compartilhar

PROBLEMAS: Carta de servidores do GDF denuncia condições precárias de trabalho

Trabalhadores da assistência social estão expostos a infestação de percevejos e instalações elétricas que os colocam em risco

O Sindicato dos Servidores da Assistência Social do GDF (Sindsasc) divulgou nesta segunda-feira (9), uma carta que expõe dificuldades da classe, precarização das condições de trabalho e a negligência do Governo do Distrito Federal.

Em greve há 38 dias, os servidores da assistência social continuam sem abertura para negociação com o Executivo para que suas reivindicações sejam atendidas.

 

A publicação tem o intuito de esclarecer as razões da mobilização da categoria e pedir apoio à causa a lideranças da sociedade civil, Ministério Público e aos poderes Legislativo e Judiciário.

 

Os servidores denunciam a precariedade de recursos para o atendimento à população. “Temos unidades de acolhimento sem a mínima condição de receber usuários, sem camas, colchões, material básico de higiene.

 

Além disso, temos unidades de acolhimento infestadas de percevejos, com instalações elétricas defasadas, com chuveiros e lâmpadas que queimam continuamente, alagamentos que trazem dejetos de esgotos e tomam conta dos locais, não poupando nem usuários e nem servidores, colocando suas vidas em risco”, detalha a carta.

Carta de servidores do GDF denuncia condições precárias de trabalho

 

Entre as principais reivindicações dos servidores em greve estão as melhorias nas condições de trabalho nos postos de atendimento de assistência social.

“A política de assistência social se encontra fragilizada e, em tempos de cortes de gastos, é uma das áreas que tem sido mais castigada pela ausência de investimentos. Ao mesmo tempo, a demanda por benefícios e serviços cresce na mesma medida do aumento da crise econômica, que conduz os trabalhadores à perda do emprego ou ao subemprego”, diz trecho da carta divulgada pelo Sindsasc.


 

Motivos da greve

Os trabalhadores reivindicam o acerto retroativo do aumento salarial previsto em lei desde 2015, em atraso há 28 meses; a realização de concurso público para suprir o desfalque de 2.600 trabalhadores da carreira; o pagamento de benefícios como vale-alimentação e licenças-prêmio; a melhoria das condições de trabalho para os servidores das Unidades de Acolhimento; a implantação de ajustes no Setor de Cadastro (Secat); a disponibilização da quantidade necessária de material de trabalho nos Centros de Convivência; a viabilização de transporte para os servidores; e a designação correta para o trabalho nos CREAS, que têm assumido a destinação de demandas dos Centros Pop.


 

A greve da categoria tem ganhado importantes apoios.

O Conselho de Assistência Social do Distrito Federal (CAS-DF), entidade vinculada ao GDF, emitiu uma Moção de Apoio que reconhece a ingerência do governo em relação ao trabalho da assistência social pública no Distrito Federal.

Outra entidade que manifestou respaldo ao movimento foi o Conselho Regional de Serviço Social do DF (CRESS-DF). Além dos apoios institucionais, usuários do serviço e deputados distritais apoiam a ação colegiada.


 

Famílias sem atendimento

O Sindsasc estima que, devido à falta de negociação imposta por Rodrigo Rollemberg, um total de 100 mil famílias estão sem atendimento de assistência social distrital.

A atuação dos servidores da classe é destinada aos beneficiários de programas sociais, mulheres vítimas de violência e em situação de perigo,pessoas em situação de rua e desabrigados, crianças sem guarda ou que estão sob a tutela do Estado, idosos, pessoas com deficiência mental e vítimas de tráfico de pessoas.

 

Apenas o contingente mínimo de 30% de servidores da categoria está em atividade nas unidades de atendimento ininterrupto. Um total de 1.530 trabalhadores, o correspondente a 90% dos sindicalizados, aderiram ao movimento.

 

COMENTÁRIOS