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ENFRAQUECEU: PDT perde força em Brasília com a saída de Cristovam, Regufe e Celina

A proximidade do PDT nacional com o governo do PT é apontada como motivo da saída dos parlamentares da sigla. Porém a gota d'água foi a chegada de Ciro Gomes, uma barreira para a pretensão de Cristovam de concorrer à presidência em 2018

A saída de três importantes nomes do PDT brasiliense pode ter decretado um momento de vácuo político do partido no cenário local.

 

No início do ano passado, com dois senadores, Cristovam Buarque e Antônio Reguffe, e a presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão, a sigla se apresentava como a principal força política do Distrito Federal.


Motivo

A proximidade do PDT nacional com o governo do PT foi apontada como principal motivo da debandada dos parlamentares da sigla. Porém, a gota d'água foi a chegada de Ciro Gomes, que  marcou o momento de ruptura entre Cristovam Buarque e o pedetismo.

Tudo por conta das pretensões do senador em concorrer à presidência da República em 2018.


“O PDT fez uma opção por integrar o poder com o PT. Eu acredito que o partido por um lado fica mais forte, mas, em outro, essa não é a realidade. Se olharmos para o lado de compor o governo e o poder, o PDT está muito bem, tem o Ministério da Comunicação e os Correios.Isso no cenário nacional. No local, porém, o PDT abandonou o sonho de Leonel Brizola de transformar o Distrito Federal. Escolheu o poder”, critica Cristovam.


A escolha de Ciro Gomes pelo partido foi duramente atacada por Cristovam, que chegou ao PPS negando que o sonho de ser candidato à presidência da República em 2018 tenha sido a sua condição para entrar na sigla de Roberto Freire. Apesar disso, ele deixou em aberto seu desejo de concorrer novamente ao Palácio do Planalto.


“O Ciro Gomes é um acordo entre o ex-presidente Lula e o Carlos Lupi – presidente nacional do PDT –, que é a continuidade do modelo de governo que temos visto aí”, denuncia o senador.


O discurso antipetista também foi adotado por Celina Leão, que acompanhou Cristovam para o PPS. Ela seria outro nome forte para a disputa majoritária no Distrito Federal, mas, ao que tudo indica, a presidente do parlamento distrital deverá se dirigir a uma candidatura à Câmara dos Deputados.

Cristovam aponta que a saída dele e de Celina Leão pode ter criado uma terceira via no Distrito Federal. “Temos agora uma nova opção de esquerda”. Vale lembrar que, no cenário nacional, o PPS está atualmente mais próximo de partidos de direita como o DEM e o PSDB.


Análise

A análise do doutor em Ciência Política pela UnB (Universidade de Brasília) Leonardo Barreto é que a crise no PDT local pode sim ter relação com o apoio ao PT, mas também tem interesses eleitorais.


“Ao que parece, a crise do PDT é sistêmica e pode se dar por conta do apoio que o partido está dando à presidente Dilma Rousseff e ao PT. Mas uma coisa é o que se diz, e a outra se esconde por trás desse argumento. Me parece também uma desculpa para que os principais atores seguissem para outros partidos e conseguissem chegar a seus objetivos políticos”, indica o doutor Leonardo Barreto.


O especialista da UnB lembra que o PDT do DF não tinha, antes do ingresso de Cristovam, destaque representativo no cenário local, com exceção do período em que contava com o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Maurício Correa. 


O especialista aponta também que os problemas de Cristovam dentro da legenda provocaram um efeito cascata, que desaguou na debandada de Celina e Reguffe. Ainda assim, Leonardo Barreto não acredita que a saída dos três parlamentares represente a formação de uma nova força eleitoral.


“Aqui no DF houve uma fragmentação das forças políticas depois da Operação Caixa de Pandora – que revelou um esquema em todas as estruturas de poder do Distrito Federal e que foi operada entre os governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, com o pagamento de deputados e autoridades do poder Judiciário – e que gerou uma rejeição a política.”


Leonardo Barreto diz não acreditar que, com o atual quadro, o PDT possa almejar uma vitória nas eleições majoritárias em 2018. “Vai depender muito de como o atual governo vai chegar lá. Se houver apenas candidatos fracos, isso poderá encorajar o eleitor a votar no PDT. Porém com a saída desses nomes, o partido deixa de ter um candidato natural”.


Rollemberg

A presença do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) na cerimônia de filiação do senador Cristovam Buarque e da distrital Celina Leão ao PPS não sensibilizou o senador, que não vê motivo para que o seu novo partido queira ir para a base do governo. Cristovam justifica sua opinião com a afirmação de que Rollemberg não tem o costume de ouvir seus aliados, o que dificulta qualquer relação entre os partidos de sua base e o chefe do Executivo.


 

“Eu tenho uma boa relação pessoal com o Rodrigo, mas não na política. Essa é zero”, conta Cristovam, que continua: “Acho cedo para o PPS ir para a base do governo, até porque ele não ouve. Eu disse para ele não fechar as escolas integrais e usar uma cidade como modelo, mas ele continuou a fechar e não vai parar. Falei do programa Saúde em Casa, que fiz no meu governo e ele também nada fez”, desabafa o senador.

 

Fonte: *Fatoonline - clipping

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