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MOBILIDADE: Servidores do GDF faturaram R$ 200 mil com propina para liberar ônibus

“A propina é algo tão enraizado no setor de transportes, que as cooperativas já separavam dinheiro todo mês só para pagar”, disse delegado

Os dois servidores da Secretaria de Mobilidade presos em operação da Polícia Civil e Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF), nesta quinta-feira (5/10), receberam em apenas um ano R$ 100 mil de propina, cada um, para fazer vista grossa e liberar ônibus sem fiscalização, segundo as investigações.

 De acordo com a polícia, quem estava regular também pagava para os fiscais aumentarem a fiscalização contra os concorrentes irregulares.

A cobrança da propina ocorria em duas fases e era feita por dois grupos independentes. A primeira,  para conseguir o selo de vistoria. 

O promotor Fábio Nascimento em entrevista (Foto: TV Globo/Reprodução)

O promotor Fábio Nascimento em entrevista

 

Fraude flagrada pela Operação Cheklist. A segunda, alvo da ação desta quinta, ocorria nos terminais. Os fiscais cobravam de R$ 25 a R$ 35 por ônibus para fazer vista grossa diante das irregularidades e não lacrar os veículos das cooperativas.

“Os cooperados falaram que não aguentavam mais pagar tanta propina. Eles chegavam a barganhar para diminuir as taxas cobradas pelos auditores”, disse o promotor Fábio Nascimento. Duas cooperativas foram citadas nas investigações: Cootarde e Coopatag.

 

 

Os valores eram pagos todas as sextas-feiras. “A propina é algo tão enraizado no setor dos transportes, que as cooperativas já separavam um dinheiro todo mês só para fazer esses pagamentos”, afirmou o delegado-adjunto da Divisão Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), Virgílio Agnaldo Ozelami.

Além dos pagamentos no terminal do Gama, a polícia acredita que façam parte do esquema servidores de outros terminais. As principais irregularidades dos coletivos eram falhas nos tacógrafos e problemas em elevadores para deficientes. De acordo com as investigações, a cobrança de propina continuava mesmo após a operação Checklist, só que “de forma mais tímida”.

Trecho do pedido do MP à Justiça

Segundo o delegado, mesmo as propinas sendo altas, para as empresas era um “bom negócio” pois elas tinham interesse em manter o maior número de ônibus rodando a qualquer custo: “Um ônibus que fica por uma semana na oficina faz com que a empresa arrecade menos”, explicou.

Um dos presos é o auditor Pedro Jorge Oliveira Brasil (foto de destaque), que trabalhava no terminal do Gama. O Metropoles apurou que a prisão dele é decorrente de um depoimento prestado na Operação Checklist. Ele foi apontado como líder do esquema. Aos jornalistas, Pedro Jorge disse que sofre perseguição política.  Foram presos ainda Cláudio Marcello Oliveira Pinheiro, servidor da Sufisa; Robson Medeiros de Morais, coordenador de cooperativas;  e Marlene Francisca Avies Chagas, da Cootarde.Entrada da Rodoviária do Gama (Foto: Google/Reprodução)

Também foram interceptadas conversas, com autorização judicial, mostrando a negociação para o pagamento da propina. Há indícios de que a corrupção praticada pelos servidores também envolvia a fiscalização de transporte pirata. Os suspeitos poderão responder por corrupção ativa, passiva e organização criminosa.

CheckList
A operação Checklist foi deflagrada em 1º de setembro contra irregularidades no transporte, principalmente rural, envolvendo servidores da secretaria e cooperativas. Segundo as investigações, os servidores pediam propina para liberar o Selo de Vistoria, que autorizava os veículos a rodar.

O documento indicava que o ônibus estava com pneus, óleo, freios, catracas e motor em boas condições, mesmo não sendo verdade, colocando a vida dos passageiros em risco. Em troca, recebiam dinheiro e até carros. Um cofre também foi apreendido e levado para a Corf.

O delegado Virgílio Ozelami em entrevista (Foto: TV Globo/Reprodução)

O delegado Virgílio Ozelami em entrevista

 

Entre os alvos da primeira fase da Checklist estava o ex-policial militar Valdir Luiz de França, conhecido como Valdizão. De acordo com a polícia, ele seria responsável por uma cooperativa e pagava propina para poder circular. Também entraram na mira das investigações o diretor da Coopertran, Marcus Vinicius Lobo, e o motorista Weber de Jesus.

Em nota, a Secretaria de Mobilidade afirmou que tem atuado no sentido de moralizar e combater todo e qualquer tipo de ilegalidade no sistema de transporte. “Nesse sentido, tendo recebido denúncia sobre eventuais irregularidades no procedimento de vistoria, a pasta comunicou o fato à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para que estes fossem apurados”, destacou.

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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