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CORRUPÇÃO DISTRITAL: Tribunal de Contas encontra mais desvios em obras do Mané Garrincha, um prejuízo de R$ 291 mi

Valor se refere apenas à terceira etapa de auditoria do órgão. Há irregularidades até em transporte de entulho

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) concluiu a análise da Etapa 3 da auditoria que apura desvios de recursos na obra do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

A investigação abrange o período entre julho de 2011 e dezembro de 2012, e indica um prejuízo aos cofres públicos de R$ 291,1 milhões.

 

A inspeção das fases 1 e 2 – que examinou contratos da arena de julho de 2010 a junho de 2011 – já havia apontado prejuízo ao erário de R$ 67,7 milhões.

A Etapa 4, que ainda não foi julgada, estima outro rombo, de R$ 106 milhões.

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Na auditoria mais recente, os servidores descobriram diversas irregularidades que elevaram o valor da arena. Em um dos contratos, descobriu-se preços incompatíveis de viagens de caminhões com entulho.

O cálculo que leva em conta peso, distância percorrida e velocidade média do veículo era mais inflado do que a média de mercado. Somente com transporte supostamente indevido, houve rombo de R$ 7,8 milhões.


Até na demolição da antiga estrutura há suspeita de super-faturamento.

O relatório do TCDF mostra que foram gastos R$ 3,5 milhões desnecessariamente com a derrubada de concreto armado, um sobrepreço 290,6% em relação ao custo contratado.

 

Outra irregularidade que veio à tona durante a construção da arena mais cara da Copa do Mundo 2014 foi a falta de profissionais em diversas etapas da obra. A ausência de engenheiros, pedreiros, técnicos e outros trabalhadores provocou atraso no cronograma e prejuízo ao erário. Na descrição do contrato, a mão de obra era suficiente, mas, na prática, havia número reduzido de pessoal: ou seja, o governo teria pagado R$ 28 milhões inutilmente.


Resultado de imagem para tcdfO pente-fino feito pelos técnicos do Tribunal de Contas do DF revelou ainda gastos exorbitantes de aditivos.

Segundo o relatório, eles foram impertinentes e incompatíveis com os praticados no mercado. Somente a contratação de ferramentas consumiu R$ 24,2 milhões a mais do que o previsto inicialmente.


As maracutaias não pouparam nem as estruturas metálicas e os pré-moldados do estádio, onde é possível que o governo tenha pagado ao consórcio formado pela Andrade Gutierrez e a Via Engenharia mais de R$ 25 milhões por materiais jamais empregados na obra.

Avalanche de denúncias
Inaugurado em 2013, quando recebeu sua primeira partida oficial, e alvo de uma avalanche de denúncias investigadas pela Operação Lava Jato, o Estádio Mané Garrincha não está 100% pago.

A fatura, que passa de R$ 1,5 bilhão, pode ser acrescida de mais R$ 12 milhões.

Segundo informou a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) à Polícia Federal, existem três contratos em aberto, com restos a pagar, referentes à obra da arena brasiliense. Isso significa que a sangria nos cofres públicos não está estancada.

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Essa gama de problemas motivou a Operação Panatenaico, da Polícia Federal. Em 23 de maio, foram presos os ex-governadores José Roberto Arruda (PR), Agnelo Queiroz (PT), o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e mais sete pessoas.

 

Entre elas, o dono da Via Engenharia, Fernando Queiroz, e ex-gestores da Novacap e da Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap). Todos foram soltos em 31 de maio, por determinação do desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Defesa
O TCDF intimou dezenas de pessoas citadas na auditoria como responsáveis pelos supostos desvios.

Elas têm 30 dias para apresentar defesa.

Resultado de imagem para maruskaEntre os que foram requisitados pelo Tribunal está a ex-presidente da Terracap, Maruska Lima de Souza Holanda, servidores à época do alto escalão da Novacap e responsáveis pelo consórcio responsável por erguer a praça desportiva.

 

Fonte: *Via Metropole/Clipping

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