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DIA DE COMBATE ÀS DROGAS: Usuários contam a luta para abandonar o vício

“Comecei a usar drogas com 15 anos. Eu trabalhava em casas noturnas. Comecei com as drogas sintéticas, depois cocaína. Com o uso contínuo, acabei no crack. A dependência é progressiva, incurável e fatal. Eu tinha perdido o controle e a vida social

A frase é de Rafael Maia, 35, durante seu tempo em tratamento para desintoxicação em uma casa de recuperação. Hoje, Dia Internacional de Combate às Drogas, inúmeras pessoas estão como Rafael: na luta para deixar o vício.

No mundo, são cerca de 250 milhões de pessoas usando drogas, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2015.

Enquanto a liberação de algumas dessas substâncias é analisada por governo, tribunais e sociedade, órgãos de segurança tentam diminuir o tráfico e, por consequência, o consumo.


Rafael não nasceu em Brasília. Ele é paulista, de Indaiatuba, mas teve que vir para o Centro-Oeste na tentativa de se manter longe do mal que o aterroriza desde a adolescência. Ele está no Centro de Tratamento Salve a Si desde novembro de 2016 e, desde então, carrega um lema: “Só por hoje não quero usar”. Quando acorda, a primeira coisa que faz é agradecer a Deus por estar limpo e vivo.


São tempos diferentes na vida do ex-DJ e atual gastrônomo. A última recaída, antes de vir à Brasília, foi após um período de dois anos em abstinência. No dia 21 de setembro do ano passado, durante a comemoração de seu aniversário, ele resolveu tomar um chope, confiante que a fase ruim havia passado. No fim daquela noite, ele tinha consumido oito garrafas de 600ml de cerveja e, por estar há muito tempo sem beber, ficou rapidamente embriagado.

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Algumas horas depois, voltou a usar cocaína. No dia seguinte, passou o dia inteiro consumindo crack. “Tudo que eu alcancei em dois anos, perdi em dois dias”, relata Rafael. A comemoração do aniversário foi na quarta, na quinta ele usou tudo o que pôde de crack e, na sexta, furtou utensílios da casa dos pais para comprar mais droga. A mãe não aguentou a situação e o expulsou de casa. Assim, a rua foi seu lar por quase um mês. Ele perambulava entre a rodoviária e alguns postos de gasolina na cidade, ficando dias sem tomar banho.


Foi com a ajuda de familiares que Rafael veio para o tratamento em Brasília. Atualmente, ele completou os seis meses de desintoxicação e, pelo bom comportamento e atuação na clínica, foi convidado para passar um período de estágio no local. Ele auxilia na cozinha, na área administrativa e em todos os lugares que pode. O interesse é se manter em movimento e sem uso de substâncias ilícitas para, em breve, ver o filho pequeno, em São Paulo.


Busca de força para evitar recaída

Resultado de imagem para Dia de Combate às DrogasA maconha é a droga mais utilizada na Grande Brasília – como em todo o mundo. Depois, vem a cocaína e o crack. A última dificulta muito a vida de quem a utiliza pois causa dependência com rapidez.


Alan Marcos Santana, 32, entende bem os efeitos desse entorpecente. Para ele, “a onda que essa droga dá é tão boa” que nada alcança. Mas, isso não seria motivo para permanecer viciado. Ele garante que uma saída é possível e que busca força todos os dias para evitar as recaídas, que já vieram várias vezes.


Alan é agrônomo com especialidade em paisagismo e em orgânicos. Apesar de ter começado a usar drogas aos 14 anos, ele garante que os seus dois vícios eram os estudos e os entorpecentes.

Resultado de imagem para Dia de Combate às DrogasHoje, depois de ter passado por um tratamento, ele está há um bom tempo longe das recaídas e resolveu ajudar outros que estejam nesse difícil momento de transição. Há nove meses, o agrônomo dá aulas de agronegócio, agricultura sustentável e horticultura orgânica no mesmo local onde Rafael Maia, do início da matéria, luta para abandonar o vício.


“A sensação que eu tenho ao ver os alunos é a mesma de um pai quando vê um filho ter sucesso, ou quando o ver cair”, afirma Alan que lembra que o trabalho que faz é para construir a autonomia dos internos na instituição, até para que eles, depois do tratamento, tenham a possibilidade de sair do local com uma formação diferente.

Ele diz que sua luta contra as drogas não acabou e que quem quer se livrar do problema precisa cuidar de si mesmo e pedir ajuda quando perceber que é necessário. O Centro de Tratamento para depedência química Salve a si atende 90 pessoas atualmente.


Liberação é discutida em todo o BrasilImagem relacionada

O delegado Rodrigo Bonach é o responsável pela Coordenação de Repressão às Drogas (CORD) da Polícia Civil e busca combater o tráfico e diminuir a quantidade de entorpecentes nas ruas, para que atuais usuários possam ficar cada vez mais longe do vício.

Segundo o delegado, os adolescentes e jovens são os que mais fazem uso das substâncias ilícitas, sendo seguido pelos adultos até os 40 anos. Depois disso, a intensidade é diminuída. “O DF é uma rota para outros estados e um destino pelo poder aquisitivo aqui”, diz.


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As conversas sobre a legalização das drogas tratam, neste momento, em relação a maconha, que já é liberada em diversas cidades pelo mundo. O Supremo Tribunal Federal estuda se descriminaliza ou não o porte de drogas para o consumo.

A integrante do movimento Brasil sem Drogas, Andreia Salles, afirma que a história de que a legalização vai salvar pessoas e trazer justiça social não é verdadeira. Seria preciso olhar a situação dos lugares onde houve a liberação, como o Colorado, nos Estados Unidos. “Quem compra são os ricos”, ressalta ao lembrar que a maioria das pessoas começa na maconha, em especial os mais jovens.

O psiquiatra Antônio Geraldo da Silva assegura que existe uma contradição em muitos discursos liberais. Ele é presidente da Associação de Psiquiatria da América Latina (APAL) e afirma que não vê motivos para a liberação da maconha pois não há lógica utilizar uma substância fumada, sendo que há anos se combate o uso de cigarros.

Saiba Mais:Resultado de imagem para Drogas df

  • De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, entre janeiro e maio deste ano, foram apreendidos 1,85 mil quilos de maconha, 82 quilos de cocaína, 34 quilos de crack, 6,48 quilos de haxixe, 1.425 comprimidos de ecstasy, 984 microsselos de LSD e 329 frascos de lança perfume. Houve queda em relação aos registros do ano passado.

  • Segundo o delegado Rodrigo Bonach, em relação ao tráfico, os entorpecentes que chegam à Brasília vem das cidades que fazem fronteira com o Estado de Goiás, em especial, das existentes na Região Metropolitana Sul (Águas Lindas, Cidade Ocidental, Luziânia, Valparaíso, entre outras). Ceilândia, Samambaia, Recantos das Emas, Gama e Santa Maria são algumas das cidades por onde essa droga circula com mais frequência.

 

Fonte: *Por:João Paulo Mariano/JBr/Clipping

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