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CASO DO BOMBEIRO MALUCO: Justiça determina prisão de militar do Corpo de Bombeiros que furtou viatura da corporação

Perseguição, cerco e tiros na Esplanada. Não se sabe qual sua verdadeira intenção ao se dirigir para o Congresso Nacional

Na madrugada de sábado para domingo, 2º sargento da corporação furta caminhão em que trabalhava, dirige em alta velocidade e só é parado depois de os militares atirarem contra os pneus

 

Após 10 tiros, disparados por policial militar, motorista perdeu o controle da direção: o veículo rodou e parou na contramão, ao lado do canteiro central da Esplanada dos Ministérios

 

Terminou o dia preso preventivamente, por ordem de um juiz plantonista, o 2º sargento do Corpo de Bombeiros Fabrício Marcos de Araújo, que furtou um caminhão da corporação em Ceilândia, dirigiu em alta velocidade por 31 quilômetros e só parou após policiais militares atingirem os pneus do veículo, na Esplanada dos Ministérios, em meio a uma intensa perseguição por algumas das principais vias da capital da República.

 

Resultado de imagem para bombeiro caminhao esplanadaO crime aconteceu na madrugada de ontem. Ninguém saiu ferido.

 

Mas falta saber a real intenção do motorista e como ele entrou na unidade, pegou a chave e saiu de lá com uma das maiores viaturas, destinada ao combate de grandes incêndios.

 

Nenhum integrante do comando do Corpo de Bombeiros deu entrevista.

 

Justiça determina prisão de militar do Corpo de Bombeiros que furtou viatura da corporaçãoAs poucas explicações vieram por meio de nota oficial da Secretaria de Segurança Pública, no meio da tarde.

 

Ela deescarta a possibilidade de atentado terrorista antes mesmo do início das investigações por parte da Polícia Civil. A equipe responsável pelo caso começa a trabalhar hoje. Ontem, foi feita apenas a perícia no local onde o caminhão parou.

 

Combate ao fogo

 

O que se sabia até o fim da noite era que o 2° sargento do Corpo de Bombeiros tem 44 anos e saiu do 8º Grupamento de Bombeiro Militar, em Ceilândia, na Avenida Hélio Prates, divisa com Taguatinga, pouco depois da 1h de domingo. Ao volante do caminhão ABT 108, com o qual ele trabalha, o militar seguiu pela Hélio Prates em direção à Estrutural.


 

ABT é a abreviação de Auto-bomba-tanque. O modelo do Corpo de Bombeiros do DF tem capacidade para levar 3.750 litros de água e 250 litros de espuma — destinada, principalmente, a incêndio em que há risco de choque elétrico. O Correio apurou que o caminhão furtado estava com água, pronto para o combate ao fogo, o que não impediu o militar de circular acima do limite da via.Imagem relacionada

 

A perseguição de equipes da Polícia Militar teve início na pista que liga as duas mais populosas cidades do Distrito Federal ao Plano Piloto, onde a velocidade permitida é de 80km/h. Quando o caminhão do Corpo de Bombeiros entrou no Eixo Monumental, o cerco incluiu 15 viaturas da PM e dos Bombeiros. Os policiais disseram ter feito de tudo para conter o bombeiro, naquela altura, menos atirar.


 

Mas, ao passarem pela Rodoviária do Plano Piloto, na S1, em direção à Praça dos Três Poderes, os militares partiram para o último recurso. Pouco depois da Catedral Metropolitana de Brasília, por volta da 1h50, um deles fez ao menos 10 disparos. Após o motorista perder o controle da direção, o veículo rodou, quase tombou e ficou parado na contramão, ao lado do canteiro central.


 

Tensão filmada

 

O cerco e a perseguição foram filmados e narrados por alguns dos envolvidos. Os vídeos, aos quais o Correio teve acesso, mostram a tensão. Os PMs da Rotam e da Patamo, que iniciaram a perseguição na via Estrutural, demonstraram a preocupação de haver um refém no caminhão do Corpo de Bombeiros. Eles só decidiram atirar após constatar que não havia ninguém além do motorista.

 

Enquanto um policial se assegurava da ausência de civis ou militares na linha de fogo, o outro fazia a mira, com o carro da PM em alta velocidade. Depois de alguns minutos, finalmente, o atirador comemorou o sucesso dos disparos. Tiros acertaram primeiro pneus dianteiros do caminhão. Em seguida, atingiram os de trás. Sem estabilidade, a viatura derrapou e os policiais militares conseguiram deter o bombeiro.

 

Logo, todos os PMs participantes da perseguição cercaram o caminhão. Ileso, o bombeiro não esboçou qualquer reação. Os PMs o levaram ao 1º Grupamento de Bombeiro Militar, ao lado do Palácio do Planalto. Um major, oficial de plantão na unidade, deu a voz de prisão ao 2º sargento. No momento do crime, a Esplanada estava fechada parcialmente ao trânsito de veículos devido a um evento esportivo marcado para a manhã de domingo.

 

Justiça determina prisão

 

Ao ser detido, militar apresentava sinais de embriaguez e disse que pretendia utilizar a viatura para causar danos ao Congresso Nacional. De acordo com fontes ouvidas pelo Correio, ele se negou a fazer o teste do bafômetro

 

*Por Ana Viriato -Correio Braziliense

 

Documentos do Inquérito Policial Militar que investiga os crimes cometidos pelo 2º sargento do Corpo de Bombeiros Fabrício Marcos de Araújo, 44 anos, apontam que, ao ser detido, ele apresentava sinais de embriaguez e disse que pretendia “utilizar a viatura para causar danos ao Congresso Nacional”. O homem se negou a fazer o teste do bafômetro, garantem fontes ouvidas pelo Correio.

 

Nos autos de prisão, o 1º tenente responsável pelo flagrante, lotado no 1º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM), relatou que recebeu ligação pela qual foi informado sobre o furto e, minutos depois, soube que Fabrício havia sido detido e que seria levado ao quartel. “O militar se encontrava em estado muito alterado, proferindo frases desconexas e apresentando hálito etílico”, complementou.

 

A capitã do Corpo de Bombeiros que contou o caso ao 1º tenente prestou depoimento na condição de testemunha. Ela afirmou que recebeu áudios enviados por Fabrício no grupo de WhatsApp do 8º GBM, onde era lotado. Neles, o investigado “relata sua intenção de explodir a viatura no Congresso Nacional”. A bombeira acrescenta que, no momento da voz de prisão, o homem “se encontrava alterado e com forte odor etílico”.

 

“O militar se mostrava muito indignado com a situação do país em geral e bastante perturbado emocionalmente. Não se encontrava em suas plenas faculdades mentais, mas, com o decorrer do tempo, demonstrou que aparentemente estava ciente de suas atitudes”, frisou.

 

Fabrício Marcos optou por ficar em silêncio durante o interrogatório. Mas destacou que “já deveria ter buscado atendimento psicológico há muito tempo”. Advogado do bombeiro, Rodrigo Veiga afirmou que “vai aguardar o desenrolar do processo e, por ora, não se posicionará sobre o mérito das acusações”. “Mas garanto que nada do que foi veiculado em redes sociais, como o suicídio de um filho e tendências terroristas, procede”, ponderou.


 

Prisão preventiva

 

O juiz plantonista Alessandro Marchió Bezerra converteu em preventiva a prisão em flagrante do 2° sargento do Corpo de Bombeiros Fabrício Marcos de Araújo. Durante a audiência de custódia, realizada na tarde de ontem, o magistrado afirmou que, ao prosseguir acima do limite de velocidade permitido, o bombeiro “estava obstinado a atingir seu intento, não sendo possível precisar quantas vidas inocentes poderia ceifar para fazê-lo”.

 

Alessandro Marchió não aceitou a tese da defesa do bombeiro, que entregou um relatório psicológico, no qual afirma que ele não tem como responder temporariamente pelos atos. “Tal constatação demanda, na verdade, a instauração do competente inocente, não sendo possível considerá-la isoladamente para fins de mantê-lo solto”, pontuou o juiz.

 

Em nota, a Secretaria de Segurança e Paz Social e o Corpo de Bombeiros descartaram, por ora, indícios de intenções terroristas. As corporações relataram que, após o delito, Fabrício Marcos de Araújo foi encaminhado ao quartel, onde recebeu voz de prisão em flagrante pelos crimes de furto qualificado, desobediência, estragos ao material da administração militar e tentativa de dano.

 

"O militar se encontrava em estado muito alterado,

proferindo frases desconexas e apresentando hálito etílico”

 

1º tenente do Corpo de Bombeiros, responsável pelo flagrante

 

 

Colegas descartam intenção terrorista

 

*Por Lucas Vidigal-Correio Braziliense

 

Colegas de corporação mostraram-se perplexos com as ações do 2º sargento do Corpo de Bombeiros Fabrício Marcos de Araújo. Um dos amigos contou ao Correio que ninguém imaginava que ele pudesse agir de tal maneira. “Até ontem ele estava ótimo”, disse, supondo que o bombeiro tenha passado por um “surto”. Com o pedido de preservação da própria imagem, o amigo acredita que o 2º sargento não tinha intenção de promover qualquer ato terrorista ou machucar pessoas. “Também não é muçulmano ou perdeu recentemente um filho, como andam dizendo”, completou.

 

Em aplicativos de trocas de mensagens, circula um áudio gravado por Fabrício enquanto ainda dirigia e no qual afirma não ter a intenção de provocar acidentes. “No Congresso Nacional, eu paro. Não vou matar ninguém. Não vou atropelar ninguém. Não vou passar por cima de ninguém. No Congresso Nacional, eu paro”, repetia. Amigos confirmam que a voz é mesmo do motorista.

 

Ainda segundo o amigo que falou ao Correio, o bombeiro tem 24 anos de profissão. Ele é casado, tem dois filhos e mora em Taguatinga. Desde que soube do ocorrido, a família do suspeito, natural de Curvelo (MG), ficou muito abalada e está recebendo apoio de colegas de profissão de Fabrício, que acionaram advogados para orientar os parentes sobre como agir.

 

O que diz a lei

 

Crimes em série

» Uma lei federal de 1969 trata do Código Penal Militar (CPM). A legislação estabelece penas específicas para integrantes das Forças Armadas e das polícias militares estaduais e do DF. Confira os quatro crimes aos quais o 2º sargento vai responder:

 

Furto qualificado

» Tem pena variável de dois a oito anos. Ela pode ser agravada por fatores, como no caso de ser praticado à noite ou com emprego de chave falsa.

 

Desobediência

» Prevê pena de detenção de até seis meses.

 

Danos ao material

» Estabelece reclusão de dois a 10 anos, a depender da extensão do dano.

 

Tentativa de dano

» O crime de dano simples prevê detenção de seis meses a três anos se o bem danificado for público. No caso de tentativa, o CPM prevê que a pena seja diminuída de um a dois terços.

 

Fonte: *Via:CB/Clipping

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