistema foi suspenso "unilateralmente e sem qualquer comunicação prévia" pelo GDF, bem como "a ordem de prestação dos serviços emitida pelo subsecretário".

 

A empresa diz que a informatização começou em 2007, sempre com esse software. O TrakCare reúne os dados dos 16 hospitais regionais e das 6 UPAs, além de 250 equipes do Saúde da Família, 57 laboratórios – incluindo o Laboratório Central –, 71 postos de saúde e 178 locais de estoque e farmácia. Ao todo, mais de 4 milhões de pacientes têm dados inseridos no sistema.

 

Contrato caro

Imagem relacionadaO último contrato de manutenção firmado pela Secretaria de Saúde com a Intersystems previa o repasse de R$ 5,6 milhões anuais para a empresa. Segundo o governo, quando chegou o momento de renovar o acordo, a empresa pediu uma elevação do valor para R$ 30 milhões – alta de 435,7%.

 

A secretaria informou que o valor era excessivo, e recebeu uma nova proposta de R$ 7 milhões. Segundo a pasta, um novo contrato ainda "estava sendo negociado" até esta segunda-feira. O G1 questionou a Intersystems sobre essa diferença de valores, e aguardava retorno até a publicação desta reportagem.

 

Ao G1, a Secretaria de Saúde afirmou que é proprietária das 3,8 mil licenças de funcionamento do TrakCare e, por isso, não vê motivo para que a falta de um contrato regular de manutenção impossibilite o uso do sistema.

 

"Como, porém, o sistema pertence à Secretaria, o entendimento é de que ele deveria ser capaz de funcionar normalmente, independentemente de qualquer acerto ou não com a empresa. Assim, a área técnica da Secretaria de Saúde acredita que não deva haver nenhuma relação entre os problemas enfrentados e qualquer eventual desacerto com a empresa desenvolvedora do sistema", diz o texto enviado à reportagem.

 

Problemas constantes

Nesta segunda, profissionais que atuam na rede pública de saúde disseram ao G1 que os contratempos com o sistema Track Care não são um caso isolado. De acordo com os funcionários, que não quiseram ser identificados, eles estão enfrentando dificuldades com o programa há mais de uma semana.

 

“O paciente que recebe atendimento não tem garantia se seu prontuário será salvo”, apontou uma servidora. Ela diz ainda que algumas cirurgias foram canceladas, porque os anestesistas não conseguem acessar o registro com o histórico dos pacientes. No último fim de semana, as guias de atendimento foram feitas à mão.

 

Questionada, a Secretaria de Saúde não confirmou se o problema com o Track Care é algo rotineiro. A pasta também não apresentou esclarecimentos sobre o cancelamento de cirurgias.

 

“Os serviços serão reagendados com a maior brevidade possível e tão logo o sistema retorne ao normal, nova comunicação será feita”, resumiu a secretaria.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

COMENTÁRIOS