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ADESIVOS OBRIGATÓRIOS NOS CARROS: Funcionários da TCB denunciam "assédio eleitoral" para campanha de ex-presidente a distrital

Segundo relatos, atual gestão da estatal obriga funcionários a grudar no carro adesivo de apoio à campanha do ex-chefe. André Brandão nega acusação; MP e TRE apuram caso.

O Ministério Público do Distrito Federal e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apuram uma denúncia de “assédio eleitoral” por parte do ex-presidente da TCB André Brandão.

Funcionários da empresa de ônibus estatal relatam que foram obrigados a grudar no carro um adesivo da pré-campanha dele para deputado distrital pelo Podemos.

De acordo a denúncia, quem se recusasse era ameaçado de exoneração.

A pressão teria começado com a chegada do novo presidente, Flávio Henrique da Costa, indicado por Brandão depois que ele deixou o governo, em abril, para se dedicar à campanha política. Todos negam as denúncias (veja o que eles dizem no fim da reportagem).

Uma funcionária da empresa conversou com o G1 em condição de anonimato. “Teve uma reunião para apresentar a candidatura dele. Lá, a equipe foi distribuindo os adesivos do carro e uma pessoa já saiu colando. Aqui na TCB, um comissionado ficava olhando quem não tinha adesivo. Para quem não ainda tinha, eles davam.”

Ainda segundo ela, havia ameaças contra quem não aceitava. “Questionaram uma funcionária que tirou o adesivo. Disseram que tinha que colocar. Falaram que estavam ‘preocupados’ com ela porque não tinha nem adesivo nem curtia as redes sociais. Foi exonerada depois.”

Outra funcionária relatou ao G1 que foi chamada duas vezes pela equipe ligada a Brandão na TCB questionando o apoio à campanha. Ela trabalhava na empresa havia quase 20 anos e foi recentemente exonerada.Carro na TCB com adesivo fazendo propaganda para campanha de André Brandão (Foto: Arquivo Pessoal)

“Me entregaram o adesivo perguntando se eu ‘estava com o Brandão’. Depois me chamaram no estacionamento perguntando se eu já iria apoiar alguma outra pessoa politicamente ou se poderia marcar uma reunião com ele. Acabei não colocando o adesivo, mas a maioria do pessoal que está lá ainda sentiu que, se não fosse trabalhar para a campanha, seria exonerado também.”

O que diz a lei

 

No entendimento do TRE, os adesivos ostentados nos veículos “não caracterizam propaganda eleitoral antecipada”, por si só. No entanto, a legislação eleitoral é ferida se envolver “pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos”.

Por isso, o tribunal disse ao G1 que o Ministério Público Eleitoral vai investigar se houve, de fato, essa cobrança por votos. “Tal fato, a toda evidência, viola a legislação eleitoral, mas não há como ser verificado unicamente pelas imagens encaminhadas, notadamente em razão de referidos veículos estarem ostentando os adesivos em razão de seus proprietários ou condutores assim desejarem.”

Se a irregularidade for confirmada, o TRE pode aplicar sanções que vão desde multa até a cassação da candidatura.

Outros lados

 

O ex-presidente da TCB André Brandão negou as acusações e diz que elas representam perseguição política. “Isso é mentira. Não existe. Qualquer pessoa que tenha feito isso em meu nome terá que responder. Não obrigo ninguém a fazer apoio político. Não é meu perfil. Não achaco pessoas. Isso é coisa de achacador.”

O atual presidente, Flávio Henrique da Costa, também negou o caso e disse que apenas um terço dos carros no pátio da empresa tinha os adesivos. Em nota, a TCB afirmou que “qualquer irregularidade, se confirmada, acarretará no afastamento imediato do envolvido, além de responder pelas ações que lhe forem imputadas”.

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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