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14 ESCOLAS: "Dinheiro de transporte dá para construir escola", diz secretário de educação, sobre R$ 140 milhões por ano

Esse é o montante gasto para levar estudantes de localidades afastadas às escolas; em uma delas, um menino de 8 anos desmaiou de fome. Segundo secretário, verba poderia construir 14 escolas, mas operação é 'impossível'.

O Secretário de Educação do Distrito Federal, Júlio Gregório Filho, disse em entrevista ao G1 nesta quarta-feira (22) que o dinheiro investido em transporte para atender crianças que moram em regiões distantes das escolas seria suficiente para construir 14 unidades de ensino na capital.

A operação, no entanto, é “impossível” na prática, segundo ele.

 

“Com dinheiro do transporte, dá pra construir escolas, mas você não pode parar de transportar, porque deixaria as crianças sem aula por esse período.”

De acordo com ele, a pasta gasta R$ 140 milhões por ano com serviços de transporte. Somente para atender os 250 estudantes da Escola Classe 8 do Cruzeiro que moram no Paranoá Parque, são R$ 123,7 mil por mês. “Nós fomos alugar um prédio lá e o proprietário pediu R$ 45 mil, mas a Terracap avaliou em R$ 23,7 mil. Aí o proprietário diz que não vai alugar.”

 

“Se fechássemos pelo valor mais caro, ainda assim ficaria mais barato e as crianças não sofreriam esse desgaste no percurso dentro do ônibus.”

 

A escola, que fica em uma região de classe média de Brasília, fica a 30 km de distância do condomínio construído pelo programa Minha Casa, Minha Vida. No local, vivem cerca de 6 mil famílias, entre elas, a mãe e os dois irmãos do menino de 8 anos que desmaiou de fome na última semana.

O G1 questionou o secretário de Educação se a construção de escolas, especialmente no Paranoá, pode avançar até o fim do governo de Rodrigo Rollemberg, em dezembro de 2018, e Júlio Gregório respondeu que acha "muito difícil".

"Quando você vai construir uma escola, tem que fazer um projeto arquitetônico, de implantação e os complementares. Primeiro não tem recurso, depois o arquitetônico tem que licitar, isso leva mais de ano", disse.

 

“A gestão pública é muito complicada pelo excesso de burocracia.”

 

 

Paranoá Parque

 

Em relação ao Paranoá Parque, a história é controversa. No último sábado (18), o GDF disse à TV Globo que o projeto habitacional do governo anterior, de Agnelo Queiroz, não previa escolas. No entanto, o ex-secretário de Habitação Geraldo Magela apresentou outra versão.

Distância entre o condomínio Paranoá Parque e a Escola Classe 8 do Cruzeiro, no DF, onde menino de 8 anos desmaiou de fome (Foto: TV Globo/Reprodução)

Segundo ele, o governo havia destinado R$ 9,5 milhões para a construção do condomínio com base em um projeto que, além dos apartamentos, previa uma escola. Magela disse, ainda, que o governo Rollmberg decidiu "cancelar" o edital e abrir um concurso nacional, "o que era desncecessário".

Em resposta, nesta terça o atual secretário de Educação, Júlio Gregório Filho, disse que a explicação de Magela "não é verdade" e que o projeto não foi registrado. "Não encontramos o projeto e nem esse dinheiro. A informação que recebi é que havia projetos que nem cabiam no terreno."

 

"Se ele tivesse deixado milhões com o projeto prontinho, por que não teria feito? Porque era do Magela? Não tem sentido."

 

"Primeiro que nós construímos [o Paranoá Parque] com dinheiro federal, porque aqui tá quebrado", disse aoG1. "E as creches que [os gestores do governo Agnelo] deixaram semi-prontas, ficaram sem pagamento. A empresa não entregava, porque não tinha recebido."Distância entre o condomínio Paranoá Parque e a Escola Classe 8 do Cruzeiro, onde menino de 8 anos desmaiou de fome

Merendas

 

Mulheres preparam merenda escolar em escola de Brasília

Mulheres preparam merenda escolar em escola no DF (Foto: Tony Winston/Agência Brasília)

Sobre as merendas oferecidas nas unidades de ensino integral na capital, o Conselho de Direitos Humanos do DF enviou um relatório ao Tribunal de Contas nesta segunda (20) que aponta falhas na oferta de refeições aos alunos. O órgão pede que o tribunal faça vistorias nas unidades de ensino.

Segundo o documento, a alimentação nas escolas é "inadequada", pouco variada e distribuída em horários que não favorecem as crianças que vivem em regiões distantes e acordam horas antes do período das aulas para pegar o transporte público.

Eleborado a partir de visitas a oito unidades públicas, sendo quatro escolas parque e quatro classe, o relatório registra impressões coletadas a partir de relatos de professores, pais e alunos. No documento, o conselho afirma que "o lanche servido quase que diariamente contém basicamente biscoito, leite e frutas, não há variação dos alimentos."

Em resposta, o secretário de Educação disse ao G1 que a afirmação "não é verdade" e que o documento foi elaborado a partir de "uma única visita de 20 minutos" às escolas. Júlio Gregório afirmou, ainda, que o relatório é frágil e contém erros. "O documento coloca uma Escola Parque na 403 Norte, que nem existe. Há um série de fragilidades."

No caso específico da Escola Classe 8 do Cruzeiro, onde o menino desmaiou, o secretário disse que própria direção "não havia feito a solicitação para atencipar a refeição". Segundo ele, algumas unidades fizeram o pedido justamente para atender às crianças que vêm de regiões distantes e chegam com fome.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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