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HOME-OFFICE: Em Brasília, 500 servidores dão expediente de casa na modalidade

Órgãos como o TST, a PGR, o MP-DF e o TJ-DF aderem à iniciativa conhecida também como home office. Adeptos apontam benefícios e problemas

O teletrabalho – ou home office – já é uma realidade no Brasil. Segundo um levantamento feito pela SAP Consultoria com 300 empresas de diversos setores em todo o país, 37% já adotam a prática de permitir que funcionários deem expediente em casa.

 

O estudo afirma que a maioria das empresas percebe aumento da satisfação e do engajamento dos colaboradores e considera que o método é uma forma de enfrentar a crise econômica.

Se engana, no entanto, quem pensa que a modalidade só existe na iniciativa privada.

 No Distrito FEderal, cerca de 500 servidores públicos também aderiram ao modelo.

 Órgãos como a Procuradoria Geral da República (PGR), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) são exemplos de locais que estimulam a prática.

E a tendência é de ampliação do programa em toda a administração pública. Segundo os empregadores, além de motivar o colaborador, o sistema diminui custos e aumenta a produtividade.

Na administração local, apenas um órgão permite hoje que servidores trabalhem de casa: o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran). A medida foi inserida em janeiro deste ano por meio de projeto-piloto. Atualmente, quatro funcionários realizam suas atividades em home office.


Um deles é a técnica de trânsito Aline Gonçalves (foto em destaque abaixo), 30 anos, que ingressou no Detran em 2013 e aderiu ao teletrabalho em julho deste ano.

A função da servidora é analisar recursos de motoristas que cometeram infrações de trânsito. Ela assegura que o serviço pode ser feito até melhor de casa.

“Atualmente, trabalho cerca de cinco horas por dia e consigo bater todas as minhas metas, que são ainda maiores em relação ao período em que estava no espaço físico do Detran-DF”, afirma Aline.

A servidora diz ainda que não tem nenhum arrependimento quanto à mudança. “O home office traz muitos benefícios. Você não fica preso a horários específicos todos os dias, trabalha quando achar melhor de acordo com a rotina. Tem ainda a economia de não gastar combustível nem pegar trânsito. Isso é muito confortável. Até para os cofres públicos fica mais barato, já que a gente gasta menos”, finaliza.

De acordo com o Detran, somente servidores da Gerência de Registro e Controle de Penalidade estão autorizados a participar do teletrabalho, principalmente por conta do grande acúmulo de processos na área.

A restrição também está relacionada ao fato de o home office só ser permitido em atividades que possam ser realizadas a distância.

Quem adere a essa modalidade tem metas de desempenho 15% superiores àqueles que atuam no espaço físico do órgão. Segundo o Detran-DF, há expectativa de que mais três pessoas sejam incluídas no programa nos próximos dias.

Já de acordo com o GDF, “o trabalho em regime de home office é um projeto-piloto aplicado a servidores do Detran e não há, até o momento, solicitações de outros órgãos para que os seus respectivos quadros funcionais também tenham acesso ao benefício”.

Judiciário e MP
Afora do Poder Executivo local, servidores do Distrito Federal lotados no Judiciário e em órgãos de controle também têm direito a atuar de casa, tanto em entidades locais quanto nacionais. O Ministério Público (MP-DF) possui cerca de 80 membros na modalidade, enquanto no Ministério Público do Trabalho no DF e Tocantins (MPT-DF/TO), 16 realizam suas atividades em home office.

Já no Tribunal de Justiça (TJ-DF), são 138 trabalhadores que aderiram à iniciativa.

Um deles é a técnica judiciária Natália Iryoda, 34 anos, lotada no cartório de uma das varas da Corte. Servidora do tribunal há cerca de sete anos, ela participa desde o projeto-piloto, iniciado há cerca de um ano e meio. Só vai ao TJ-DF uma vez por semana, para realizar atividades que precisam ser feitas fisicamente.

Natália afirma que se interessou pelo projeto pelos benefícios de diminuição de custos e horário flexível. Para a servidora, a experiência até agora tem sido positiva, mas a modalidade já a fez trabalhar mais do que antes. “Como a gente não tem uma jornada bem definida, estamos sempre à espera de demandas. Não é como se estivesse no tribunal e pudesse me desligar de tudo assim que acabasse o expediente”, explica.


Arquivo pessoal

Regina Bueno: possibilidade de cuidar do filho, que tem necessidades especiais

A reclamação é a mesma feita pela analista de gestão pública Regina Bueno, da Procuradoria-Geral da República. Servidora do órgão desde 2005, ela adotou o home office há dois meses para poder passar mais tempo com o filho, que tem necessidades especiais. Mas ela ainda não conseguiu se organizar para não trabalhar em excesso.

Como comecei há pouco tempo, estou aprendendo a me disciplinar. Sem um horário definido, acabo fazendo mais do que se estivesse trabalhando na sede. Mas no fim das contas, a experiência é positiva, porque posso passar mais tempo com o meu filho"
Regina Bueno, servidora da PGR

Na PGR, em Brasília, cerca de 140 pessoas aderiram ao teletrabalho. Segundo a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que regulamenta a modalidade, terão prioridade no processo de seleção servidores do Judiciário com deficiência ou filhos e cônjuges nessas condições; gestantes ou lactantes; e quem demonstrar comprometimento e habilidades de organização.

Arte/Metrópoles

 

Fonte: *Via Metropole/Pedro Alves/Clipping/Fotos:Ricardo Botelho/Felipe Menezes/Michel Melo

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