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ANDRADE GUTIERREZ: Delator diz que Arruda e Filippelli disfarçaram propina com contratos

Segundo ex-executivo da construtora, empresas indicadas por políticos simulavam contratos para justificavam dinheiro ilícito

Os variados caminhos percorridos pela propina desviada de grandes obras do Distrito Federal não se restringiram à entrega de dinheiro vivo em locais inusitados ou doações de campanha na tentativa de “limpar” os recursos.

 

Outro método utilizado por corruptos e corruptores foi assinar contratos de fachada para repassar verba roubada dos cofres públicos.

A acusação é de Rodrigo Leite, ex-superintendente regional da construtora Andrade Gutierrez no Centro-Oeste.


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Leite afirma que pelo menos dois políticos lançaram mão do expediente: o ex-governador José Roberto Arruda (PR) e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Eles estavam entre os 10 presos na Operação Panatenaico, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 23.

 

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Além de Arruda e Filippelli, o ex-governador Agnelo Queiroz (PT) foi detido na ação, motivada pelas delações da Andrade Gutierrez.

 

Na quarta-feira (31/5), entretanto, o desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), concedeu liberdade a todos.

De acordo com Rodrigo Leite, parte da propina repassada a figuras do alto escalão do Executivo local foi justificada por meio de contratos simulados de prestação de serviços com empresas indicadas pelos próprios políticos.

 

 A delação premiada do ex-superintendente regional da Andrade Gutierrez traz detalhes de como funcionava a dinâmica do esquema.

Resultado de imagem para brt sul dfEm depoimento prestado ao Ministério Público Federal em 29 de setembro de 2016, o ex-executivo afirmou que Filippelli recebeu R$ 8 milhões em propina para garantir à Andrade Gutierrez as obras do BRT Sul, que liga Santa Maria e o Gama ao Plano Piloto.


 

Orçado inicialmente em R$ 587,4 milhões, o empreendimento foi executado por R$ 704,7 milhões. Segundo o delator, a propina foi repassada de três formas: em espécie, por meio de doações oficiais e através de contratos simulados de serviço.


Leite afirma que, do total, cerca de R$ 2,5 milhões foram entregues por meio de contratos de fachada com duas empresas indicadas pelo ex-vice-governador.


Imagem relacionadaA primeira seria a Logit Engenharia Consultiva Ltda, companhia paulista especializada em consultoria de projetos na área de transporte.

De acordo com o delator, o valor repassado por meio do contrato falso foi de R$ 900 mil, dividido em três parcelas iguais, pagas em janeiro, fevereiro e março de 2014.

Reprodução

Nota fiscal apresentada pelo delator Rodrigo Leite como suposto pagamento de propina ao ex-vice-governador Tadeu Filippelli

 

AB Produções
A segunda empresa apontada por Rodrigo Leite como suposta fornecedora de contratos simulados a Filippelli é a AB Produções — Canto do Cerrado Filmes.

De acordo com o ex-executivo, o repasse por meio da empresa foi de R$ 1,685 milhão, também a pedido de Filippelli. Ele alega que o objeto simulado do contrato era a produção de filmes das obras do BRT Gama e do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

Não é a primeira vez que a AB Produções aparece em escândalos locais. Ela também esteve no centro da Caixa de Pandora sob a acusação de adotar o mesmo modus operandi revelado nas delações da Andrade Gutierrez.

Abdon Bucar Pandora andrade empresaA produtora pertence a Abdon Bucar, acusado de ter facilitado, por meio de sua empresa, lavagem de dinheiro para abastecer caixa 2 de campanha.

 

A AB tinha sido contratada pelo PMDB para fazer programas de rádio e televisão dos candidatos a deputados federais e distritais lançados pelo partido em 2006 — ano em que fez a campanha vitoriosa de José Roberto Arruda. Entre 2007 e 2009, a AB recebeu R$ 14,4 milhões em contratos com o GDF.

Eleições de 2014
Segundo o depoimento de Rodrigo Leite ao Ministério Público, os contratos simulados por José Roberto Arruda foram com outra empresa. 

 

Resultado de imagem para Andrade GutierrezO ex-executivo revelou que a Andrade Gutierrez assinou um contrato de R$ 1,8 milhão com o escritório de advocacia Wellington Medeiros — Advogados Associados, a pedido do ex-governador, em 2014.

A propina teria sido solicitada por Arruda durante a campanha ao GDF e repassada porque, até ser impedido de se manter na corrida, o ex-governador liderava as pesquisas.

 

O delator afirma que o contrato simulado foi fechado no escritório de Wellington Medeiros, no Edifício Brasil 21, e que os serviços de advocacia não foram prestados à empreiteira. Medeiros é ex-desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF).

 

Fonte: *Por:Pedro Alves/Metropole/Clipping

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