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"AUMENTO NO ENSINO": Mensalidade escolar pode subir mais de 12 por cento na capital federal

Por ser uma prioridade, muitos pais se sentem reféns da situação, até porque não dá para mudar um filho de escola a cada reajuste.

Com um aumento de mensalidade maior que o acumulado da inflação nos últimos meses, que ficou em 3%, a educação vai tomar um pedaço ainda maior do orçamento familiar.

 

A estimativa de aumento das escolas particulares varia de 5,5% até 12% na Grande Brasília.

O jeito é "segurar as pontas e cortar o que for possível".

 

E é essa a receita que a economista Franceni Machado, 44, segue nos últimos anos. “Não posso condenar o futuro dos meus filhos. É com ele (estudo) que eles terão portas abertas”, afirma a mulher que tem três filhos, dois deles ainda na rede particular, sendo um de quatro anos no ensino infantil e uma adolescente de 15 anos.


Além da mensalidade, o valor pago em materiais escolares e apostilas é preocupante para a economista. Só neste ano, ela pagou R$ 2 mil em apostilas para a filha que está no ensino médio. Para o filho caçula, todo o material de escola custou quase R$ 1,5 mil. Com esses gastos, viagens ao exterior e trocas de aparelhos eletrônicos e celulares foram descartadas do orçamento atual. Tudo a favor da educação que ela considera a melhor.

Arrocho de todo lado

Na escola onde os filhos de Franceni estudam, o aumento deve ficar em torno de 10%. Valor que não surpreendeu o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (ASPA-DF), Luís Cláudio Megiorin, já que as estimativas

levantadas pela instituição falam de reajustes que podem chegar a 12%. “É um arrocho para todos os lados”, afirma o presidente da Aspa-DF ao lembrar que nem o salário mínimo nem a inflação tiveram aumentos tão grandes como esse. O resultado seria um desequilíbrio no orçamento familiar.


De acordo com Megiorin, o aumento de 9% a 12% feito do ano passado já desagradou bastante os pais. Mas houve escolas que sofreram, na matrícula, reajuste de 19%. Para ele, é preciso que os pais se organizem e peçam diminuição nos valores cobrados pois isso é um direito deles e, em último caso, mudar de instituição de ensino.

“O gestor da escola privada tem que ter responsabilidade social. A escola não é uma questão de marca. Não é como uma marca de sabão em pó que você vai no mercado e se a que você gosta de comprar está cara, você compra outra. Essas mudanças envolvem emoção, adaptação e respeito ao aluno”, completa Megiorin.

Escolas têm liberdade para fixar os aumentos

O advogado do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF), Valério Alvarenga, assegura que o reajuste tem relação direta com os gastos das instituições e que todos tem uma explicação lógica pois não são feitos para obter lucros excessivos. Ele explica que o Sindicato não reconhece os reajustes divulgados por outras organizações, já que isso é definido em cada escola. além disso, o sindicato não interferiria nessas variações.

PONTO DE VISTA

  • Para o advogado Maxmiliam Patriota, especialista em direito do consumidor, como não há nenhuma legislação que delimite esses reajustes, as escolas, na prática, tem total liberdade para modificar os valores. A lei de mercado que definiria os limites para esses valores.
  • Se alguém desejar refutar esses valores pode conversar com a escola e, se não surtir nenhum efeito, pode entrar com uma ação na justiça para obrigar a instituição a prestar contas.
  • Mas ele alerta: “Esse é um procedimento demorado e que não é garantido”. A explicação é que as escolas podem alegar que a inflação, salário dos funcionários, aluguel, entre outras coisas, fizeram o aumento ser atingir esse nível.

 

Fonte: *Por:João Paulo Mariano/JBr/Clipping

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