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ESTATÍSTICA: Grande Brasília registra menor número de mortes no trânsito até maio desde 2000

90 pessoas perderam a vida nos 5 primeiros meses de 2017. Menor índice anterior havia sido em 2013, com 155 óbitos. Análise de estatísticas, blitzen educativas e endurecimento da fiscalização foram fatores que contribuíram para o resultado

O número de mortes no trânsito nos primeiros cinco meses de 2017 é o menor no Distrito Federal em comparação com o mesmo período de todos os outros anos desde 2000, marco zero da informatização do banco de dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran).

No balanço individual de cada mês, as quantidades também são inferiores (veja quadro).


A queda neste ano é consequência de uma série de fatores, sendo o principal deles o trabalho em cima de estatísticas.

Traçar o perfil de cada via, com o histórico dos acidentes — data, horário e local — e a idade dos condutores envolvidos favorece a eficiência na fiscalização, ao colocar agentes de trânsito e policiais nos locais mais necessários.

Vítimas fatais no trânsito do Distrito Federal
Mês
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
Janeiro
30
28
31
29
22
36
45
31
31
28
44
39
29
31
36
34
24
20
Fevereiro
30
34
25
34
34
25
31
26
37
29
29
39
32
27
34
34
20
20
Março
44
39
42
39
36
34
46
28
39
42
36
38
28
26
41
29
26
14
Abril
39
35
41
49
34
40
28
40
56
35
33
44
45
38
32
33
44
20
Maio
47
33
39
35
48
40
36
40
38
39
42
42
40
33
35
31
48
16
Junho
48
42
38
43
34
37
24
46
42
35
42
35
31
33
41
24
29
4*
Julho
37
50
37
48
42
49
37
37
30
33
30
36
31
28
37
23
40
Agosto
19
28
41
54
42
38
26
48
40
42
56
49
41
36
32
32
28
Setembro
23
39
47
35
33
38
28
55
38
32
45
39
40
24
34
21
38
Outubro
36
29
35
32
39
45
34
37
32
39
39
43
38
31
29
32
34
Novembro
31
34
28
38
33
26
41
39
40
33
29
35
30
31
27
21
32
Dezembro
48
30
40
76
26
34
38
40
33
37
36
26
33
46
28
34
28
Total
432
421
444
512
423
442
414
467
456
424
461
465
418
384
406
354
391
94*
*Dados contabilizados até 4 de junho de 2017 - Fonte: Detran

Segundo o diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, esta é a melhor metade de ano que ele já testemunhou na carreira. “Tenho 29 anos de Detran e, ano a ano, esses são os cinco primeiros meses mais efetivos. Isso mostra que as ações de segurança no trânsito são um investimento para a população e para o Estado”, afirma.

O trabalho em estatísticas muito se deve ao modelo de gestão do Viva Brasília — Nosso Pacto Pela Vida. O principal programa de segurança pública do governo de Brasília atua com foco no resultado e na transparência nas estatísticas, com apresentação mensal de balanço de dados.


Esta gestão registrou, além dos bons índices em 2017, dois dos três anos com menos mortes no trânsito desde 2000 no DF. Em 2015, foram registradas 354, menor número da história. No ano passado, 391 — a quantidade supera apenas 2013, quando foram contabilizadas 384, e 2015.


Para o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF), Henrique Luduvice, os resultados “traduzem o compromisso da sociedade e do governo com a redução drástica do número de acidentes e mortes no trânsito”. “Esta gestão tem resgatado os princípios e valores da paz e da cidadania no trânsito”, diz.


Fatores que levaram à redução do número de mortes no trânsito 

As autoridades máximas do DER-DF e do Detran-DF listam outros fatores do trabalho deles que, em conjunto com o da Polícia Militar, têm levado a um trânsito menos violento:


  • Mudança na engenharia das vias em pontos críticos de acidentes. As intervenções incluem construção de rotatórias, de faixas de aceleração e desaceleração, de baias de ônibus, de alças em cruzamentos, além da separação física das duas mãos das vias

  • Campanhas de conscientização com público definido, porém transversais. Uma peça voltada para ciclistas, por exemplo, lembra aos motoristas que o maior cuida do menor no trânsito, e, aos pedestres, que a ciclovia e a calçada são espaços distintos

  • Campanhas específicas sobre temas. Um bom exemplo é dado pelo DER-DF, que mesmo com a não penalização, hoje 99% da frota trafega com farol baixo aceso nas rodovias. Isso aumenta a visibilidade dos veículos para motociclistas, ciclistas e pedestres

  • Maio Amarelo. Os principais monumentos da cidade ficaram iluminados em amarelo — cor do semáforo que simboliza atenção —, agentes do Detran e do DER fizeram blitze educativas, houve mobilização da sociedade — com passeios ciclístico e motociclístico, e corrida —, e materiais educativos foram entregues em escolas e na Rodoviária do Plano Piloto

  • Endurecimento e fiscalização para cumprimento da Lei Seca. A multa para quem bebe e dirige está em R$ 2.934,70 mais a suspensão de um ano da carteira de habilitação. Foram mais de 65 mil autuações desde 2006, 95% delas antes de o condutor se envolver em algum acidente
  • Atualização do Código de Trânsito Brasileiro.

  •  A legislação passou, em 2016, pela primeira atualização geral nos valores das multas. A mudança ainda levou em conta o avanço tecnológico e elevou a gravidade da autuação de quem dirige ao celular de média para gravíssima
  • Maior oferta de meios de transporte individual. A difusão de aplicativos para transporte contribui para jovens que vão a festas e fazem uso de bebida alcoólica a deixarem o carro em casa. O governador Rodrigo Rollemberg observou isso ao assinar o decreto que regulamenta serviços como o Uber, na quarta-feira (7)

Em junho, o DF tinha registrado quatro mortes no trânsito até o momento desta publicação. A comparação não cabe com os outros anos, pois o mês ainda está em andamento.

Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020

Lançada em maio de 2011, a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020 visa reduzir o número de acidentes e mortes nas vias. A média mundial é de 1,3 milhões de óbitos por ano, além de 50 milhões de feridos. Governos de todo o mundo se comprometeram a tomar medidas para melhorar os índices.

Esse resultado vai ao encontro das metas da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), à qual o DF aderiu em outubro de 2016. Um dos objetivos globais é, até 2020, reduzir pela metade as mortes e os ferimentos por acidentes.

 

 

 

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