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BANCARROTA DA TERRACAP: Autarquia do GDF agora busca economia de R$ 70 milhões

Para superar a pior crise da história, a empresa reduzirá até o número de diretorias, que cai de sete para quatro

O rombo de R$ 1,3 bilhão gerado pela superfaturada obra do Estádio Nacional Mané Garrincha força a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal, mais conhecida como Terracap, a promover uma profunda reestruturação.

 

Para recuperar a capacidade de investimento a partir de abril de 2018 a empresa promoverá uma redução de custos anuais anuais na ordem de R$ 70 milhões anuais.

 

Além disso, também está em curso um agressivo projeto de aumento de receita. Ao final de 2017, o pacote projeta, por exemplo, um faturamento extra de R$ 90 milhões.


“Essa é a maior crise pela qual a Terracap já passou. É importante ressaltar que os nossos fornecedores, nossos funcionários, todas as nossas obrigações estão rigorosamente em dia. Mas essa crise, ela obrigou a Terracap a se reinventar”, afirma o presidente o presidente da Terracap, Júlio César de Azevedo Reis.

 

O prejuízo do Mané ceifou a capacidade de investimento da agência. Pelas contas de Reis, a reestruturação recuperará o fôlego da empresa a partir de abril de 2018.


Segundo o presidente, a empresa executa um programa de desligamento incentivado (PDI). Até agora, 199 concursados aderiram. Com isso até o próximo ano, o quadro de servidores permanentes de 602 trabalhadores será enxugado para 403. Será um redução de 33%, cujo resultado aliviará a folha em R$ 52 milhões anuais a partir de 2018.

 

A empresa também pretende reduzir em 25% os contratos de manutenção administrativa, que envolvem por exemplo locação de veículos e terceirizados.


Só prioridades
A agência revisará o portfólio de projetos estratégicos para enxugar a atual lista de 56 ações para apenas 17 de extrema prioridade, a exemplo da concessão do próprio Mané Garrincha.

 

Desta forma, será possível aglutinar diretorias. A diretoria Financeira será unida a de Gestão Administrativa e Recursos Humanos. Comercial e Prospecção e Formatação de Novos Negócios serão uma só.

 

E Habitação de Interesse Social e Regularização de Imóveis Rurais serão agregadas. Assim, a Terracap deixará de ter 7 diretorias para apenas 4.

A diretoria técnica será a única independente.


Saiba mais
A Terracap sofre a inadimplência de pagamentos. Nos contratos celebrados antes de 2012, a taxa de calotes chega a 52%. Nas transações entre 2012 e 2015, o não pagamento é de 12%. A partir de 2015, a taxa é de 8%.


Para destravar os débitos, a empresa oferece o Terraflex, com reparcelamente do débitos em 36 meses e de contratos até 120 meses.

 

Além de linhas de renogociação, a agência firmou uma parceria de conciliação com o Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). Uma espécie de “refis” das ações judiciais, onde é possível o abatimento de 95% de juros, multas e o reparcelamento por 10 anos.


Nos casos onde não há dialogo, a empresa começou a retomar os terrenos. Apenas neste ano, a alienação fiduciária devolveu mais de R$ 60 milhões para o erário.


Lançamentos em série
A Terracap lançará três novos produtos até o final deste ano. Conforme o relato de Júlio César de Azevedo, estão em fase de finalização os projetos do Taquari Trecho 2, Jardim Botânico 3 e a 2ª etapa do Noroeste. Internamente, a agência se prepara para digitalizar toda a tramitação de documentos.


No caso do Taquari, a empresa comercializará 1,2 mil lotes residenciais unifamiliares. No Jardim Botânico o governo planeja vender 200 unidades residenciais unifamiliares. Sobre Noroeste, a nova etapa permitirá a construção de 60 projeções.


Novas produtos abrem o apetite do mercado, enquanto a digitalização promete mais celeridade nos processos internos e economia de papel. “Implantaremos a tramitação eletrônica de documentos em novembro deste ano”, declara Reis.


Na leitura do especialista em Administração Pública da Universidade de Brasília (UnB), José Matias-Pereira, a reestruturação é um esforço bem-vindo, mas estranhamente tardio. “Entendo todo esforço para racionalizar qualquer órgão público como positivo. É sempre importante buscar a eficiência, produtividade e a redução de custos. Mas por que o governo só está fazendo isso agora? Por que não começou no primeiro ano de gestão”, questiona.


Além da bomba do Mané, Matias-Pereira aponta que a empresa já sangrava com supersalários. “Isso mostra a baixa capacidade de gestão do governo. É preciso a empresa entrar no olho do furacão para expor as fragilidades e despesas inúteis”, critica.

 

Fonte: *Por:Francisco Dutra/JBr/Clipping

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