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NATUREZA PRODUTIVA: Embaixada da Suíça instala 700m² de placas de energia solar em Brasília

Segundo estudo da WWF, se apenas 0,41% da área da capital federal fosse coberta placas, energia produzida seria suficiente para alimentar a cidade

O céu é amplo, o terreno é plano, a localização no centro do país é ideal. Durante três ou quatro meses, nem uma gota de chuva e poucas nuvens bloqueiam a luz do sol.

 

Mesmo assim, 100% da energia que abastece a capital federal vêm de hidrelétricas: 80% da estação de Furnas e 20% de Itaipu.

Por causa da falta de água nesta época do ano, apesar de todo o potencial, o brasiliense paga mais pela conta de luz: começou a valer, na última terça-feira (1º/8), a bandeira vermelha que acrescenta R$ 3 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.


Segundo um estudo divulgado pela WWF Brasil em novembro de 2016, Brasília é uma das cidades com maior potencial no país para produção de energia solar.

 

Enquanto o Brasil já apresenta uma irradiação mínima maior do que a de países que investem pesado na tecnologia (Japão, Inglaterra e Alemanha, por exemplo), o Distrito Federal desponta acima da média nacional em poder de captação. De acordo com a pesquisa, se apenas 0,41% da área da cidade fosse coberta com módulos fotovoltaicos, a energia produzida seria suficiente para alimentar a cidade inteira.


Em parceria com estudantes de tecnologia da Faculdade do Gama da Universidade de Brasília, a WWF descobriu que é preciso cobrir 24km² dos 5780km² de área do DF com placas, e que é possível fazer isso sem gastar espaço no chão: telhados são perfeitos para a empreitada.
Os voluntários mapearam tetos de casas e prédios do Plano Piloto, Cruzeiro, Lago Norte, Lago Sul e Park Way. Essas regiões podem juntas oferecer 73% da energia elétrica demandada pela cidade inteira.

A embaixada
Pensando nesses números animadores, a Embaixada da Suíça inaugurou, na última quinta-feira (3/8) uma das maiores instalações fotovoltaicas particulares da cidade.

 

Usando 700m² dos telhados das construções que fazem parte da embaixada, a finalidade é gerar mais de 100kWp para abastecer os três prédios do local e duas casas no Lago Sul.

A Suíça está envolvida com a geração de energia limpa há algum tempo e isso inspirou a ação da embaixada em Brasília. Um dos primeiros aviões movido por energia solar a voar foi obra de engenheiros do país europeu.

 

A Cabana Monte Rosa, inaugurada em 2009 nos Alpes, é outro exemplo: 90% de sua energia é gerada por painéis fotovoltaicos. Em maio de 2017, foi aprovada, em referendo, a “Estratégia Energética 2050”, que proíbe a construção de novas usinas de energia nuclear e promove as fontes de energia renovável.

O preço
Um dos principais empecilhos para a adoção das placas fotovoltaicas é o custo.

 

Um bloco do Plano Piloto com seis andares tem 1250m², e cada apartamento gasta, em média, 215 kwh/mês de energia.

 

Seria suficiente cobrir 494m² (apenas 39,52% da área) para abastecer todos os moradores do edifício por cerca de 20 anos.

Mas a conta é cara: o estudo orça em cerca de R$ 356 mil o investimento.

Nos dois primeiros anos, os condôminos pagariam o dobro do que gastam na conta de luz comum, mas, depois, viveriam 20 anos pagando apenas o preço da manutenção das placas de energia solar.

 

Fonte: *Por:Juliana Contaifer/Metropoles/Clipping

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