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DIA DO MEIO AMBIENTE: Brasília será cada vez mais quente e seca nos próximos anos, aponta estudo

Relatório indica que nos últimos 9 anos, a capital federal superou seis recordes históricos de extremo calor. Em janeiro de 2017, foram registradas temperaturas de quase 4ºC superiores à média.

Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado nesta segunda-feira (5), e a secretaria responsável pelo tema no Distrito Federal divulgou um relatório com um panorama dos problemas que a região pode enfrentar com relação ao clima e ao meio ambiente nos próximos anos.


Segundo o documento técnico elaborado em novembro de 2016, nos próximos anos a Grande Brasília estará cada vez mais quente e seco.

O relatório aponta que nos últimos nove anos, a capital federal superou seis recordes históricos de extremo calor. Dois deles em outubro de 2015, com máximas de 35,9ºC e 36,4ºC. Em janeiro de 2017, foram registradas temperatura de quase 4ºC superiores à média.

 

“Esses sucessivos recordes de calor têm impactos diretos na saúde da população que precisam ser avaliados. ”

 

De acordo com o estudo, em 2014 o Distrito Federal viveu “um intenso período de desconforto térmico” pela falta de chuvas e baixa umidade do ar.

Os termômetros marcaram 40ºC em alguns pontos da cidade e 18% de umidade relativa do ar.

Imagem aérea da Bacia do Descoberto, em janeiro de 2017 (Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília)

Reservatório do Descoberto em janeiro

 

 

Uma consequência das altas temperaturas e baixa umidade são as condições favoráveis para incêndios no cerrado.

Segundo o relatório, os bombeiros registraram 17 mil incêndios florestais e mais de 17 mil hectares de cerrado queimado em 2016 – maiores índices dos últimos cinco anos.


O levantamento também mostrou que no mesmo ano, o setor agrícola do "quadrilátero" sofreu queda de 70% na colheita de milho, por exemplo, com prejuízo de R$ 116 milhões.

O parâmetro apresentado no estudo afirma que se na década de 60, Brasília tinha em média dez noites por ano com temperaturas acima de 20ºC, nos últimos 17 anos, essa média aumentou para cerca de cem noites.

 

Mudança nas chuvas

 

Com relação à umidade, o regime de chuvas também mudou. Atualmente as chuvas são fortes, com muito volume de água, mas concentradas em poucos dias.

 

Para o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Francisco de Assis Diniz, é improvável que as chuvas possam encher os reservatórios em nível desejado para abastecimento da população.

 

“Há 15 anos a população observava que de dezembro a janeiro praticamente não havia sol aqui no DF. Hoje a situação é contrária e isso vai continuar. ”

 

Segundo Diniz, antes dos anos 2000, Brasília contava com 10 ou 15 dias de estiagem. Atualmente esse índice chega a 30 dias, pelo menos.

 

De acordo com o relatório da Secretaria de Meio Ambiente, a área com pior microclima do DF é a QNN 30 de Ceilândia, porque não há área verde próxima e a região fica no ponto central da cidade.

 

Futuro

 

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que também participou do levantamento, concluiu que no futuro próximo até 2040, os aumentos de temperatura irão varia de 1ºC a 3ºC.

 

“Este aquecimento é projetado para todo Distrito Federal e Entorno e em praticamente todas as estações do ano, particularmente na primavera. ”

 

As reduções das chuvas no período de dezembro a fevereiro estão previstas para queda de 3 mm por dia.

Entre as recomendações da Secretaria do Meio Ambiente para enfrentar as mudanças previstas estão a produção e divulgação de conhecimento sobre os riscos climáticos e planejamento sustentável para desenvolvimento e adaptação de setores críticos para o bem-estar da população, como o abastecimento de água.


“O fato é que os impactos já são visíveis. Mas não podemos mais estar à mercê destes riscos. As palavras de ordem agora são ‘informação’ e ‘transparência’ para mobilizar a sociedade para ações concretas. ”

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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