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BRASÍLIA AMARELA: Palco do último show dos Mamonas, capital federal recebe cover de fãs nesta quarta

Integrantes da banda morreram em acidente aéreo em 2 de março de 1996. Turnê de admiradores reconstruirá apresentações entre março e junho.

Palco do último show dos Mamonas Assassinas, Brasília recebe nesta quarta-feira (2) um show para lembrar os 20 anos da morte dos integrantes do grupo.

 

 

O evento acontece no pub Stadt Bier e é organizado pelo fã clube “Brasília Amarela”. A entrada custa R$ 20, e a apresentação começa às 22h.


De acordo com a organização, a ideia é reconstruir os shows feitos pelos mamonas na  turnê “O impossível não existe” entre março e maio. “Será um show muito emocionante e estamos preparando muitas surpresas”, disse em comunicado na web.


O jatinho usado pela banda – formada pelo vocalista Dinho e os músicos Júlio Rasec, Bento Hinoto, Sérgio Reoli e Samuel Reoli – se chocou contra a Serra da Cantareira depois de uma apresentação no estádio Mané Garrincha. O grupo lançou um único álbum. Entre os sucessos está “Pelados em Santos” e "Robocop gay".


Brasília amarela dos Mamonas Assassinas foi resgatada e peças usadas para criar novo carro (Foto: Fábio Tito/G1)
Brasília amarela dos Mamonas Assassinas foi resgatada e peças usadas para criar novo carro

Mãe de Dinho, Célia Alves disse ao G1 ter aprendido a conviver com a dor da perda. "O mesmo Deus que permitiu a eles fazerem aquele sucesso todo olhou para eles e disse: ‘Meninos, vocês são bons, só que chegou o tempo. Olha, venham todos vocês. E levou. A gente não vai discutir com Deus. Deus é Deus e a gente é ser humano."


A família de Dinho resgatou há quatro meses a Brasília amarela que se tornou símbolo da banda desde o lançamento de “Pelados em Santos” em 1995. O veículo original foi leiloado, depois abandonado, e então virou sucata. Depois de recuperar o automóvel, a família aproveitou as peças para recriar o carro amarelo em um chassis de outra Brasília.


mbrião dos Mamonas foi uma banda de rock pop que se inspirava em Legião Urbana e Cazuza: o Utopia. A primeira formação contava apenas com Bento Hinoto e os irmãos Reoli. Em um show no Parque Cecap, bairro próximo de Cumbica muito frequentado por adolescentes, os músicos receberam um pedido dos fãs: tocar “Sweet Child O’Mine”, sucesso dos Guns N’ Roses.

 

“O Dinho disse que sabia cantar a música em inglês, subiu lá no palco. Não sabia, mas sabia improvisar. Aí convidaram ele para a banda e ele foi”, disse o pai do cantor, Hidelbrando Alves. Depois entraram o tecladista Márcio Araújo e Júlio Rasec (um “roadie” que fazia de tudo um pouco, desde ajudar em percussões até filmar e dirigir o clipe da banda).

Com sucesso no Parque Cecap, eles foram até o estúdio de Rick Bonadio, então jovem produtor musical. “Era um rock influenciado pelos anos 80, embora estivéssemos no início dos anos 90. As letras eram sérias e até tristes e os, meninos muito divertidos.” Com seis músicas, o LP teve tiragem de mil cópias. Destas, apenas 100 foram vendidas. ““O Dinho dizia que Utopia era mundialmente conhecido no Parque Cecap”, brincou Hidelbrando.

Isso não desanimou os músicos. “Se eles tivessem desanimado, teriam procurado outra profissão. Mas o Dinho falava: ‘Não, eu vou ser famoso, eu vou fazer sucesso’. Sempre com aquela garra”, lembrou Célia.

A transição entre Utopia e Mamonas ocorreu aos poucos. Enquanto não conseguia viver só da música, Dinho trabalhou como assessor parlamentar do vereador guarulhense Geraldo Celestino. Durante campanha em 1994, o jovem atuou como mestre de cerimônias, fazendo imitações de famosos, como o boxeador Maguila e Luiz Inácio Lula da Silva. “Naquela época podia fazer shows. Ele então lançou lá a música ‘Robocop’”, disse em entrevista ao G1 por telefone.

Mamonas Assassinas (Foto: Fernando Hinoto / Arquivo Pessoal)
Mamonas Assassinas

Segundo Bonadio, a ideia de gravar essa e outra composição sua, “Mina”, surgiu em uma noite, quando uma dupla sertaneja desmarcou sessão no estúdio do produtor. Dinho pediu para gravar as músicas debochadas, com arranjos bregas à la Reginaldo Rossi, para um churrasco que iria no dia seguinte.


Ao se deparar com as músicas, o produtor adorou. “Ri muito e eu resolvi ligar para termos uma reunião com a banda toda. Nessa reunião eu disse a eles que compusessem mais músicas naquele estilo e que, se misturássemos essas coisas engraçadas com rock, eu conseguiria uma gravadora”, afirmou o produtor. A banda, então, adaptou as duas músicas e surgiram “Pelados em Santos” e “Robocop Gay”.


Em seguida vieram “Vira” e “Jumento Celestino”. “Essa aí foi uma zoeira comigo. Disseram que era uma homenagem, mas foi zoeira mesmo”, disse o vereador Celestino. “A música fala de um cara que vem da Bahia para São Paulo. Eu nasci no Paraná.”


A banda queria manter o nome Utopia. Bonadio afirmou que isso não seria possível e pediu para que inventassem um novo nome. Nasceu, então, Mamonas Assassinas do Espaço. O “do Espaço” foi retirado, mantendo-se apenas os primeiros dois nomes. A inspiração para o batismo veio de duas frentes: a planta mamona e uma mulher com seios grandes. “Foi homenagem à Mary Alexandre, que era nossa musa inspiradora na época”, acrescentou o produtor.


As músicas foram um sucesso e uma gravadora se dispôs a mixar um disco. Para que isso ocorresse, porém, eram necessárias mais dez canções. “No papel ele tinha quatro músicas. Na cabeça tinha umas quatro mil. Ele falou: ‘Me dá uma semana que eu faço’”, lembrou Hidelbrando.


A transformação do Utopia foi mais ampla. O tecladista Márcio Araújo saiu, deixando para Júlio Rasec o comando do instrumento. A aparência deles também mudou: no lugar dos cabelos comportados e das roupas estilo roqueiro, os Mamonas adotaram cabeleira colorida, perucas e chapéus espalhafatosos, vestidos de mulher, fantasias de Chapolin, de presidiários, entre outras.


As músicas debochadas e as roupas coloridas chamaram a atenção de um público diferente: as crianças. Para a mãe de Dinho, isso foi natural. “É muito bonito o que eles fizeram. O jeito que eles cantavam, o jeito que eles brincavam, as crianças guardaram aquilo em mente. Uma brincadeira sadia. Que as crianças curtiam.”

 

Fonte: *G1 - Clipping

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