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PRA CONTINUAR TRANCADOS: MPF pede prorrogação da prisão de Arruda, Agnelo, Filippelli e cia.

Solicitação será analisada nesta sexta-feira pela Justiça Federal. Se for aceita, presos da Panatenaico vão ficar mais cinco dias detidos

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal pediram a prorrogação da prisão temporária dos presos na Operação Panatenaico à Justiça Federal.

 

O pedido, se aceito, pode manter na carceragem da PF por mais cinco dias os ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT), além do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e outros sete presos, entre eles o dono da Via Engenharia, empresário Fernando Queiroz. A prisão temporária tem prazo de cinco dias, podendo ser estendida pelo mesmo período.


Segundo o MPF, a prorrogação é indispensável para a investigação. Os procuradores alegam que ainda não receberam comprovação do bloqueio de contas e bens no valor de R$ 155 milhões dos envolvidos. O juiz Vallisney de Souza Oliveira deve decidir ainda nesta sexta-feira (26/5).


A manifestação do MPF é decorrência do pedido da revogação da prisão feito por advogados de nove dos dez presos. Segundo a Justiça, apenas o ex-secretário da Copa, Cláudio Monteiro, não recorreu.Resultado de imagem para arruda agnelo filippelli

 

 

Filippelli, Agnelo e Arruda presos na Polícia Federal

 

 

 

Já a Polícia Federal avaliou que, após análise prévia das apreensões e depoimentos tomados, existem os pressupostos necessários à prorrogação das medidas. Nesta quinta (25), a delegada que chefia a operação, Fernanda Costa de Oliveira, disse ao Metropoles que a análise precisa ser “muito criteriosa” para não dar margem a qualquer tipo de questionamento, nem técnico nem jurídico.

A expectativa das defesas dos suspeitos de superfaturar as obras do Estádio Mané Garrincha e cobrar propina das empreiteiras era de que eles pudessem ser soltos neste fim de semana. Porém, a estada dos presos pode ser ampliada até quinta-feira (1/6).

A defesa do ex-governador Agnelo Queiroz acompanha a tramitação do inquérito. “Agnelo tem integral interesse em que as apurações avancem, convicto e seguro quanto à regularidade de seus atos nas campanhas eleitorais em que participou e na gestão do GDF. No momento, aguarda-se a eventual manifestação do juiz federal e esperamos que não seja prorrogada”, disse o advogado Paulo Guimarães.

A defesa de Arruda também informou que aguarda o posicionamento do magistrado e acredita não haver motivos que justifiquem a prorrogação das prisões.

Direcionamento e propina
Conforme relatos feitos nas delações premiadas e acordos de leniência da Andrade Gutierrez, as tratativas de direcionamento da licitação para a reforma do Mané Garrincha começaram em 2008, um ano antes do processo de seleção das empreiteiras. Três diretores da empresa afirmaram que, já naquele momento, ficou acertado o repasse de 1% do valor total da obra para os agentes políticos.

De acordo com o MPF, foi constituído um cartel entre várias empreiteiras para fraudar a licitação e assegurar, de forma antecipada, que os serviços e as obras fossem executadas por consórcio constituído pela Andrade Gutierrez e Via Engenharia. Como contrapartida, os vencedores pagaram propina a agentes políticos e públicos, que estão entre os alvos da operação.

A reconstrução do antigo Mané Garrincha foi estimada inicialmente em R$ 690 milhões, mas acabou custando cerca de R$ 1,5 bilhão, o que fez com que o estádio se tornasse o mais caro entre os 12 que receberam os jogos da Copa do Mundo de 2014. O dinheiro saiu dos cofres da Terracap, empresa pública do Governo do Distrito Federal, cujo capital é constituído da seguinte forma: 51% do GDF e 49% da União.

O caso começou a ser investigado em setembro de 2016, a partir de depoimentos de três executivos da Andrade Gutierrez, em colaboração premiada firmada junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). As informações de que houve fraude na licitação foram confirmadas por diretores da Odebrecht. Eles garantiram — também em delação — que, em decorrência dessa combinação prévia, a empresa participou da licitação apresentando um valor superior ao oferecido pela Andrade Gutierrez. Em contrapartida, teve o “favor” retribuído durante a licitação para as obras da Arena Pernambuco.

MPF e PF citam, além dos depoimentos, perícia técnica e levantamento do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que também constataram fraude na licitação. Em laudo, peritos da Polícia Federal listaram seis irregularidades no edital do certame, concluindo que houve “notório direcionamento” do processo. Já a Corte de Contas apontou um sobrepreço de R$ 430 milhões, em valores de 2010, montante que, corrigido pela taxa Selic (básica de juros), alcança hoje R$ 900 milhões.

Embora os recursos que custearam a reforma tenham saído da Terracap, a responsabilidade pela realização do processo de seleção das empresas foi conduzido pela Novacap.

 

Fonte: *Por:Maria Eugenica/Kelly Almeida/Mirelle Pinheiro//MetropoleClipping

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