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SAÚDE DOS PROFESSORES: Média de atestados médicos é de 93 ao dia na rede pública de Educação

A média diária de atestados médicos apresentados pelos profissionais da rede pública de ensino cresceu em comparação ao ano passado.

 

Neste ano, foram 93 perícias médicas por dia na Secretaria de Educação. Se até o fim de 2017 a média continuar, serão 34.055 atestados, representando aumento de 3,65% em comparação ao ano passado.Resultado de imagem para pericia medico para professores df

 

Desde 2015, 20 processos administrativos foram elaborados com a sugestão de demissão de servidores, sendo 11 por faltas injustificadas e quatro por atestados falsificados.


Segundo informações da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), em 2016 foram homologadas 32.854 licenças médicas na Subsaúde de servidores da Secretaria de Educação. A média foi de 90 atestados por dia. Desse número, 28.204 foram para tratamento da própria saúde do servidor.

Classe doente

A professora Silvana Soares, 50 anos, que trabalha há 18 anos na área, faz parte da estatística. Há 15 dias ela foi agredida por um aluno que tem deficiência, e desde então apresenta sequelas físicas e psicológicas. “Ele é aluno de uma amiga. O menino teve um surto e eu fui ajudá-la, só que nós duas apanhamos. Depois disso eu me senti um nada, impotente. De lá para cá, estou só piorando: pressão alta, peguei uma gripe, dor de cabeça tremenda, isso me afetou completamente”, conta.


Para Silvana, os professores representam somente um número diante do governo. “Ninguém quer saber se você está bem. Os professores estão muito doentes – o emocional, o físico, tudo”, critica. Ainda segundo a docente, as condições de trabalho estão péssimas. “Salas lotadas, não tem estrutura para trabalhar. Eu lido com ensino especial, e a escola não tem um ambiente adequado para atendê-los”, afirma ela.


Colega de profissão, Antonio Victor, de 58 anos, que faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico há dois anos. Ele relata ter percebido que entrou em depressão depois que, em uma atividade em sala, um aluno do 9º ano disse que não sabia ler. “Eu comecei a chorar dentro de sala de aula, porque não podia reter nem retroceder essa aula. Isso porque o governo quer estatística, números, quer mostrar ‘aprovamos tantos no vestibular’”, desabafa.


Além do descaso estrutural, Antonio alega que os estudantes estão cada vez mais mal-educados. “O aluno não respeita mais o professor. Você perde mais ou menos 15 minutos de aula para tentar acalmá-los. Eu já pedi ‘por favor, pelo amor de Deus, deixa eu ensinar o que seu sei para vocês’. Eu entro na sala de aula como uma pessoa chata para eles”, lamenta. Atualmente, o docente saiu de sala de aula e desempenha outras funções.

‘Corpo dá sinais de cansaço’

Com 25 anos de carreira, Doralina de Carvalho Costa, 46, teve a primeira crise de dor no braço em 2002. No entanto, foi no ano passado que a situação se agravou. “É por conta de escrever no quadro. Tem crise em que eu nem consigo pentear o cabelo. Agora, escrevo no quadro só o mínimo”, aponta.


Para Doralina, as doenças são um acúmulo de vários anos de serviço. “Tem hora que o corpo não aguenta e dá os sinais de cansaço. Quando vão falar da educação é uma falta de demérito muito grande”, alega. “É comum ouvir relatos de colegas com crise de pânico, depressão. Falta um olhar mais atencioso do governo à educação e respeito por parte da população”, conclui. (Colaborou Jéssica Antunes)

PONTO DE VISTA

O Governo do DF não possui nenhum tipo de política pública voltada para a saúde dos trabalhadores. É o que aponta o diretor do Sindicato dos Professores Polyelton de Oliveira. Para ele, este é o fator mais grave e que colabora para o adoecimento da classe. “Se existe um número grande de atestados, a culpa não é do servidor, não é da sociedade, mas quando ele adoece o Estado sequer olha para ele, só penaliza e prefere falar do número exagerado de atestados médicos”, comenta.

Ainda segundo Polyelton, é preciso destacar que nos últimos anos a rede pública de ensino absorveu mais alunos. “Só que nenhuma escola foi construída nos últimos três anos, nenhuma sala de aula foi erguida. Para onde foram esses alunos? Foram para as salas que já estão superlotadas”, critica o diretor.


Assim como os professores abordaram, Polyelton afirma que falta ao governo enxergar a raiz dos problemas. “Temos um grande número de professores que têm diversas síndromes. Mas o Estado não olha para esse servidor como ser um humano, que é passível de doenças, que precisa de cuidados, e com tudo isso gera um grande número de adoecimentos. O governo pensa que os números são importantes, mas eles não são essenciais. O essencial é o cuidado com o ser humano”, conclui.

 

Fonte: *Por:Raphaella Sconetto/JBr/Clipping

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