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REDUTO: A cada semana, um foragido da Justiça é encontrado na Rodoviária do Plano Piloto

Passageiros se sentem inseguros no terminal rodoviário urbano do centro da capital federal.

Em tempos de caça a fugitivos do Complexo Penitenciário da Papuda, a Polícia Militar faz uma  constatação intrigante: a Rodoviária do Plano Piloto é um reduto de foragidos da Justiça.

 

 

Em menos de dois meses, a corporação encontrou 11 procurados no local. Praticamente um por semana.

 

 O número de mandados de prisão em aberto no Distrito Federal chama atenção: são 10.030 sentenças  aguardando cumprimento. Os dados são do Banco Nacional de Mandados de Prisão (BMNP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e incluem os nomes dos quatro presos que escaparam  da Papuda no último domingo e ainda não foram localizados.  


“O batalhão da rodoviária sempre manda   ocorrências de foragidos encontrados no terminal. E   percebi que tem muitos. No mês passado, foram seis. Neste, mais cinco. É quase um por semana. E tem época que isso aumenta bastante”, contou ao Jornal de Brasília o porta-voz da PMDF, capitão Michello Bueno. “Ali, por ser um centro de distribuição, eles fazem as abordagens e descobrem esses foragidos”, completou. 


“Todo o tipo de gente”

A soldado Rayana, que integra a equipe do 6º Batalhão, responsável pela ronda na Rodoviária do Plano Piloto e arredores, como o Museu da República e o Conic, lembra ainda que a quantidade de pessoas circulando naquela área atrai “todo o tipo de gente”, incluindo os foragidos da Justiça. 


“São mais de 700 mil por dia. É um local de movimentação muito grande. Então, indivíduos perigosos, que aparentemente não apresentam ameaça alguma, se misturam naquele meio e acabamos descobrindo. Às vezes, até buscando outra pessoa que tem as mesmas características”, afirmou. 


De dezembro para cá, ressaltou, o número de foragidos encontrados naquela região vem aumentando, o que, até para a Polícia Militar, parece estranho. “No fim do ano, atribuíamos isso a uma situação de maior poder aquisitivo entre as pessoas, compras. Agora, em janeiro e fevereiro, não tem. A gente ainda não sabe o que está ocasionando isso”, explicou. 


No entanto, acrescentou, “muitas vezes, o Centro de Detenção Provisória (CDP) libera algum detento para tirar um documento. E eles acabam ultrapassando o tempo estipulado. Prendemos um exatamente nessa situação na semana passada”, contou. 


Depois de presos pela Polícia Militar, os foragidos são encaminhados à Polícia Civil (PCDF), que, até o fechamento desta edição, não comentou o assunto. O mesmo posicionamento foi tomado pela Secretaria de Segurança, que repassou os questionamentos à Polícia Civil. 


No entanto, o que se sabe, por parte de quem já foi vítima de um foragido na Rodoviária do Plano Piloto, é que muitos deles voltam às ruas. 


Passageiro roubado por assassino

No mês passado, Rodrigo (nome fictício), 18 anos, teve o celular roubado enquanto aguardava um ônibus na Rodoviária do Plano Piloto.

Rapidamente, a Polícia Militar agiu, pegou o suspeito e o levou à 5ª Delegacia de Polícia. Ao averiguar a ficha do bandido, constatou-se que, entre os crimes cometidos, havia, inclusive, homicídio. “Eu achava que era mais um drogado roubando celulares para comprar drogas. Levei um susto quando vi que não era só isso”, conta o jovem, que preferiu não se identificar, pois, duas semanas após o episódio, ele viu o homem andando pelo centro da cidade.  


Para comerciantes e passageiros, a situação melhorou há algumas semanas. “Já foi pior”, ressaltam. Porém, boa parte ainda circula com medo. “Ando com a bolsa colada ao meu corpo. Fico olhando para trás, fico atenta. Tem muita gente estranha aqui, umas pessoas mal encaradas”, disse a doméstica Claudeci Ferreira, 33 anos. Assim como ela, a diarista Rose Maire de Souza, 50 anos, também anda “com cuidado”: “Tem umas pessoas que parecem prontas para nos roubar”. 


Já foi pior

Segundo o presidente da Associação dos Lojistas Pioneiros de Brasília (ALPB),  Délio Alves Ferreira, dono de um restaurante na rodoviária, “a coisa já esteve muito pior”. Agora, diz que o policiamento está reforçado, e as situações de perigo parecem ter amenizado. “Hoje, o que pega mais aqui são os menores de idade. Tem muitos moradores de rua bebendo e mandando as crianças fazerem as coisas”, diz. 


O comerciante Francisco Albuquerque, 64 anos, acredita que muito ainda precisa ser feito para reverter o atual cenário da rodoviária. “Está abandonada. Se a gente não tomar cuidado, os bandidos vêm e levam alguma coisa. Principalmente se for mulher”, destaca.(*Por:Carla Rodrigues)

 

Fonte: *JBr - Clipping

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