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DE NOVO: Papuda teve tentativa de fuga nesta 5a. feira, 5 dias após 10 escaparem

Ação foi flagrada durante banho de sol; ninguém conseguiu escapar. No domingo, dez fugiram de outra área do presídio; 4 seguem foragidos.

Uma tentativa de fuga foi contida na manhã desta sexta-feira (26) no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, de onde dez presos fugiram no último domingo (21) – quatro seguem foragidos.

 

Segundo o Governo do Distrito Federal, a movimentação dos presos foi debelada antes que alguém conseguisse sair da unidade. Não houve feridos.


A Subsecretaria do Sistema Penitenciário diz que as equipes de inteligência detectaram a movimentação e acionaram agentes penitenciários e da Diretoria Penitenciária de Operações Especiais (DPOE).

As equipes fizeram operações de revista e contiveram os detentos.


Em nota, a subsecretaria também informou que "operações assim são rotineiras em um presídio e visam justamente garantir a segurança do sistema". A tentativa aconteceu no Centro de Detenção Provisória (CDP), onde ficam os presos que aguardam julgamento.


No dia 2, cinco homens conseguiram fugir do CDP no final da noite. Dois foram capturados horas depois enquanto tentavam pular muros de casas em São Sebastião, região administrativa mais próxima da Papuda.

 

Os outros três foram pegos posteriormente. Até esta sexta, o GDF não tinha dado informações sobre a mecânica dessa fuga.


Papuda
Dez presos fugiram da Penitenciária do Distrito Federal I (PDF 1) na Papuda, no domingo, depois de quebrar paredes, estourar cadeados e passar pelo alambrado.

 

Para isso, usaram vigas das grades das celas como facas e tamparam as câmeras de segurança. Seis foram recapturados no mesmo dia. Foi a segunda fuga em 20 dias.


Até esta sexta, quatro seguiam foragidos. Somadas, as penas deles ultrapassam 242 anos de prisão. Eles têm ficha criminal extensa, por crimes como roubo e homicídio.

 

O governo descarta a possibilidade de servidores terem facilitado a fuga, mas reconhece que houve falhas de segurança. A Polícia Militar reforçou com dois carros a segurança em pontos de acesso ao complexo.

Quatro fugitivos da Penitenciária da Papuda seguiam foragidos até a manhã de segunda (22); no alto, à esquerda, em sentido horário: Seymy Gouveia Lima, Marcos Antônio Moreira dos Santos, Michael da Mata Silva e Francisco dos Santos Alves (Foto: GDF/Reprodução)

Quatro fugitivos da Penitenciária da Papuda seguiam foragidos até a manhã de segunda (22); no alto, à esquerda, em sentido horário: Seymy Gouveia Lima, Marcos Antônio Moreira dos Santos, Michael da Mata Silva e Francisco dos Santos Alves

Nas fichas policiais do grupo de foragidos constam crimes como homicídios, tráfico de drogas, associação criminosa, receptação e roubo.

 

Dos dez fugidos, dois cumpriam pena em regime semiaberto e trabalhavam durante o dia, além de serem beneficiados com os saidões. Se foram recapturados, eles devem perder o direito aos benefícios.


De acordo com a Subsecretaria do Sistema Penitenciário, a maioria dos recapturados foi encontrada nos arredores da QI 17 do Lago Sul. Helicópteros foram usados na operação.

 

A PDF 1, onde eles cumpriam pena, abriga presos de regime fechado. Além dela, também ficam na Papuda a PDF 2, a Penitenciária Feminina, o Centro de Detenção Provisória e o Centro de Internação e Reeducação.


O complexo tem 14,5 mil detentos. Entre os presidiários estão o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e o ex-deputado Natan Donadon. No início de fevereiro, outros cinco homens fugiram do Centro de Detenção Provisória.


Mudanças no sistema
A fuga na Papuda desencadeou uma série de mudanças no sistema penitenciário. O secretário de Justiça, João Carlos Souto, e o subsecretário do Sistema Penitenciário, João Carlos Lóssio, foram exonerados na terça. No lugar, assumiram Guilherme Rocha Abreu, ex-chefe de gabinete da Casa Civil, e o ex-diretor adjunto da Polícia Civil, Anderson Espíndola, respectivamente.

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Familiares de detento do presídio da Papuda enfrentam filas na madrugada para visitar parentes. (Foto: Pedro França/G1)

Familiares de detento do presídio da Papuda enfrentam filas na madrugada para visitar parentes.

No mesmo dia, a Casa Civil anunciou que a Subsecretaria do Sistema Penitenciário deixaria a estrutura da pasta de Justiça e seria incorporada à Secretaria de Segurança Pública.

 

O governador Rodrigo Rollemberg prometeu para o fim do semestre um centro de detenção provisória com capacidade para 400 presos e também ampliar a Penitenciária Feminina em mais 400 vagas.


O governo anunciou também a construção de mais quatro centros de detenção, com capacidade para 3,2 mil presidiários. O prazo de conclusão da obra é de dois anos. O governo não informou o valor estimado da obra.


Risco de rebelião
Relatório elaborado pela Secretaria de Justiça no final do ano passado aponta risco de rebelião na PDF 1, de onde fugiram os presos de alta periculosidade no domingo. “A falta de estrutura física para alocar os internos rebelados pode ser um problema muito mais sério do que o do efetivo, pois atualmente o sistema penitenciário não dispõe de unidade para uma possível realocação, já que o sistema penitenciário encontra-se lotado.”


O bloco “F”, de onde ocorreu a fuga, é considerado o de segurança máxima – entre os presos há um narcotraficante acusado de mais de 200 homicídios e de envolvimento com facções criminosas e um mafioso em processo de extradição.


Além disso, a PDF I tem 3,4 mil internos, quando o número de vagas é de 1.584 – lotação 114% acima da capacidade. A quantidade de agentes penitenciários é 200, quando o recomendado é de 1 profissional para cada 5 detentos.


Durante a pesquisa, o diretor do presídio, Mauro Cesar Lima, criticou a situação. “Que se houver uma possível rebelião não tem local próprio para colocar os presos; que prefere responder a processo administrativo por ter privado o preso de algum direito, do que ter que explicar a morte de alguns agentes”, declarou.


O relatório aponta ainda que a segurança externa é falha e cita a desativação de guaritas por parte da Polícia Militar. Também há críticas ao sistema de monitoramento, classificado como “quase zero”, à falta de acompanhamento psicológico aos agentes penitenciários e ao alto fluxo de visitantes quando há pouca estrutura para revista (2 mil por semana).

 

Fonte: *G1 - Clipping

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