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MORADIAS PRÓPRIAS, OU NÃO: Grande Brasília tem o menor número de imóveis quitados no país

Mais de 55% das residências estão alugadas, financiadas ou ocupadas irregularmente. 'Valor dos imóveis é obstáculo', diz IBGE.

O Distrito Federal é a unidade da federação com o menor número de domicílios próprios quitados em todo o país.

Em Brasília, 54,9% dos imóveis já foram pagos, ante 67,9% da média brasileira.

 

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio Contínua (PNAD), realizada em 2017 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta quinta-feira (26).

De acordo com a supervisora de disseminação de informações do IBGE, Michella Reis, o valor dos imóveis na capital do Brasil é um obstáculo para a qualidade de vida da população.

 

 

"O aluguel no Distrito Federal é um dos mais caros do país, e o que mais pesa nos custos das famílias. Isso dificulta a mobilidade social."

As residências na Grande Brasília estão divididas entre:

  • Próprias quitadas (54,9%)
  • Aluguéis (28,2%)
  • Imóveis cedidos, onde a pessoa mora "de favor" (12,1%)
  • Próprios financiados (4,5%)
  • Residências irregulares (0,3%)
Fonte: Pnad (IBGE)

O percentual de aluguéis no Distrito Federal teve uma leve redução – de 1 ponto porcentual – em comparação com 2016, quando o índice era de 27,8%. A média nacional de aluguéis em 2017 foi de 17,6%, bem abaixo da média do DF. A unidade da federação com menos aluguéis é o Piauí, com 8,1%.


Irregularidade e financiamento

A supervisora do IBGE disse que, para muitos moradores de Brasília, uma alternativa aos aluguéis foi a mudança para imóveis irregulares. Mas, na comparação entre 2017 e 2016, houve um recuo de 25% no uso de imóveis sem regularização.

Em 2016, 0,4% das residências ficavam em áreas invadidas. Com o processo de regularização e venda direta do governo, o percentual caiu para 0,3% do total.


Já as casas e apartamentos financiados, mas ainda em pagamento, representaram 4,5% do total de moradias no DF em 2017. Houve um aumento em comparação com o ano anterior, quando o percentual era de 3,7%.

Brasília também é campeã em número de apartamentos construídos: eles representam 31,4% dos imóveis, mais que o dobro da média nacional de 13,2%. O segundo lugar fica com o estado do Rio de Janeiro, com 23,5%.


Endividamento

A servidora pública Débora da Rocha, de 50 anos, optou por vender o apartamento próprio para pagar empréstimos bancários e morar de aluguel. O financiamento do imóvel foi de 36 prestações porque na época da compra, 10 anos antes, ela deu uma quantia alta de entrada.

Mas desde que vendeu o apartamento, em 2013, Débora conta que se mudou quatro vezes. Na primeira tentativa de aluguel, dividia o lote com moradores de outras casas e não se adaptou. Em seguida, foi para um apartamento, que precisou ser devolvido para o proprietário por causa de um processo judicial. Por fim, encontrou um apartamento de dois quartos na região de Águas Claras.

Apesar da instabilidade, a servidora pública avalia ter tomado a atitude certa ao vender o imóvel próprio. "Eu não me arrependo, porque quitei o que tava me gerando uma certa angústia", explica.

 

"Seria bom se eu tivesse continuado no local, mas sempre me preocupei em ter tudo direitinho e estava com uma parcela grande do salário comprometida com as dívidas."

 

Veja a distribuição de domicílios por critérios de venda, aluguel e cessão no país em 2017

Veja a distribuição de domicílios por critérios de venda, aluguel e cessão no país em 2017 (Foto: Juliane Monteiro e Alexandre Mauro/G1)

Alta nas taxas de juros

 

Um fator que dificulta a compra dos imóveis é o endurecimento das linhas de crédito, dizem os moradores do DF. A consultora de vendas Luciana Guedes, de 33 anos, se surpreendeu ao financiar o terceiro imóvel e ver um cenário bem diferente do que estava acostumada: demora na finalização do contrato, exigência de entrada de pelo menos 50% e bancos privados com taxas menores que as de bancos públicos.

A saga de Luciana com os financiamentos começou em 2007, quando comprou o primeiro apartamento junto com as irmãs, em Valparaíso de Goiás (GO). A Caixa Econômica Federal permitiu o financiamento sem entrada.


Quando se casou, em 2014, Luciana comprou uma casa. O segundo imóvel também foi adquirido sem entrada. Ela lembra que até os valor da documentação foi incluído no montante financiado pelo banco. Em quinze dias, estava com a escritura e as chaves do imóvel.

Em 2016, Luciana e o marido decidiram se mudar para o Distrito Federal, onde ambos trabalhavam. Eles alugaram um apartamento no Guará, e um ano depois, em março de 2017, conseguiram vender a casa de Valparaíso. Logo recomeçou a busca pela casa própria. “Eu nunca fui fã de aluguel”, desabafa.

Depois de pesquisar em toda a Grande Brasília, Luciana notou que a facilidade para adquirir um imóvel não era mais a mesma. “Foi muito complicado. Não tá barato, taxa de juros muito alta, exigindo valor de entrada. Foi isso que assustou muito a gente”, conta.


Até a instituição que intermediou a compra teve que ser trocada. O casal encontrou uma taxa de juros mais alta na Caixa Econômica do que em um banco privado onde sequer tinham conta. Além disso, a Caixa pedia 90 dias para a finalização do negócio, enquanto o banco privado prometeu -e cumpriu- o término da compra em 30 dias.

Luciana teve que se adaptar, e após a entrada de 60% e a peregrinação por taxas mais amigáveis, a prestação do apartamento novo no Cruzeiro acabou ficando no mesmo valor do aluguel que o casal pagava no Guará.

“Como a gente conseguiu vender a casa deu uma boa entrada e financiou um terço pelo banco, mas se não tiver um bom dinheiro não dá mesmo.”

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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