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CRISE HÍDRICA : Reservatório do Descoberto completa dois anos sem atingir capacidade máxima

Última vez em que bacia 'verteu' foi em abril de 2016. No Santa Maria, índice também é bem inferior aos anos anteriores.

O reservatório do Descoberto, responsável pelo abastecimento de água de 2 em cada 3 moradores do Distrito Federal, completou um aniversário triste nesta semana.

Há dois anos, desde 9 de abril de 2016, a bacia não chega ao nível de 100% do volume útil.

A distância da borda do reservatório é resultado da crise hídrica mais perversa que a Grande Brasília já enfrentou desde a inauguração da nova capital, em 1960.

Neste domingo, o Descoberto operava com 81,4% da capacidade – um número bem acima das previsões mais positivas do governo, e bem abaixo da média histórica para o período.


No site da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF (Adasa), é possível ver a medição do nível do Descoberto, dia a dia, desde 1987. As tabelas mostram que, entre 1987 e 2015, o reservatório começou e terminou o mês de abril com capacidade máxima, travado em 100%.


Apenas em 1996, 1998 e 1999, houve registro de três ou quatro dias esporádicos com índice de 99,9%.

Em 2016, o quadro piorou, e o Descoberto passou de 100%, em 9 de abril daquele ano, para 96,35% no dia 30 – uma baixa histórica para o mês.


Em 2017, a medição diária nem parecia estar relacionada à mesma fonte de água. O reservatório do Descoberto chegou ao dia 1º de abril com 51,57% da capacidade máxima, e terminou o mês com meros 56,41%.

Em 2018, a situação é um pouco melhor. No último dia 1º, a água alcançava o nível de 74,7%, segundo a Adasa. Duas semanas depois, os 84,1% registrados indicam que o Descoberto recuperou quase 10 pontos percentuais em seu volume útil, em 15 dias.


Santa Maria

 

No outro grande reservatório de Brasília – o do sistema Santa Maria/Torto –, o quadro é similar.

A bacia atingiu o volume máximo pela primeira vem em 1989 e, desde então, sempre registrou fartura no primeiro semestre do ano.

 

  • O sistema é mais instável, no entanto, e enfrentou baixas em abril em anos anteriores – 1995, 1996 e 2003, por exemplo. Em todo esse período, no entanto, o Santa Maria nunca tinha cruzado a barreira dos 50%.

Esse limiar foi ultrapassado em 17 de fevereiro de 2016 e, desde então, o manancial luta para resgatar a capacidade anterior. Em 2017, o volume máximo registrado no ano foram míseros 53,79%, no início de maio.

Neste domingo, a medição da Adasa apontava índice de 53,2% na bacia.

Tubulação usada para captar água do Lago Paranoá (Foto: TV Globo/Reprodução)

Tubulação usada para captar água do Lago Paranoá

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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