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MÁFIA DAS FUNERÁRIAS: Polícia Civil prende mais um suspeito de integrar grupo que extorquia dinheiro de famílias de mortos

Homem se apresentou e disse estar disposto a colaborar com investigações; ele deve ficar detido por cinco dias. Operação Caronte investiga grupo suspeito de extorquir dinheiro de famílias de mortos.

Policiais civis prenderam, nesta quarta-feira (1º), mais um suspeito de integrar a "máfia das funerárias" investigada pela operação Caronte.

Segundo a corporação, o homem estava foragido desde a última semana, quando a ação foi deflagrada.

De acordo com o inquérito, o suspeito atuava com agente funerário nas empresas investigadas – que passavam à frente do Instituto Médico Legal (IML), abordavam famílias de mortos e cobravam até R$ 8 mil para emitir atestados de óbito (que são gratuitos pela via oficial) e realizar os funerais.

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Na manhã desta quarta, o homem se apresentou à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que apura o esquema, e manifestou interesse em colaborar com as investigações.

Mesmo com a atitude, ele foi detido e deve permanecer na carceragem da corporação pelos próximos cinco dias.

Até a tarde desta quarta, dois agentes funerários ainda estavam foragidos. Ao todo, 12 pessoas são investigadas e tiveram mandados de prisão expedidos na última quinta (26).

 

Nesta terça (31), a Justiça do DF converteu a prisão temporária de 10 detidos em prisão preventiva, sem tempo determinado.

Entre os alvos da operação Caronte estão empresários e um médico dono de uma clínica em Formosa, no Entorno. Um vigilante do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) também foi alvo de mandado de prisão temporária, acusado de repassar informações sobre mortes na unidade para os integrantes do esquema.

O esquema

Túmulos no cemitério de Taguatinga (Foto: Gabriel Luiz/G1)

 

De acordo com as investigações, o grupo cobrava entre R$ 1,5 mil e R$ 8 mil por atestados de óbito. O golpe acontecia porque os suspeitos simulavam ser do Instituto Médico Legal (IML).

Entre os que seguem detidos estão empresários, um médico dono de uma clínica em Formosa, no Entorno, e um vigilante do Hospital Regional de Taguatinga (HRT).


Segundo investigação da polícia, os empresários e funcionários de funerárias copiavam a frequência do rádio da Polícia Civil para chegar na frente dos servidores do IML.

Quando alguém morria por morte natural, por exemplo, antes mesmo da chegada do carro de recolhimento dos corpos, conhecido como “rabecão”, eles faziam contato com familiares e se passavam por agentes públicos de captação de órgãos.


"Por meio dos contatos [com as famílias], os criminosos informavam sobre suposta parceria para atestarem o óbito fora do IML, alegando que o processo seria mais rápido e “menos doloroso”. Para completar o golpe, as funerárias retornavam para as famílias e confirmavam a informação, oferecendo serviço médico de atestado de óbito, bem como serviços funerários."

'Caronte'

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A operação, batizada de Caronte, faz referência ao "barqueiro dos mortos" na mitologia grega, que leva as almas pelo rio Estige para entregar ao deus Hades. A investigação começou em abril deste ano, após servidores do IML desconfiarem da ação dos criminosos.


A suspeita surgiu porque, em um dos casos, o carro de remoção do instituto (conhecido como 'rabecão') chegou a um endereço para recolher o cadáver, antes mesmo que a família pudesse ligar para informar do cancelamento. No local, servidores ouviram dos familiares que "a morte já tinha sido atestada por um médico do IML" – neste caso, um integrante do esquema criminoso.

De acordo com a polícia, as prisões e buscas desta quinta representam apenas "a primeira fase" da Operação Caronte, e há expectativa de que o esquema seja muito maior. Os investigadores já identificaram 30 famílias, mas acreditam que muitas vítimas ainda não se deram conta do golpe.

Os presos vão responder por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica, interceptação ilegal, usurpação de função pública, falsidade de atestado médico, corrupção ativa e passiva.

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Fonte: *Via G1/Clipping

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