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"MAQUIAGEM": Policiais civis da capital federal questionam redução de crimes: "aqui, se mata mais que a média"

Sindicato aponta dados do Fórum Brasileiro de Segurança, e fala em 'sensação de insegurança' nas ruas. GDF anuncia que chegará a dezembro com menor taxa de homicídios em 17 anos.

O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) compilou relatórios nacionais de segurança pública para contestar a "versão oficial" de redução dos índices de criminalidade, divulgada pelo Palácio do Buriti nos últimos meses.

Segundo a entidade, apesar da "leve queda", a Grande Brasília ainda é mais violenta que a média nacional e não tem investimentos capazes de reverter o quadro.

"O governo tenta transparecer, a cada mês, que está tudo bem. Pinça informações que são favoráveis, de naturezas criminais que tiveram redução naquele mês, e aí ressalta aqueles dados. Mas se a gente comparar com a média nacional, ainda estamos [com índices] muito altos", diz o presidente do Sinpol, Rodrigo Franco (foto).

"A gente vê pouco homicídio no Plano Piloto, nos Lagos. Mas temos cidades-satélites como Paranoá, Planaltina e São Sebastião, onde há 60 mortes para cada 100 mil habitantes. É um número exorbitante."

 

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirma que "é a única fonte oficial autorizada a publicar índices criminais no Distrito Federal", e que continuará fazendo esforços para reduzir os índices de criminalidade. Segundo a pasta, as informações divulgadas seguem "uma lógica científica de sazonalidade" (leia íntegra ao fim desta reportagem).

Na última terça (7), a pasta divulgou que o índice de homicídios registrados no Plano Piloto e cidades-satélites, entre janeiro e outubro deste ano, foi o menor deste século.

De acordo com os dados, 400 pessoas foram vítimas de mortes violentas no período – 18,4% a menos que os 490 mortos de 2016.

Gráfico mostra a taxa de homicídios no DF nos últimos anos, e a projeção para 2017 (Foto: Secretaria de Segurança Pública/Divulgação) Gráfico mostra a taxa de homicídios no DF nos últimos anos, e a projeção para 2017 (Foto: Secretaria de Segurança Pública/Divulgação)
Gráfico mostra a taxa de homicídios na Grande Brasília nos últimos anos, e a projeção para 2017

Comparação nacional

 

O relatório montado pelo Sinpol usa como base a edição mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em outubro. O documento aponta que, em 2016, o Brasil registrou 61.619 mortes violentas, o maior número de homicídios da história.

Segundo as tabelas do fórum, entre 2015 e 2016, o Distrito Federal passou de 694 para 659 homicídios registrados – uma queda de 7%. Considerando o número de homicídios para cada 100 mil habitantes, a taxa regrediu de 23,8 para 22,1.


No "dossiê", o Sinpol ressalta que a taxa é mais que o dobro da registrada pelo estado de São Paulo – 11,7 em 2015, e 11,0 em 2016. Por essa métrica, o DF fica mais perto de estados campeões como o Rio de Janeiro (30,3 e 37,6 homicídios por 100 mil habitantes, respectivamente, em 2015 e 2016).


"O que a gente quer dizer é que o Distrito Federal não pode se vangloriar de ter resolvido homicídios. Aqui, se mata mais do que a média nacional. E quando o governo sinaliza que tá tudo bem, ele deixa de investir na segurança e na área de homicídios", diz Franco.

O documento também enumera outros recortes de criminalidade onde, pelos dados do anuário, o DF é destaque negativo. Considerados apenas os homicídios dolosos (quando há intenção de matar), a capital federal supera Minas Gerais, Paraná e São Paulo na medição proporcional.

Em latrocínios (roubo seguido de morte), a taxa registrada na Grande Brasília chega a empatar e superar os dados do Rio de Janeiro. O mesmo acontece com os dados de estupro – crime que vem crescendo no Distrito Federal a cada mês.

"Se compararmos em números absolutos, estamos entre as dez cidades mais violentas do país. Inclusive, com mais homicídios que Belo Horizonte, que tem população maior", diz Franco. Segundo o IBGE, em julho, a região metropolitana de Brasília tinha 4,4 milhões de habitantes, e a de BH, 5,9 milhões.

 

Confira a íntegra do posicionamento da Secretaria de Segurança Pública do DF:

 

"A Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social do Distrito Federal (SSP/DF) informa que é a única fonte oficial autorizada a publicar índices criminais no Distrito Federal. Estes, são amplamente divulgados em entrevistas coletivas, site institucional (www.ssp.df.gov.br) e redes sociais, de acordo com uma política de transparência e de respeito à sociedade desenvolvida pela pasta.

As informações divulgadas pela SSP/DF em balanços mensais e anuais seguem uma lógica científica de sazonalidade, em que são feitas comparações com tempo adequado para que se analise o contexto do fenômeno criminal.

As estatísticas são extraídas dos bancos de dados Millenium e Polares da PCDF, que armazenam todas as ocorrências registradas nas delegacias de polícia e são referências nacionais na área de gestão de dados criminais. A SSP/DF assegura que todos os esforços continuarão sendo feitos, junto com as Forças de Segurança, para que os indicadores da criminalidade no Distrito Federal continuem recuando."

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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