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CRISE HÍDRICA : Barragem do Descoberto atinge 8,2 p/cento após chuva desta 4a; índice de novembro é o maior em 4 anos

Rio abastece 65% do Distrito Federal, que está em situação de emergência devido à seca. Crise hídrica é considerada a pior da história.

A A barragem do rio Descoberto, que abastece 65% do Distrito Federal, atingiu 8,2% nesta quinta-feira (30).

O índice foi comemorado pelo governador, Rodrigo Rollemberg, que esteve no local para conferir. O DF está em situação de emergência devido à seca.

A crise hídrica atual é considerada a pior da história.

"Brasília amanheceu feliz hoje, com a chuva generosa e abundante em todo o Distrito Federal", afirmou em vídeo em rede social. "Tenho muita fé que essa barragem vai encher."


As chuvas que atingiram a Grande Brasília nesta quarta derrubaram árvores, romperam cabos de alta tensão, alagaram comércios e deixaram semáforos na área central intermitentes.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o índice pluviométrico do mês está 39% acima da média histórica e é o maior dos últimos quatro anos.

Árvore arrancada pela raiz durante temporal na L4 Sul, em Brasília (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

Segundo o site da Adasa, agência reguladora de águas do Distrito Federal, o nível de volume útil esperado para o Descoberto mês é de 12%.

No dia 7, aconteceu o registro mais baixo: 5,3%. O índice foi também o menor de todo o ano.

Tabela mostra evolução do volume útil dos rios que abastecem o Distrito Federal (Foto: Adasa/Reprodução)

Na última sexta (24), o presidente da Caesb, Maurício Luduvice, disse que foram feitas revisões nos cálculos envolvendo a capacidade das bombas e o consumo de água. Por isso, ele desconsidera o aumento de dias de racionamento enquanto o volume útil do Descoberto não chegar a zero.


Chuva e vento

Nesta quarta, o temporal causou danos ao longo da Avenida L4 Sul. Pelo menos duas árvores de grande porte caíram, e cabos de alta tensão se romperam com o vento. As plantas foram arrancadas do solo pela raiz.

Em um dos casos, a árvore caiu sobre um quiosque comercial, por volta das 19h. Segundo o Corpo de Bombeiros, apesar dos danos materiais, ninguém ficou ferido. Equipes da corporação foram acionadas para remover os galhos e liberar a passagem no local.


A poucos metros dali, mais cedo, outra árvore grande caiu sobre a L4 Sul, nas pistas do sentido Esplanada-Zoológico. Ao todo, dois carros e dez bombeiros trabalharam por duas horas para retirar os galhos e liberar o fluxo de veículos. Também não houve registro de feridos.

Quiosque atingido por árvore na L4 Sul, em Brasília (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

Quiosque atingido por árvore na L4 Sul 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuvas fortes para todo o "quadrilátero" entre a noite desta quarta-feira (29) e a manhã de quinta (30). O alerta também cita "baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas".


Segundo a meteorologista do Inmet Odete Chiesa, os avisos vêm sendo renovados "quase diariamente", em razão da temporada de chuvas. "Nos próximos dias, a expectativa é repetir o quadro de hoje [quarta]: pouco sol de manhã, nuvens à tarde e pancadas de chuva mais para o fim do dia, ali pelas 18h."

Apenas nesta quarta, as estações de medição do Inmet registraram 6,4 milímetros de chuva. A medida indica que, em cada metro quadrado atingido pelas chuvas, caíram cerca de 6,4 litros de água.


De acordo com o Inmet, as chuvas de novembro de 2014 atingiram 192 milímetros. Em novembro de 2015, 176,1 milímetros. No mesmo mês no ano passado, 228,4 milímetros. Neste ano, faltando um dia para fechar o período, 322,7 milímetros.

 

Emergência devido à crise hídrica

 

O decreto vale por 180 dias e determina a restrição da captação de água para as atividades agropecuária, industrial, comercial e de lazer na bacia do Descoberto. A única exceção é quando o objetivo é o abastecimento humano.


Rollemberg atribuiu à Adasa o papel de definir restrições para o uso de água potável da rede pública – seja domiciliar, comercial, industrial ou para lazer. É também a agência quem fica com o papel de fiscalizar o cumprimento dessas restrições.

A Secretaria de Agricultura fica com a missão de implementar medidas de apoio aos agricultores, com a finalidade de melhorar a eficiência no uso da água pelo setor. Também deverá fiscalizar o cumprimento das restrições para não captar água no Descoberto.

Margem do Descoberto ao lado de propriedade rural  (Foto: Gilver Ferreira/Arquivo pessoal)

A primeira vez em que o governador decretou situação de emergência do tipo foi em 25 de janeiro deste ano. A medida venceria em 24 de julho. No entanto, três dias antes, foi prorrogada por 120 dias. Na prática, a situação de emergência havia perdido a validade em 18 de novembro.

 

Ampliação do racionamento

 

O presidente da Caesb, Maurício Luduvice, disse que foram feitas revisões nos cálculos envolvendo a capacidade das bombas e o consumo de água, garantindo mais margem de trabalho e permitindo adiar a ampliação para dois dias do racionamento.

Em outubro, a companhia havia informado que seria possível manter o ritmo atual de abastecimento e racionamento, pelo menos, até que o reservatório do Descoberto atingisse a cota de 5%. Antes, o "gatilho" para reduzir a captação de água na bacia era de 9%.

"Nós refizemos todos os cálculos antigos ainda da década de 1970, da capacidade das nossas bombas do Sistema do Descoberto. Nós chegamos à conclusão que é possível operar as nossas bombas até a 'cota 1.021'. Seria o nível zero [do volume útil do reservatório]", declarou Luduvice.

Margem do lago do Descoberto, no DF (Foto: Gilver Ferreira/Arquivo pessoal)

Margem do lago do Descoberto

O sistema de "cotas" é uma medida que faz referência à altura com relação ao nível do mar. Pela última medição, de quinta-feira, o sistema do Descoberto está na cota 1.021,88. Ou seja, está a 1.021,88 metros acima do nível do mar – e só 88 centímetros acima do zero. Traduzindo, isso representa 5,5% do volume útil.

Ainda segundo Luduvice, a entrada de novas formas de captação, a redução do consumo por causa do racionamento e a economia de água por parte da população também são fatores para garantir a segurança de manter os padrões atuais até chegar a 0%.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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