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TRACK CARE: Falha no sistema de informática, pelo 2a. dia, deixa pacientes sem atendimento no Plano Piloto e satélites

Pelo segundo dia consecutivo, ambulatórios das unidades de saúde restringiram atendimento devido a falhas no sistema de informática da rede

Pelo segundo dia consecutivo, a população enfrenta dificuldades para conseguir atendimento nos ambulatórios dos hospitais públicos do Distrito Federal.

Uma falha no sistema Track Care, que armazena as informações dos pacientes, prejudica serviços como consultas e exames médicos.


A reportagem esteve na manhã desta terça-feira (9/5) no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e verificou que o sistema continua sem operar. Das 10 especialidades dos ambulatórios, apenas três estavam funcionando: otorrinolaringologia, oftalmologia e mastologia.

Em sete (alergia, pneumologia, ginecologia, oncologia, infectologia, ortopedia e radiologia), o atendimento estava suspenso. As consultas serão remarcadas posteriormente.

 

A cozinheira Deusa Ezequiel da Rocha, 40 anos, chegou ao Hospital de Base às 6h acompanhada do cunhado José Pereira, 60, que tinha uma consulta agendada com o oncologista. Eles tiveram de retornar para casa sem serem atendidos pelo especialista.


“Nós moramos no Jardim Ingá (GO). Viemos ao Plano só para isso. Acordamos às 4h30 e, somente às 10h, fomos informados que o sistema estava inoperante. É um desgaste muito grande. O pior é ficar sem um posicionamento de quando ele será atendido. Eles disseram que vão ligar para remarcar”,  disse.


Rafaela Felicciano/Metrópoles

Deusa teve de voltar para casa com o cunhado, que ficou sem atendimento

Um médico que trabalha na área de oncologia do Hospital de Base confirmou a situação precária na maior unidade de saúde do Distrito Federal. Sem se identificar, ele disse que, devido à falha no sistema de informática, a marcação de exames, de cirurgia e o acesso a prontuários tornou-se inviável e o atendimento, extremamente difícil.


“A rigor, não se consegue atender pacientes, mas atendemos porque nos compadecemos com a situação das pessoas. Hoje (terça), atendi 10 pacientes sem prontuário, mas não todos que estavam na espera”, afirmou.

Ele classifica a situação da saúde pública como “de calamidade”, um “genocídio”. De acordo com o médico, servidores do hospital estão se mobilizando e arrecadando dinheiro para itens básicos, como tinta da impressora e papel. “Só não suspendemos atendimento porque a equipe é unida e tenta resolver alguns problemas por meio de doações e dinheiro próprio”, disse.


A Secretaria de Saúde informou, em nota, que, desde segunda-feira (8), técnicos da área de informática trabalham para restabelecer o sistema Trak Care de toda a rede pública de saúde do Distrito Federal. “Peritos de outras áreas também já foram acionados para ajudar na detecção e solução do problema”, ressaltou a pasta.

Sem sistema, especialistas de algumas unidades estão precisando se adequar e preencher os formulários dos pacientes à mão. A pasta informa que os serviços de emergência não foram prejudicados.


De acordo com a Intersystem, empresa que fazia a manutenção do sistema, o contrato com a Secretaria de Saúde venceu em outubro de 2016 e não foi renovado. “A Intersystem continuou prestando o serviço de forma gratuita durante os meses de novembro, dezembro e janeiro de 2016. Em janeiro, informamos a secretaria de que o sistema seria suspenso, já que não houve renovação do contrato”, disse a empresa, em nota.

Greve dos vigilantes
A situação nos hospitais, que está precária, tende a piorar nesta quarta-feira (10). Os vigilantes que atendem nas unidades de saúde prometem cruzar os braços a partir das 7h. São 2,2 mil trabalhadores das empresas Brasília Segurança, Confederal e Ipanema. Eles alegam que não receberam ainda o salário do mês.(*Por:Nathália Cardin//Mariana Areias)

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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