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INADIMPLENTES: Deputados distritais devem R$ 116 milhões à União, aponta levantamento

Dados obtidos a pedido do G1 são da Procuradoria-Geral da Fazenda. Lista engloba débitos em nome dos distritais ou de empresas ligadas a eles.

Um grupo de cinco deputados distritais acumula uma dívida de pelo menos R$ 116,33 milhões com a União.

 

São débitos em nome deles ou de empresas ligadas aos parlamentares. Isso inclui pendências como atraso em imposto de renda, FGTS não recolhido ou alguma falta com o INSS.


De acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, ligada ao Ministério da Fazenda, 96% dessas dívidas são irregulares – por ainda estarem em aberto.

Feito a pedido do G1, o levantamento consultou a situação dos 24 parlamentares da Câmara Legislativa do Distrito Federal junto à União. Todos os distritais devedores afirmam já estar resolvendo as pendências com o Fisco.


Na prática, alguém que não está com a situação fiscal em dia sofre uma série de empecilhos burocráticos. Fica mais difícil pedir empréstimo, vender ou alugar um imóvel, tirar passaporte, movimentar conta bancária e até mesmo prestar concurso.


Com relação a empresas, as devedoras não conseguem nem mesmo participar de licitações ou firmar algum outro tipo de contrato com órgãos públicos.


Cristiano Araújo

 

O deputado do PSD é quem mais tem dívidas. Só no nome dele, são R$ 46 mil. Além disso, Cristiano Araújo é sócio de duas empresas devedoras: a “Vigilância Patrimonial Armada” (R$ 99,8 milhões) e a “Taif Tecnologia” (R$ 513,76 mil).

O distrital também aparece como “corresponsável” pelas dívidas do “Shopping Península Sul Administração de Lojas”, que chegam a R$ 11,99 milhões.

A corresponsabilização ocorre quando alguém assume a dívida que era originariamente de outro contribuinte. No caso, o montante passa a ser exigível tanto do devedor original quanto do devedor corresponsável.

Veja pendências relacionadas ao deputado Cristiano Araújo (Foto: Arte/G1)
Veja pendências relacionadas ao deputado Cristiano Araújo

A assessoria de imprensa do deputado informou que ele possui uma “certidão positiva com efeitos de negativa” – uma espécie de nada consta. Em relação à Vipasa, ele afirmou ter sido sócio por apenas quatro meses, para compor sociedade minoritária com o pai já falecido. Deixou a sociedade em janeiro de 2010.


“O patrimônio (espólio) dessa empresa foi deixado por seu pai, falecido em março de 2016. O espólio irá responder por todas as dívidas do pai falecido ou por qualquer ação, que seja de sua responsabilidade civil.”


Sobre a Taif, ele afirma ter deixado de ser sócio minoritário em janeiro de 2011, quando a empresa encerrou as atividades. Os débitos com fornecedores são questionados na Justiça. “A empresa também era do pai dele. O espólio também irá responder por todas as dívidas.”


Com relação ao terreno Shopping Península Sul, era do pai dele e foi vendido pelo distrital para quitar dívidas trabalhistas. “O deputado Cristiano desconhece que tenha assumido dívidas que chegam a esse valor. Ele nunca teve relação com esse empreendimento.”

Veja os débitos relacionados a Liliane Roriz (Foto: Arte/G1) 
Veja os débitos relacionados a Liliane Roriz 

 

Liliane Roriz

 

Em segundo lugar na lista, a distrital do PTB é sócia de três empresas que devem juntas R$ 3,91 milhões à União. A “Ki-boi Agropecuária” acumula débitos de R$ 1,13 milhão.

A “Distribuidora de Cevada Gama” tem dívida de R$ 589,98 mil. Já a “Agropecuária Palma” aparece com R$ 2,18 milhões devidos.

Desse total, 47% são considerados débitos em situação irregular. Isso quer dizer que ainda estão em aberto e não estão sendo renegociados ou questionados – seja na própria Fazenda ou na Justiça.


Em nota, a assessoria de imprensa da deputada Liliane Roriz informou que desde que ela entrou para a política, não participa da gestão das empresas. “Portanto, não tem conhecimento do assunto.”

Veja as pendências relacionadas ao deputado Juarezão (Foto: Arte/G1) 
Veja as pendências relacionadas ao deputado Juarezão

Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o deputado do PSB deve R$ 28,7 mil à União. Este débito – impostos atrasados em geral – também é considerado irregular.

Procurada, a assessoria do deputado informou que ele não recebeu nenhuma notificação a respeito dessa dívida. “Se de fato existir, deve negociar a regularização o mais breve possível.”

Entenda os débitos relacionados a Rodrigo Delmasso (Foto: Arte/G1) 
Entenda os débitos relacionados a Rodrigo Delmasso

 

Rodrigo Delmasso

 

O distrital do Podemos aparece como sócio da “Reobote Moda Infanto Juvenil”, que deve R$ 13,75 mil. Cerca de 40% desse montante são só de dívidas com a Previdência. O restante representa atraso de impostos federais em geral, como IPI ou mesmo imposto de renda. Esses débitos são considerados “irregulares”.

Ao G1, o distrital afirmou que a empresa é da sogra dele. “Eu era sócio minoritário e estamos em processo da minha saída. A dívida deve-se a problemas financeiros que a empresa passou, mas está se recuperando e está em processo de negociação para quitar.”

Veja as dívidas relacionadas a Celina Leão (Foto: Arte/G1)

Veja as dívidas relacionadas a Celina Leão (Foto: Arte/G1) 

Veja as dívidas relacionadas a Celina Leão

Celina Leão

A ex-presidente da Câmara Legislativa deve R$ 10,86 mil à União. A assessoria da deputada informou que o montante é referente a imposto de renda, que já foi renegociada no Refis e está sendo paga.

 

Fonte: *Por:Gabriel Luiz/G1/Clipping

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