Image and video hosting by TinyPic

 

Image and video hosting by TinyPic

 

compartilhar

CEASA CARIOCA: GDF dispensa licitação e gasta R$ 4 mi em kit anti-Aedes de loja no Rio

Único larvicida vendido pelo estabelecimento não é o pedido no contrato. Empresa de jardinagem fica no RJ e tem cadastro como de pequeno porte.

O Governo do Distrito Federal dispensou licitação para comprar R$ 1,8 milhão em larvicidas e inseticidas anti-Aedes aegypti de uma loja de produtos de jardinagem e paisagismo que funciona na Ceasa do Rio de Janeiro.

 

A Secretaria de Saúde fechou com a mesma empresa, também com dispensa de licitação, mais dois contratos: para a compra de nebulizadores veiculares, por R$ 2,1 milhões, e de óleo mineral, por R$ 224 mil.

 

Os acordos foram publicados no Diário Oficial da última sexta-feira (12).

  •  

Contratos fechados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal e a Futuro Fértil (Foto: Reprodução)

Em nota, a pasta informou que recebe regularmente inseticidas e larvicidas do Ministério da Saúde, mas que optou por fazer a compra e com dispensa de licitação "para que o combate não ficasse prejudicado com a falta de qualquer material" diante da atual epidemia – o número de casos no DF cresceu 216% em um ano.


A previsão é de que os produtos cheguem até o final do mês. A secretaria disse ainda que os 600 litros do biolarvicida doados pela União Química –desenvolvido pela Embrapa, já testado em Brasília e registrado na Anvisa após obter como resultado "acima do esperado" – estão sendo usados como teste em três regiões administrativas ao longo de seis meses.


"Após o período será preparado um relatório e, se comprovada a eficácia esperada, a SES/DF [Secretaria de Saúde do Distrito Federal] estudará a compra do produto." O G1 tentou entre terça e quinta entrevista com o secretário Fábio Gondim a respeito, mas teve o pedido recusado.

Fachada da Futuro Fértil, que funciona no Ceasa do Rio de Janeiro (Foto: Matheus Rodrigues/G1)
Fachada da Futuro Fértil, que funciona no Ceasa do Rio de Janeiro

Ao todo, os contratos do GDF com a ST Irajara Agrícola LTDA – que tem o nome fantasia Futuro Fértil – somam R$ 4,1 milhões. Só esse valor representa 59,4% de todo o investimento feito pela Secretaria de Saúde no ano passado no combate à dengue.

 

A empresa está cadastrada na Receita Federal como de pequeno porte, por ter faturamento anual entre R$ 3,6 mil e R$ 3,6 milhões. O G1 tentou contato com os responsáveis duas vezes por e-mail e por telefone, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.


De acordo com a Secretaria de Saúde, o óleo mineral será usado em mistura ao inseticida no fumacê. O contrato prevê ainda a compra de 25 nebulizadores veiculares, para serem instalados nos veículos que disseminam o veneno, 3,7 mil litros de inseticida, 40 mil litros de larvicida líquido e 375 mil unidades de larvicida sólido. O princípio ativo do material encomendado, segundo a pasta, é o espinosade.

Informações prestadas por representante da Futuro Fértil sobre único larvicida comercializado pela empresa (Foto: Reprodução)
Informações prestadas por representante da Futuro Fértil sobre único larvicida comercializado pela empresa

Durante consulta feita pela reportagem, um funcionário informou que a Futuro Fértil trabalha com um único larvicida para combater o mosquito que combate dengue, chikungunya, zika e febre amarela: Larvek, da Rogama. O produto custa R$ 12 o quilo e tem como princípio ativo o temephos, substância diferente do que a Secretaria de Saúde diz ter encomendado.


O fabricante recomenda o uso de um terço de colher de café por bromélia. Mas, em nota divulgada em maio de 2014, o Ministério da Saúde pediu substituição de venenos com esse princípio ativo, com a justificativa de que o mosquito desenvolveu resistência a ele na maioria dos municípios do país.

Orientaçao do Ministério da Saúde para substituição de larvicidas que tenham como princípio ativo o temephos (Foto: Ministério da Saúde/Reprodução)
Orientaçao do Ministério da Saúde para substituição de larvicidas que tenham como princípio ativo o temephos

Estoque e número de casos
A Secretaria de Saúde informou em janeiro que havia ganhado 600 litros de um biolarvicida da União Química. Durante o evento em que foi feito o anúncio, o diretor de Vigilância Ambiental da pasta disse que uma gota do produto era suficiente para pelo menos um litro de água. Com isso, o rendimento seria de aproximadamente 12 milhões de litros de água com o larvicida.


O produto começou a ser usado na Grande Brasília em 21 de janeiro, mas já estava pronto para utilização em larga escala havia dez anos. Desenvolvido pela Embrapa, ele foi testado em 2007 em São Sebastião e pode ser aplicado em caixas d'água, piscinas, ralos, vasos de plantas e em qualquer ambiente doméstico, incluindo reservatórios de água potável. A compra só pode ser feita por governos ou empresas especializadas.


O larvicida tem como "princípio ativo" o Bacillum thuringiensis israelense (BTI), uma bactéria inofensiva para humanos e animais domésticos, mas letal para o mosquito. Quando a larva do Aedes come essa bactéria na água limpa e parada, recebe quatro toxinas que causam paralisia generalizada e matam o vetor. Ele é vendida pelo nome comercial "Bt-Horus" e custa cerca de R$ 60 por litro.


Em nota, a Secretaria de Saúde disse que o produto está sendo usado como teste no Gama, Recanto das Emas e em Santa Maria. A previsão é que o processo dure seis meses. Depois, deve ser elaborado um relatório.

A pasta diz que, caso seja comprovada a eficácia, estudará a possibilidade de comprá-lo. No teste feito pela Embrapa há nove anos, o índice de infestação nas casas inspecionadas caiu de 4 para 1 após a aplicação do veneno. De "risco iminente de epidemia", o índice caiu para "aceitável", segundo critérios da Organização Mundial de Saúde.


Dados do último boletim epidemiológico, divulgado nesta quarta-feira (17), apontaram que o número de casos confirmados de dengue subiu 216% em relação ao ano passado. Já são 1.912 ocorrências da doença, contra 605 no mesmo período de 2015. Houve cinco mortes até agora.


A região administrativa com maior número de casos é Brazlândia, com 488 confirmações.Recentemente a Secretaria de Saúde também constatou a primeira infecção por dengue tipo 3. Com isso, todos os tipos do vírus passaram a circular no Plano Piloto e cidades-satélites.


Além disso, há seis ocorrências confirmadas de febre chikungunya e outros 67 sob suspeita. Em relação à zika, também existem seis casos confirmados, sendo quatro de moradores do Distrito Federal e outros dois do Entorno – de Luziânia e Santo Antônio do Descoberto.


Sintomas e prevenção

A febre chikungunya é uma doença viral com sintomas parecidos com a dengue e transmitida pelos mesmos mosquitos, os Aedes aegypti e o albopictus. Entre eles estão dores fortes, principalmente, nas articulações, de cabeça e musculares, manchas vermelhas na pele e febre repentina e intensa, acima de 39 °C.


A recomendação em ambos os casos é de repouso absoluto e ingestão de líquidos em abundância. A automedicação é perigosa, porque pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro da doença.


Como ainda não existe vacina contra o vírus, o melhor método de prevenção está no combate à proliferação dos mosquitos transmissores. As recomendações são as mesmas já conhecidas para o combate à dengue: evitar água parada em baldes, vasos de plantas, ralos e outros recipientes.


Já a zika é caracterizada por manchas, mesmo com ausência de febre. "Podem vir aquelas manchas vermelhas pelo corpo e olhos vermelhos mesmo sem ter febre. O problema é que, apesar da pouca mortalidade, se a pessoa contrair durante o período que está grávida pode dar problemas na criança",diz a médica infectologista Rita Uchoa.


O DF instalou, para fazer testes rápidos e prestar atendimento inicial, uma unidade de atenção à dengue em Brazlândia no dia 11. No primeiro dia, houve 111 atendimentos, 102 testes rápidos e 55 casos confirmados. Além disso, de acordo com o Ministério da Defesa, 18 mil militares das Forças Armadas vão distribuir panfletos no DF com explicações sobre como evitar o principal vetor da doença, Aedes aegypti, que também transmite febre amarela.

 

Fonte: *G1 - Clipping

COMENTÁRIOS