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DESVIO DOS TEMPOS DE AGNELO: Polícia Civil faz operação contra esquema de corrupção na FAP

Operação mira suspeitos de irregularidades em convênio firmado entre a entidade e o Instituto de Estudos e Projetos de Interesse Social

Nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (18/10), policiais da Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco) deflagraram uma operação que investiga desvios de R$ 2,5 milhões da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP), durante a gestão de Agnelo Queiroz (PT).

Estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão.

 

O alvo é uma empresa de consultoria.

De acordo com as investigações, os suspeitos simulavam os serviços e desviavam 100% dos valores pagos pelos cofres do GDF.

 

No Distrito Federal, os mandados de busca estão sendo cumpridos no Lago Sul, Sudoeste e Núcleo Bandeirante. Os policiais também estão em endereços de Goiânia (GO).


Por meio da Operação Campo Novo, nome dado em referência ao estádio do Clube Barcelona, o Camp Nou, os investigadores da Deco buscam documentos, computadores, pendrives e arquivos que confirmem o desvio.

De acordo com a delegacia, o suposto esquema envolve um contrato firmado entre a FAP e o Instituto de Estudos e Projetos de Interesse Social (EPIS). A parceria teria feita para que particulares desviassem dinheiro público, por meio da subcontratação ilegal de outras três empresas.

 

Levantamentos feitos pela Controladoria do Distrito Federal apontaram outras irregularidades e evidências de que os serviços não foram prestados, conforme previa o contrato. De acordo com a Deco, um secretário, um subsecretário e o presidente da FAP, localizada no Setor Bancário Norte, participaram do esquema. “Em pouco mais de um mês, o dinheiro (R$ 2,5 milhões) sumiu das contas em que foi depositado”, destacou o delegado-chefe da Deco, Luiz Henrique Dourado.


Segundo Dourado, consta em uma das páginas do inquérito policial instaurado pela Polícia Civil para investigar o esquema uma fotografia do subsecretário (nome não revelado) abraçado com um dos ganhadores da licitação do convênio em frente ao estádio Campo Nou, gastando o dinheiro desviado

A operação investiga crimes de associação criminosa, peculato, dispensa indevida de licitação, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, que teriam sido cometidos pelos suspeitos. Ao todo, a Deco mobilizou 30 agentes, cinco delegados e cinco escrivães de polícia na ação desta quarta e conta ainda com o apoio da PCDF de Goiânia.

Operação Firewall
Os desvios na FAP tornaram o deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) réu na Justiça. Em março deste ano, por 17 votos a dois, os desembargadores do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) aceitaram denúncia contra o parlamentar pelo crime de fraude à licitação.

O esquema começou a ser investigado pela Deco em 2012, por meio Operação Firewall II. As apurações indicaram que servidores da FAP direcionaram ao menos três licitações.

O esquema teria começado em 2009, a partir de recursos destinados pelo governo ao Programa "DF Digital".

Entre outras denúncias, o grupo é acusado de ter fraudado um edital de R$ 5 milhões para o desenvolvimento de pesquisas no mercado de micro e pequenas empresas da Grande Brasília.

O convênio teria sido direcionado para que a Associação Comercial do DF (ACDF) saísse vencedora.

As investigações descobriram ainda que a FAP teria ignorado critérios para distribuir 21 bolsas de estudos de até R$ 4 mil para a elaboração de um trabalho de pesquisa com empreendedores individuais. Os selecionados precisavam ser escolhidos pelo currículo, mas as denúncias indicaram que eles não tinham experiência com pesquisas.

 

Fonte: *Carlos Carone/Mirele Pinheiro/Fotos:Michel Melo/Metropole/Clipping

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