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MENOS COMIDA: Água de irrigação é racionada na Grande Brasília e agricultores diminuem área de cultivo

Redução da área plantada na Bacia do Rio Descoberto já passa dos 20%. Governo do Distrito Federal decretou estado de emergência.

A seca dos últimos meses preocupa agricultores do Distrito Federal. A água é racionada e as culturas que dependem da irrigação, como frutas e hortaliças, estão sofrendo.


Na propriedade do Fábio Harada, em Brazlândia, a 45 quilômetros de Brasília, a plantação de goiaba depende da água que vem do Ribeirão Rodeador.

No período de seca, que começou  em maio, o produtor precisa de quase dez horas para molhar os 1,8 mil pés da fruta.


“No caso da goiaba, irriga-se em torno de 40, 50 minutos cada rede, em torno de cinco em cinco dias”, explica Harada.

Para a próxima colheita de goiaba, em julho, calcula uma queda de 40% na produtividade. Fábio Harada é um dos 638 produtores da Bacia do Rio Descoberto, que abastece 62% da população do Distrito Federal.


Com isso, o reservatório do descoberto ficou pela metade (55%). Desde agosto, os produtores da região reduziram o consumo de água em 50%. O governo do Distrito Federal decretou estado de emergência.


Mas agora a restrição está ainda maior, os produtores rurais abastecidos pela Bacio do Descoberto só podem captar água durante três horas por dia, das seis até ás nove horas da manhã.

Segundo a Emater, a redução da área plantada na Bacia do Descoberto já passa dos 20%. O agricultor Gildeoni Pereira foi além. A plantação de hortaliças dele caiu pela metade. Agora, só restaram quatro hectares, em Brazlândia. “Não tem água suficiente para se alimentar, para crescer, aí tá bem inferior mesmo a qualidade que a gente trabalha”, explica.


A água para irrigação também vem do Ribeirão Rodeador, passa por um canal de 35 quilômetros, que abastece 94 propriedades na Bacia do Descoberto. Para atender as exigências da Agência Reguladora de Águas do Distrito Federal, o presidente da associação dos agricultores da região, Ricardo Sassa, começou a fazer um rodízio: dois dias sem água, um dia com água.

“O receio maior é que os produtores não têm garantia que vai, perante o ano todo, que vai conseguir ter água, que no caso a água é a matéria-prima da agricultura”.

O período das chuvas no Distrito Federal só começa em novembro e vai até fevereiro, segundo a Climatempo.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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