compartilhar

KRIPTACOIN: Ex-advogados estão entre denunciados pelo Ministério Público do DF

João Paulo Todde Nogueira e Érico Rodolfo foram denunciados por obstrução de justiça. Carro de luxo de dono do esquema estava em escritório antes de apreensão; advogados dizem que não foram notificados e que 'não houve ocultação' de provas.

Os ex-advogados da Kriptacoin, moeda virtual falsa comercializada em esquema de "pirâmide financeira", estão entre os acusados pelo Ministério Público do Distrito Federal de colaborar com o funcionamento da organização criminosa.

Segundo fontes da TV Globo, João Paulo Todde Nogueira e Érico Rodolfo, foram denunciados por obstrução de justiça.

Eles negam.

De acordo com as investigações, os advogados teriam pedido a retirada de um carro de luxo comprado por um dos donos da Kriptacoin do escritório, no Lago Norte, no dia em que a Polícia Civil desarticulou o esquema no Distrito Federal e em Goiás, na última quinta-feira (21).

Desde então, 11 pessoas estão presas e duas, foragidas.

Todde disse ao G1 que o processo é sigiloso e que, até a publicação desta reportagem, não havia recebido qualquer notificação. "Não fomos notificados, não houve publicidade, nem recebemos o processo", afirmou por telefone. "Eu sei, porque estivemos no tribunal [8ª Vara Criminal de Brasília] desde cedo ontem e o magistrado não se debruçou sobre esse processo." (Veja nota completa ao final da reportagem).

KRIPTACOIN

O carro, uma Lamborghini, foi apreendido no dia seguinte na BR-060, em trecho próximo a Anápolis (GO). O motorista não foi preso ou apontado como suspeito na Operação Patrik. Segundo a polícia, o veículo foi comprado por R$ 1,8 milhão de uma revendedora com sede em Goiânia.


Polícia Civil cumpre mandados de prisão e busca e apreensão em casa de donos da empresa Kriptacoin, em Vicente Pires, no DF (Foto: Guilherme Timóteo/TV Globo)
Polícia Civil cumpre mandados de prisão e busca e apreensão em casa de donos da empresa Kriptacoin, em Vicente Pires

 

Carro fantasma

 

Fontes ouvidas pela TV Globo disseram que o carro de luxo estava no estacionamento do escritório Todde Advogados & Consultores Associados havia uma semana quando a operação da polícia foi deflagrada.

 

Na quinta, após ser informado sobre a operação, o advogado Todde, que não tinha as chaves da Lamborghini, teria ligado para a revendedora para que o automóvel fosse removido.

Ainda segundo as fontes, ele se apresentou ao juiz da 8ª Vara Criminal do DF junto ao sócio Érico Rodolfo e confirmou o pedido de transporte do carro de luxo. Ao G1, Todde explicou que o carro foi deixado no escritório na segunda-feira anterior à operação, dia 18 de setembro, após um evento social.


O cliente da Kriptacoin que dirigia a Lamborghini teria ido embora de Uber, porque estava "embriagado", e ficou de buscar o carro em outro dia, o que não ocorreu. Segundo Todde, na quinta-feira, ele foi acordado às 6h30 com mensagens sobre a operação e foi o sócio quem ligou para o cliente para "saber sobre o carro".

"Não houve ocultamento. No mesmo dia, fizemos uma nota de esclarecimento, sem sermos provocados. Fomos à 8ª Vara Criminal conversar com o magistrado e, no dia seguinte, ao Ministério Público." No mesmo dia, os advogados abriram mão da defesa dos donos da Kriptacoin.

Sobre a denúncia, o João Paulo Todde disse ao G1  que "é falta ética, moral e de habilidade do MP se tiver ofertado a denúncia no mesmo ato, porque faz parecer que somos partícipes desses denunciados, o que demonstra clara e evidente falta de cautela."

 

Dinheiro em carros

 

A Kriptacoin chegou a movimentar R$ 12 milhões por mês, segundo fontes da Justiça ouvidas pela TV Globo. Parte do dinheiro foi usado para a compra de cinco carros de luxo – duas Ferraris, duas Mercedes e uma Lamborghini – além de um avião, por R$ 3,6 milhões.

Foto de um dos donos da Kriptacoin com o avião comprado com dinheiro do esquema de 'pirâmide financeira' (Foto: Instagram/Reprodução)
Foto de um dos donos da Kriptacoin com o avião comprado com dinheiro do esquema de 'pirâmide financeira'

Durante a Operação Patrik, que prendeu 11 suspeitos de participar do esquema, foram apreendidos R$ 400 mil em espécie – lavagem de dinheiro por meio de empresas "laranjas" está sendo investigada.

Em vídeo obtido pela TV Globo, a dupla apontada como dona da empresa está dentro de uma Ferrari e exibe o carro. Logo atrás, aparecem duas Mercedes, que um dos homens diz ser das respectivas mulheres. Ao final do vídeo, ele diz:

 

"Isso é Wall Street Corporate."

Donos da empresa Wall Street Corporate gravam vídeo para mostrar compra de carro de luxo
Donos da empresa Wall Street Corporate gravam vídeo para mostrar compra de carro de luxo

 

O que dizem os ex-advogados

 

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do escritório Todde Advogados & Consultores Associados disse:

"O escritório Todde Advogados & Consultores Associados, com mais de 400 clientes ativos e dez anos de atuação reconhecida em nível nacional, vem esclarecer que realiza seu trabalho sempre pautado pela ética e profissionalismo, dentro dos limites legais.

Episódios recentes referentes a clientes atendidos pelo escritório não devem configurar qualquer outra relação que não a de advogado/cliente, inexistindo qualquer vínculo além do restrito exercício da advocacia.

Comumente são realizados eventos sociais na sede do escritório para os quais todos os clientes são convidados. Entretanto, a participação de assessorados juridicamente nesses encontros, não devem configurar qualquer outro vínculo se não o profissional.

Certo da isenção que sempre pauta as atividades deste escritório, informamos que todos os fatos foram esclarecidos junto às autoridades competentes para que não pairem quaisquer dúvidas sobre a idoneidade da conduta profissional do nosso corpo de advogados.

Sendo assim, a Todde Advogados & Consultores Associados não possui qualquer relação contratual e mantendo-se em perfeita consonância com a conduta ética da advocacia e o sigilo profissional, não poderá tratar de assuntos que envolvam a investigação e ou possuam relação pelo período em que atuou por seus clientes."

 

Fonte: *Por Luiza Garonce e Mara Puljiz/G1/Clipping

COMENTÁRIOS