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É MUITA GENTE: Trânsito matou 469 pessoas na Grande Brasília no ano passado, destaca estudo que unifica dados de vários órgãos

Número indica que quadro melhorou, mas está longe das metas da ONU para a década. No Distrito Federal, uma em cada três vítimas era pedestre; no país, índice de mortes caiu à menor taxa desde 2004.

Em 2015, 469 pessoas morreram no Distrito Federal em acidentes de trânsito.

O número supera estimativas feitas por diversos órgãos naquele ano, e é resultado de um estudo que unifica bases de dado regionais e federais.

Segundo o levantamento, um em cada três mortos era pedestre.

O relatório foi elaborado pela cervejaria Ambev, em parceria com a consultoria Falconi, e reúne tabelas de órgãos como os Detrans estaduais, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e o Sistema Único de Saúde (Datasus), além de estatísticas do IBGE, do Ipea e da ONU.


Na contagem do Detran divulgada no início de 2016, por exemplo, constavam 335 óbitos no trânsito em 2015 – uma diferença de 134 mortes, ou 28,5% em relação ao dado mais recente.

Os números levavam em conta apenas os acidentes nas vias monitoradas pelo departamento – o que exclui Eixão, EPTG e EPNB, por exemplo.


Os dados compilados pelo estudo apontam que, em 2015, um terço das vítimas andava a pé no momento dos acidentes fatais. Motoristas e passageiros de carros correspondem a 28% das vítimas – mesmo índice de motociclistas e caronas.

De cada 100 mortos, 8 estavam sobre bicicletas, e 2, em veículos de grande porte (caminhões e ônibus).

Mortes no trânsito do Distrito Federal em 2015
Números foram compilados a partir de diversas bases de dados, de órgãos locais e nacionais.
Mortes no trânsito do Distrito Federal em 2015
Números foram compilados a partir de diversas bases de dados, de órgãos locais e nacionais.
Pedestres: 34 %Carros (motoristas e passageiros): 28 %Motos (condutores e caronas): 28 %Ciclistas: 8 %Caminhões e ônibus (motoristas e passageiros): 2 %
Fonte: Ambev e Falconi

 

Segundo os pesquisadores, essa diferença de dados acontece em todo o país, e geram dados desconexos até em relação a uma mesma via ou região. Quando as vítimas são internadas e morrem no hospital, por exemplo, há órgãos que defendem contabilizar o caso como "morte no trânsito" em um intervalo de até 15 dias, e outros que usam prazos mais extensos.


De acordo com as empresas, o Retrato da Segurança Viária é o primeiro documento a unificar essas bases de dados e os diferentes critérios – excluindo contagens duplas e completando levantamentos parciais, por exemplo.

"A gente fechou agora os dados de 2015 por causa do DataSUS, que é uma das bases mais sólidas e confiáveis que a gente tem, mas que é fechada com esse delay [demora]. Essse tempo complica a formulação de políticas públicas, a resposta do governo a esse cenário", diz a gerente de Relações Corporativas da Ambev, Mariana Pimenta.


 

Dados nacionais

 

De acordo com os dados isolados do Ministério da Saúde, em 2015, 37.306 óbitos ligados ao trânsito foram registrados no Brasil. Com o cálculo refeito, o Retrato da Segurança Viária aponta um número 5,4% maior, de 39.333 mortes.

Os dois números colocam o Brasil em quinto lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, em números absolutos. No "ranking", o país é superado apenas por Índia, China, Estados Unidos e Rússia.


O relatório também aponta que, em 2015, o Brasil gastou R$ 19 bilhões com os mortos e feridos em todos esses acidentes – ou "ocorrências", como a Organização Mundial de Saúde (OMS) prefere chamar, para afastar a ideia de que os casos são imprevisíveis ou que não poderiam ser evitados.

Com esse dinheiro, segundo a Ambev e a Falconi, o governo brasileiro poderia comprar "mais de 145 mil ambulâncias" com custo unitário de R$ 130 mil. Outra opção seria construir 60 mil postos de saúde – que custam, em média, R$ 300 mil por unidade, de acordo com estimativa da União.

Trecho conhecido como 'Cebolão', em São Paulo, que interliga a rodovia Castelo Branco às marginais Tietê e Pinheiros (Foto: TV Globo/Reprodução)

Trecho conhecido como 'Cebolão', em São Paulo, que interliga a rodovia Castelo Branco às marginais Tietê e Pinheiros (Foto: TV Globo/Reprodução)

Trecho conhecido como 'Cebolão', em São Paulo, que interliga a rodovia Castelo Branco às marginais Tietê e Pinheiros 

 

Meta ambiciosa

 

Em 2015, o Brasil e os outros 192 estados-membros das Nações Unidas se comprometeram a reduzir pela metade, até 2020, o número global de mortes e ferimentos em decorrência do trânsito.

A meta é uma das principais conquistas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, ligada diretamente à Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2011-2020). Segundo a ONU, os acidentes de trânsito são a nona maior causa de mortes no mundo.


O Retrato da Segurança Viária aponta que, entre 2011 e 2015, o Brasil passou de 44.198 para 39.333 mortes em um ano, em valores absolutos. Considerado o índice de mortes por 100 mil habitantes, o número passou de 23 para 19,2, no mesmo período – uma queda de 16,6%, e o melhor índice desde 2004.

Para cumprir a meta firmada na ONU, em 2020, o Brasil não poderá ultrapassar as 23.886 mortes no trânsito. O cálculo foi feito pelo G1, considerando as taxas de 2011 e a população atual do Brasil, estimada em 207,7 milhões pelo IBGE.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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