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FALCÕES, GAVIÕES E CORUJAS: Shopping de Águas Claras usa aves de rapina para espantar pombos

As aves, predadores naturais desses pássaros, espantam os intrusos e minimizam o risco de proliferação de doenças

Nenhuma migalha caída de um prato escapa à vista dos pombos nas áreas urbanas. Espalhados por todo o país, eles se aglomeram em pontos onde há concentração de humanos e, principalmente, comida.

 

À espreita por restos, ciscam entre as pernas de quem faz uma pausa para refeição na rua, levando incômodo a clientes de bares e restaurantes. Para mantê-los distantes, estabelecimentos comerciais têm apostado nas aves de rapina, predadores dos pombos.

As aves de rapina são carnívoras e, diferentemente de outros pássaros, têm adaptações para caça ativa, como bico curvo e afiado, garras fortes, voo poderoso, além de excelentes visão e audição.

É o caso de um shopping em Águas Claras. Há dois anos, gaviões impõem medo aos pombos que rondam a praça de alimentação. Uma das aves rapinantes, Apollo, se empoleira em um braço do dono, Harley Ferreira, 43 anos. Por meio da técnica milenar conhecida com falcoaria — adestramento deste tipo de pássaros —, o homem controla o vaivém do bicho de estimação.

“Havia cerca de 15 pombos no horário mais movimentado, durante o almoço. Pegavam comida do chão e dos pratos”, relembra. Lemos afirma que houve reviravolta após o uso da técnica e, hoje, aparece “um ou outro” pombo entre as mesas.

O gavião, da espécie asa-de-telha, marca presença a cada quinzena. “Aqui, não permito que o Apollo abata os pombos. Mas, para essas aves, ele é um predador”, explica. “Além disso, os pombos têm grande capacidade de aprendizado: se eu vier todos os dias, acostumam-se com a presença do gavião e passam a não se intimidar”, acrescenta o falcoeiro, que tem outro gavião, além de um falcão. Ele trabalha espantando intrusos também e um estabelecimento na Asa Sul.


Na maior parte do tempo, Apollo paira na luva de couro calçada por Ferreira: isso basta para afugentar os invasores — em um raio de, pelo menos, 200m — e atrair olhares curiosos dos frequentadores. Reagem com fascínio ou medo. A estudante Lorrany Reis, 7, e seus pais não resistiram à novidade. Pararam para admirar a ave. “Gostei. Mas tive medo de vir atrás de mim”, conta a garota, logo após ver a ave, pessoalmente, pela primeira vez.


 

Quem está na praça de alimentação todos os dias enaltece a medida. Roni Lemos, 36, trabalha há dois anos como gerente de lanchonete no local. Nos primeiros meses, ouvia reclamações diárias dos clientes sobre a infestação de pombos.

Falcoeiro há dois anos, o estudante de agronomia Yann Amaral, 22, justifica que o abate de pombos esbarra em normas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. A prática é permitida, mas precisa atender a alguns requisitos.


"O abate é permitido em locais específicos, onde haja alto risco a pessoas. E deve haver uma permissão do Ibama" - Yann Amaral, falcoeiro

Normas do órgão incluem o animal — e outros comuns nas cidades, como ratos e insetos — entre a “fauna sinantrópica nociva”. A matança indiscriminada de pombos, sem prévia autorização do instituto, pode acarretar ação penal por crime ambiental.

Ameaça
O ornitólogo — biólogo especialista em aves — Julio Monsalvo exalta a importância de manter o controle da população de pombos, principalmente nos ambientes urbanos. Ele classifica o uso de aves rapinantes como o método mais apropriado para isso. A utilização de veneno, por exemplo, oferece risco de contaminação a humanos e outros animais.

“Os pombos são muito parasitados. Tanto interna quanto externamente. Carregam diversos tipos de bactéria e vírus que podem ser transmitidos pelas fezes. Quando secam, transformam-se em pó e a inalação disso é perigosa”, explica. Monsalvo acrescenta que os microrganismos presentes nesses pássaros podem causar alergias e doenças fatais.


O especialista afirma também que pombos são, originalmente, aves europeias, introduzidas no Brasil pelos portugueses, à época da colonização. Desde então, o pássaro, cujo habitat natural são as montanhas rochosas, adaptou-se aos telhados de casas e prédios, estruturas que, para ele, assemelham-se às pedras.

“Essas aves aprendem logo onde encontram comida e onde podem dormir. Espalham a informação e isso causa uma reação em cadeia”, descreve. Por isso, ele alerta: para evitar a proliferação desordenada de pombos, a colaboração das pessoas é fundamental.


Criação
Yann Amaral conta que qualquer pessoa pode possuir uma ave de rapina, como águias, corujas e falcões, além de gaviões. Entretanto, é imprescindível ter instrução específica. Para isso, os interessados devem passar por cursos oferecidos pela Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR).

A criação dessas aves dispensa vastas áreas. Prova disso é Zeus, gavião asa-de-telha do estudante. Ele cria o animal em um apartamento na Asa Norte e explica que, apesar das limitações, não há impedimentos para manter o pássaro neste tipo de residência. Além disso, as aves se alimentam de codornas abatidas a cada 24 horas. Exceto corujas, cuja dieta inclui ratos.


Nenhuma migalha caída de um prato escapa à vista dos pombos nas áreas urbanas. Espalhados por todo o país, eles se aglomeram em pontos onde há concentração de humanos e, principalmente, comida. À espreita por restos, ciscam entre as pernas de quem faz uma pausa para refeição na rua, levando incômodo a clientes de bares e restaurantes. Para mantê-los distantes, estabelecimentos comerciais têm apostado nas aves de rapina, predadores dos pombos.

As aves de rapina são carnívoras e, diferentemente de outros pássaros, têm adaptações para caça ativa, como bico curvo e afiado, garras fortes, voo poderoso, além de excelentes visão e audição.

É o caso de um shopping em Águas Claras. Há dois anos, gaviões impõem medo aos pombos que rondam a praça de alimentação. Uma das aves rapinantes, Apollo, se empoleira em um braço do dono, Harley Ferreira, 43 anos. Por meio da técnica milenar conhecida com falcoaria — adestramento deste tipo de pássaros —, o homem controla o vaivém do bicho de estimação.

“Havia cerca de 15 pombos no horário mais movimentado, durante o almoço. Pegavam comida do chão e dos pratos”, relembra. Lemos afirma que houve reviravolta após o uso da técnica e, hoje, aparece “um ou outro” pombo entre as mesas.

O gavião, da espécie asa-de-telha, marca presença a cada quinzena. “Aqui, não permito que o Apollo abata os pombos. Mas, para essas aves, ele é um predador”, explica. “Além disso, os pombos têm grande capacidade de aprendizado: se eu vier todos os dias, acostumam-se com a presença do gavião e passam a não se intimidar”, acrescenta o falcoeiro, que tem outro gavião, além de um falcão. Ele trabalha espantando intrusos também e um estabelecimento na Asa Sul.

 

Fonte: *Via Metropoles/Clipping/Fotos:Michel Melo

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