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CRIME DA 113 SUL: Oito anos depois, caso do assassinato do casal Villela segue sem um desfecho

José Guilherme Villela foi ministro do TSE

Exatos oito anos se passaram desde que um triplo assassinato chocou Brasília. Em 2009, um casal e a empregada foram mortos a facadas dentro do apartamento na Quadra 113 da Asa Sul.

 

A história, repleta de reviravoltas, ainda é uma ferida aberta na região e segue sem desfecho.

A defesa da principal suspeita, filha do casal, tenta, a todo custo, evitar o júri popular chegando aos tribunais supremos. Enquanto isso, um suposto comparsa deve ser julgado no mês que vem.


Adriana Villela tem 53 anos e mora no Rio de Janeiro. Arquiteta e Urbanista formada pela Universidade de Brasília (UnB), tem o título de mestre em Desenvolvimento Sustentável.

Entre os temas diários, trabalha com reciclagem de vidro, sustentabilidade e na tentativa de quase uma década de provar sua inocência diante da morte brutal dos pais, respondendo ao processo em liberdade.

Em 2009, ela foi apontada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF) como mandante do assassinato dos pais e da empregada deles.

 

No apartamento de um prédio na 113 Sul, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, de 73 anos, a advogada Maria Carvalho Villela, de 68, e a empregada deles, Francisca Nascimento da Silva, de 58, foram mortos com 78 facadas.

De acordo com o MP-DF, a mulher recebia uma mesada de R$ 8 mil por mês e tinha constantes brigas com a mãe por pedir mais auxílio financeiro. A suspeita chegou a ficar 19 dias detida, mas foi solta e responde às acusações até hoje em liberdade.

Adriana é coringa de uma história sem desfecho que se arrasta com recursos pela Justiça brasileira.


A arquiteta e Paulo Henrique Cardoso, acusado de participação nas mortes, aguardam julgamento no tribunal do júri popular. A previsão é que, no próximo mês, o réu receba uma sentença. Ele é sobrinho do ex-porteiro do prédio onde morava o casal, que foi condenado em 2013. Em primeira instância, recebeu como pena 62 anos e um mês de reclusão em dezembro de 2016. A defesa recorreu e o caso segue na 1ª Vara Criminal do TJ-DF.

Adriana Villela tenta provar sua inocência

 Adriana Villela Chegando na 1ª DP. Foto: Josemar Gonçalves/CedocHoje, Adriana Villela imerge-se na religiosidade, viaja, faz trabalhos artísticos e se divide entre o rótulo de principal suspeita da morte dos pais e a aparente saudade deles.

 

No Facebook, ela não usa o nome de batismo. Compartilha imagens de viagens, amigos e presta homenagens aos pais.

Em maio, trocou a foto do perfil por uma em que, ainda bebê, é segurada no colo pela mãe: “Não porque é a minha (mãe), mas… é linda, não é mesmo?”. Em 2015, homenageou o que seria o aniversário de 53 anos de casamento dos pais: “Dia de honrar a memória do encontro que me gerou. Amo vocês, meu pai e minha mãe”. Ela também já usou a ferramenta para defesa. “Nenhuma calúnia, por maior que seja, pode calar a semente dessa verdade viva em mim”, afirmou.


“Temos recursos a serem julgados. É um processo que deve ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal. Nossa tentativa é que ela não vá a júri porque, na nossa visão, não existem provas para isso”, diz o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.


Segundo ele, a reconstituição do dia do crime provou que Adriana não poderia estar no apartamento naquele momento, com provas testemunhais e um e-mail que ela teria mandado de casa. “É irrefutável”, garante. Em relação aos envolvidos apontarem Adriana como mandante, Kakay argumenta: “Teve tortura, pressão. O que está claro é que a morte foi espontânea. José Villela era turrão e teria humilhado o autor, que nutriu ódio”.


Na 113 Sul, poucos moradores falam abertamente do assunto. “Foi trágico. Não falei na época, não quero falar agora”, disse um vizinho. O apartamento no 6º andar do Edifício Leme foi ocupado há cerca de seis meses após uma reforma.


Os murmúrios sobre passos, sussurros e vultos que alguns garantem ter ouvido desde 2009 já são quase lendas. “O assunto nem é mais tocado”, avisa o porteiro que trabalhava ali na época. Apesar da resistência, há quem solte a indignação pela impunidade. “Deixa na mão de Deus que quem fez uma hora pagará”, desabafou uma senhora. Hoje, câmeras monitoram os corredores da tragédia.

Investigadores Condenados

Há um ano, a delegada que conduziu as investigações foi condenada por falsidade ideológica, fraude processual, violação de sigilo funcional e tortura.

Por plantar provas, Martha Geny Vargas Borraz teve pena total fixada em 16 anos e 28 dias de reclusão, um ano, 9 meses e 10 dias de detenção e 81 dias-multa.


O agente da Polícia Civil José Augusto Alves também foi condenado por tortura e teve pena fixada em 3 anos, um mês e 10 dias de reclusão. Os envolvidos no caso confessaram após 24 horas de suposta tortura. O outro acusado no processo, o policial militar Flávio Teodoro da Silva, foi absolvido por ausência de provas.

Saiba Mais

Até supostos poderes paranormais interferiram no andamento das investigações. A vidente Rosa Maria Jaques disse ter recebido, do mundo dos espíritos, missão para ajudar a esclarecer o crime. No apartamento, garantiu ter tido uma visão do assassino.

Descobriu-se mais tarde que tudo era uma armação. Segundo a polícia, a vidente se encontrou com Adriana Villela, filha do casal assassinado, para combinar a farsa. As duas negam o encontro. Ela chegou a ser detida em 2010.

 

Hoje, Rosa Maria Jaques é caça-fantasmas e palestra sobre administração de paranormalidade.Assassinos confessos, Leonardo Alves, ex-porteiro do prédio, e seu comparsa Francisco Mairlon Barros foram condenados a 60 e 55 anos, respectivamente, por triplo homicídio e furto qualificado em 2013.

Memória

  • Casal e empregada assassinados com quase 80 facadas
    Os corpos do trio assassinado foram descobertos três dias após o crime. Naquela altura, o cheiro putrefato já tomava conta dos corredores do sexto andar do bloco C da 113 Sul.

  •  Preocupada com o desaparecimento, a neta do casal os encontrou após ir à casa dos avós acompanhada de três amigos policiais.Segundo laudo do Instituto Médico-Legal (IML), foram 78 facadas. 

  • A empregada da família, Francisca, levou 23 golpes nas costas. Maria, agarrada por trás, teria levado 12 punhaladas. José Guilherme recebeu o maior número: 38 ao todo.


  • Da casa, os criminosos roubaram dinheiro e joias que a família escondia em caixas de uísque e fundos falsos de armários. Mesmo assim, eles deixaram para trás quase US$ 100 mil, achados na perícia.


 

Fonte: *Por:Jessica Antunes/JBr/Cllippiing

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