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CAFÉ ILIMITADO: "Anticafés" chegam a Brasília; clientes pagam por hora e não por consumo

Comércios oferecem espaços para estudo, trabalho e lazer, além de opções de bebidas e lanches. Consumidor recebe comanda e paga apenas pelo tempo em que permaneceu no local.

Nos últimos dois meses, o Distrito Federal passou a contar com dois estabelecimentos que recebem o nome de "anticafés".

O nome poderia designar um espaço onde público não gosta do tradicional cafezinho mas, na verdade, o sentido é oposto.

Em vez de pagar pelos comes e bebes – como em uma cafeteria tradicional – a ideia é que o cliente seja cobrado pelo tempo passado no local.

Na última quinta-feira (30), o segundo empreendimento desse tipo abriu as portas em Brasília.

Localizado na quadra 708/709 Norte, próximo ao Centro Universitário de Brasília (Uniceub), o Repubblica Anticafé foi inaugurado com a proposta de receber estudantes universitários e profissionais que não têm um ambiente de trabalho fixo.

O espaço, além de explorar o conceito, junta ambientes de coworking, de lazer e, claro, de uma cafeteria.


Ao entrar na loja, o usuário recebe uma "comanda de tempo" e pode servir-se à vontade de café coado e espresso, capuccino, chás, bolos, salgados, biscoitos, cereais e frutas. Na conta, constará apenas o valor das horas em que o cliente ficou no espaço. A primeira hora custa R$ 14,70, e as seguintes, R$ 6,90 cada.

Opções de lanches no balcão do Repubblica Anticafé (Foto: Letícia Carvalho/G1 )

Opções de lanches no balcão do Repubblica Anticafé

Além dos itens disponíveis para consumo ilimitado, o Repubblica também tem no menu opções de cafés especiais e drinks alcóolicos. Há ainda uma pipoqueira, um micro-ondas e uma torradeira disponíveis. Para quem quiser levar a marmita de casa, existe a opção de guardá-la em uma geladeira de uso comunitário.

Responsável pelo projeto, Rainer Ciavolella, de 24 anos, teve a ideia do negócio durante o mestrado de marketing em Roma, em 2016. Segundo ele, o conceito do “anticafé” foi desenvolvido na Rússia.

 

“Minha tese foi sobre como criar um anticafé em Brasília. Meu projeto foi aprovado, recebi uma nota boa, então comecei a animar. Me juntei a dois sócios e demos vida ao negócio.”
Rainer Ciavolella é o idealizador do anticafé inaugurado na Asa Norte, em Brasília (Foto: Letícia Carvalho/G1 )
Rainer Ciavolella é o idealizador do anticafé inaugurado na Asa Norte

Ciavolella cursou administração no Uniceub e, durante o curso, percebeu a carência de locais para reuniões de trabalho e com internet de qualidade na capital. Após ter contato com o modelo de empreendimento na Europa, ele decidiu trazer a proposta para o Plano Piloto.

O Repubblica conta com duas conexões de internet de 120 mega, salas de reunião e de estudo, sofás, televisões, videogame, além de uma programação de cursos e workshops. Em outubro, o anticafé deve abrir uma loja colaborativa com produtos desenvolvidos por empreendedores da Asa Norte.

O subsolo do Repubblica Anticafé abriga mesas de estudo, além de sofás e videogames (Foto: Letícia Carvalho/G1)

O subsolo do Repubblica Anticafé abriga mesas de estudo, além de sofás e videogames

Neste primeiro mês de funcionamento, o local vai operar das 8h às 22h, de segunda à sexta-feira. A expectativa de Ciavolella é abrir o espaço também durante os fins de semana, mas não há previsão.

 

Pioneiro

 

Na quadra da 315 Sul, surgiu o primeiro "anticafé" do Distrito Federal ou, como uma das sócias do local, Juliana Guimarães, prefere definir: a primeira “anticafeteria”.

 

“Na verdade, somos ‘anti’ o modelo de negócio tradicional das cafeterias. A gente ama café, é o que une as pessoas. Criamos um espaço em que o público possa investir o tempo da forma como quiser.”

 

O empreendimento foi inaugurado em 9 de julho com um nome temporário: 55Lab.Store. A ideia era construir a identidade junto com os frequentadores. Após dois meses de convivência, o espaço será batizado.

'A gente ama café, é o que une as pessoas', diz Juliana Guimarães, uma das sócias da 'anticafeteria' inaugurada na Asa Sul, em Brasília (Foto: Bruno Aguiar/Divulgação)

'A gente ama café, é o que une as pessoas', diz Juliana Guimarães, uma das sócias da 'anticafeteria' inaugurada na Asa Sul

“A gente não fez nada sozinho. Descobrimos que a nossa grande identidade é construir a partir da ferramenta do tempo. E percebemos também que somos uma empresa de ‘design de experiências’”, disse Juliana.

O local tem três andares. No primeiro, fica o “experience room” – área onde empresas criativas de Brasília, que comercializam produtos apenas na internet, expõem os itens. O segundo andar abriga um espaço de coworking. No subsolo e na parte externa do prédio ficam a anticafeteria e a ‘co-kitchen’, voltada para os interessados em empreender na gastronomia.

Área externa do 55Lab.Store (Foto: Bruno Aguiar/Divulgação)

Área externa do 55Lab.Store

No 55Lab.Store, a primeira hora sai por R$ 18, e cada período de 15 minutos custa mais R$ 3. Cafés, chás, doces e salgados estão inclusos, assim como o Wi-Fi. Há ainda as opções de diária, pelo custo de R$ 60, e de “happy hour”, com direito a bebidas alcóolicas por R$ 30.

Aos poucos, o negócio começou a atrair também os moradores da quadra e, por isso, têm elaborado oficinas para a comunidade – como a criação de hortas e de um projeto infantil.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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