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TERCEIRA-IDADE: Animais do Zoológico de Brasília superam expectativa de vida e tem atenção diferenciada

Os 35 bichos idosos da instituição têm cuidados diários especiais, a exemplo da babuíno-sagrado fêmea Capitu, com 26 anos de idade

"Os animais idosos têm um manejo específico, observação diária, alimentação balanceada" - Filipe Reis, diretor de Mamíferos do Zoológico


A Fundação Jardim Zoológico de Brasília mantém em seu plantel animais idosos de 16 espécies.

 

São 35 bichos que recebem, diariamente, alimentação balanceada e cuidados específicos para a idade avançada.

Eles colaboram com estudos e pesquisas de conservação, pois poucos, em vida livre, têm vida tão longa.


A tigresa-de-bengala Laila, de 20 anos — o que equivale a uma senhora de 80 ou 90 anos — é um exemplo. Ela nasceu em 27 de dezembro de 1996 na fundação e divide o espaço com Rabisco, companheiro da mesma espécie. Ele é mais novo, tem 15 anos, mas também é considerado idoso.


Esses felinos vivem em média 14 anos na natureza e estão ameaçados de extinção. Nos zoológicos, podem chegar a 20 anos. O motivo do aumento da expectativa de vida dos animais não é um mistério. Como no caso das pessoas, o cuidado com a saúde dos bichos está muito mais sofisticado.


O Zoológico de Brasília participa de projetos mundiais de conservação para trocar informações com o objetivo de garantir diversidade genética desses felinos. A instituição é uma das grandes reprodutoras do País: somente entre 1982 e 2002, nasceram 57 tigres-de-bengala em Brasília.

 “A Laila é um dos conjuntos genéticos mais bem representados no País, seus filhos vão colaborar para a conservação da espécie. Além disso, com a Laila, avançamos muito em questões de manejo e bem-estar”, afirma o diretor-presidente da fundação, Gerson Norberto.

Com 26 anos de idade, a babuíno-sagrado fêmea Capitu precisa de cuidados especiais para locomover-se.

Estruturas adaptadas para os animais idosos

Outra integrante do time da terceira idade do Zoológico de Brasília é a Capitu, babuíno-sagrado fêmea nascido em 28 de novembro de 1990. Aos 26 anos, ela precisa de alguns cuidados para facilitar a locomoção.


Com 26 anos de idade, a babuíno-sagrado fêmea Capitu precisa de cuidados especiais para se locomover

“Normalmente, o recinto dos babuínos tem muitas estruturas altas para que eles se movimentem. Para a Capitu, fizemos algumas rampas, além de estruturas um pouco mais baixas, tudo para dar conforto e facilitar a vida dela”, destaca o diretor de Mamíferos, Filipe Reis.


A Fundação abriga outros mamíferos idosos, como a Jeniffer, um cervo-nobre fêmea de 20 anos, e a Sic, uma ariranha que tem 14 anos. Além delas, há uma cutia, de 11 anos, um veado cariacu, de 14 anos, e um waterbuck, de 13 anos. “Eles têm um manejo específico, observação diária, alimentação balanceada”, afirma Reis.

Zoo de Brasília abriga aves de até 23 anos de idade

Casuar, com 15 anos, é uma das aves mais antigas do Zoológico.
Casuar, com 15 anos, é uma das aves mais antigas do Zoológico.

Apesar de as aves não apresentarem características de longevidade tão visíveis quanto os mamíferos, é possível ter ideia da idade avançada de algumas espécies pelo tempo em que estão na fundação.

As mais antigas do plantel são um casuar e um cisne-negro, de 15 anos; um arapapá e um guará, de 23 anos; um avestruz, de 17 anos; e um emu, de 13 anos.

Os arapapás, por exemplo, estão no zoológico desde 1996, alguns indivíduos têm 21 anos de vida. “Dos 68 animais que temos dessa espécie, 18 são idosos”, destaca a diretora de Aves, Ana Cristina Castro. “Algumas de grande porte podem apresentar palidez nas penas, mas, em geral, elas não aparentam características com o avanço da idade.”

Idade estimada dos répteis

Há ainda cinco répteis com idade avançada na fundação: três cascavéis, uma jiboia e uma jararaca caiçaca. As cascavéis chegaram juntas em 2000, trazidas de resgate pela Polícia Militar, sem registros biométricos, data de nascimento e local de coleta. Levando em consideração a data da chegada, elas estão com 17 anos de idade. A expectativa de vida média destes animais é de 20 a 25 anos.

A jararaca foi entregue por um visitante em 2003. Considerando essa data, ela teria 14 anos. Segundo o diretor de Répteis, Alberto Brito, informações registradas em cativeiro sugerem que a expectativa de vida média desses animais é de 16 anos.

Uma das cascavéis do plantel, com por volta de 17 anos.
Uma das cascavéis do plantel, com por volta de 17 anos. 

Também sem registro do nascimento, a jiboia, entregue pela Polícia Militar em 1998, tem hoje cerca de 19 anos, e a expectativa de vida é de 25 anos. “Independentemente da idade atual da serpente mantida sob os cuidados humanos, é fundamental que sejam feitas observações rotineiras no estado geral do animal”, diz Brito.

Além de rigoroso controle alimentar, são fundamentais para garantir o bem-estar dos animais exames periódicos e adequação da temperatura e da umidade nos ambientes.

 

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