Image and video hosting by TinyPic

 

Image and video hosting by TinyPic

 

compartilhar

BALANÇO: Adolescentes estão cada vez mais abandonando as escolas a cada ano

Número de 2015 é 10% maior que o de 2014. Pesquisas apontam reprovação, trabalho e gravidez como alguns dos principais motivos. No ano passado foram mais de 7 mil.

Mais de sete mil alunos abandonaram as escolas públicas em 2015: 10% a mais que no ano  anterior.

 

Reprovação e inserção no mercado de trabalho estão entre as principais causas apontadas por estudos e pela Secretaria de Educação.

 

Aqui, os jovens fora da escola entre 15 e 17 anos, que deveriam estar no Ensino Médio, sequer concluíram o Ensino Fundamental e isso é uma tendência identificada em 52% dos 1,3 milhão de jovens nas mesmas condições em todo o Brasil. 


Na ponta do lápis, 7.434 alunos entre 15 e 17 anos que estavam regularmente matriculados em 2014 não voltaram às salas de aula em 2015 na Grande Brasília: 678 a mais que o ano letivo anterior, quando foram 6.756.

 

 

As maiores evasões em números absolutos aconteceram justamente nas cidades-satélites mais populosas, como Ceilândia e Taguatinga.

Em números relativos, porém, o Paranoá é o que mais perde alunos, segundo o subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação da Secretaria de Educação, Fábio Pereira de Sousa.

Os números deste ano devem ser conhecidos no segundo semestre.    


Emprego

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, publicada pelo IBGE em 2013, indica que 19 mil das 134 mil pessoas entre 15 e 17 anos estavam afastadas da sala de aula no Distrito Federal.


Indicadores de 2014 constataram que 7% desses jovens não estudavam nem trabalhavam, 6% estavam afastados da escola e em busca de emprego e 3,4% só trabalhavam. 


O subsecretário Fábio Pereira de Sousa garante que, tal qual a tendência nacional, a maior parte dos alunos que evadem nessa faixa etária não chegou a terminar o Ensino Fundamental, e que atrasaram o estudo por diversos fatores, como reprovação. É nessa etapa da educação formal que há o maior índice de distorção idade série, crescente  no período final, do 6º ao 9º ano, “quando é uma fase mais complicada da adolescência”, ressalta.


Ponto de vista

Para o especialista em Educação Afonso Galvão, o aluno que evade tem perfil bem definido: sofreu reprovações sucessivas; a família, que constantemente é monoparental, não se envolveu com a educação e   tem uma situação socioeconômica desprestigiada; e o jovem está em séria situação de risco psicossocial.


De acordo com o estudioso, a maioria teve uma má educação básica, o que faz com que “acumule  um déficit cognitivo de modo que o insucesso repetido leva à desesperança e ao abandono, seja para ingressar no mercado de trabalho ou para entrar em condições de marginalidade”.  


A única solução, diz, é tornar a escola mais atraente e fazer modificação radical no conteúdo escolar, que não prepara o aluno para a vida.


Arrependimento virá em algum momento

O subsecretário Fábio Pereira de Sousa  acredita que “em algum momento da vida, o jovem vai perceber a necessidade do estudo”. “Nos últimos três anos, percebemos um grande numero de jovens de 15 e 16 anos indo para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) para concluir o Ensino Fundamental. Grande parte conclui antes dos 17 anos”, revela.

 

Aqueles que abandonam o Ensino Médio são mais velhos, com mais de 23 anos. “Muitas vezes, o jovem está desestimulado com o rendimento escolar, há necessidade familiar de trabalho e não dá conta de conciliar. Incentivamos cada vez mais os menores aprendizes e estágios vinculados com as escolas, que cobram rendimento e presença do aluno”, explica  Sousa. 


Educação X Emprego 

Duas pesquisas recentes traçaram o perfil do jovem fora da sala de aula. O estudo "Juventudes na escola, sentidos e buscas: Por que frequentam?", realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, constatou que a maior justificativa para o abandono escolar é a necessidade de trabalho (21,4%), sendo que 36,6% eram homens e 20,9% mulheres.

 

O motivo foi identificado também pelo Instituto Unibanco com base nos dados do IBGE de 2014, em que 63% dos homens e 12% das mulheres abandonaram a escola antes de concluir o Ensino Fundamental. 


Aulas X emprego e gestação precoce

Com 17 anos, Alan (nome fictício) compõe a estatística de evasão escolar. “Em 2014, eu comecei a trabalhar e tentei conciliar com o estudo. A escola ficava em Ceilândia, perto de casa, e o trabalho no Plano Piloto. Acordava muito cedo, chegava do serviço à noite e faltava muito a escola. Com a quantidade de faltas, eu já não poderia passar, então, em agosto, desisti. Eu não passaria mesmo”, justifica. 


Depois disso, Alan largou o emprego e diz que até tentou voltar para as aulas, mas não conseguiu vaga. O desânimo com os estudos surgiu, e uma nova oportunidade de trabalhar apareceu. “No ano passado, decidi que continuaria a trabalhar até completar os 18 anos e entrar para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Neste ano, eu volto a estudar de qualquer jeito. Não adianta focar no trabalho se posso ficar sem futuro digno por falta de estudo”, acredita. 


“Eu não queria estudar”

Era 2013 quando Ana (nome fictício) decidiu largar os estudos contra a vontade da mãe, que insistiu, em vão, para que a filha voltasse à escola. Moradora do Paranoá e ex-aluna de um colégio no Mestre D’Armas, hoje ela tem 17 anos e uma filha que acabou de fazer o primeiro aniversário. “Eu não queria estudar mesmo”, conta a jovem, se esquivando das perguntas. 


A irmã explica que a intenção era retornar à escola antes, mas a gravidez indesejada atrapalhou os planos: “Ela deixou os estudos e saiu de casa escondida. Foi morar na casa do namorado, o pai do bebê, e voltou quando descobriu que estava grávida”. Ana, porém, diz que agora quer voltar aos estudos e planeja ingressar no EJA ainda neste ano. 


Segundo o boletim Aprendizagem em Foco, do Instituto Unibanco, a gravidez precoce eleva em quase quatro vezes o risco de evasão e, de acordo com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, 18,1% das mulheres saíram por motivo de gravidez.


No Distrito Federal, o subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação da Secretaria de Educação, Fábio Pereira de Sousa, garante que é cada vez menor a desistência dos estudos por gravidez na adolescência. 

“Temos uma política de direitos humanos vinculada à gravidez na adolescência, quando é direito o afastamento de quatro meses, fazendo acompanhamento de atividades na residência e direito de levar o filho para a escola. Isso tem diminuído e são casos pontuais de abandono”, explica o subsecretário, sem dados precisos.


"Gosto de curtir", justifica adolescente

Maria (nome fictício) é moradora da Vila Estrutural e parou de estudar aos 12 anos, na quinta série do Ensino Fundamental. Naquela época, ela ia de ônibus   a uma escola no Guará. “Eu parei de ir porque fui presa. Fiquei 15 dias na unidade de internação e, depois, não quis mais voltar”, conta. 


Com um cigarro na mão direita, tatuagens pelo corpo e vestida com roupas íntimas, ela vive em um barraco de madeira repleto de mosquitos com outros nove irmãos e a mãe, que trabalha fora. 


Ela admite que não gosta de estudar, não trabalha e não sabe o que fará no futuro. “Gosto de curtir”, diz apenas. Já são quatro anos longe das salas de aula. “Me arrependo um pouco. Foi um tempo perdido”, afirma. 


O subsecretário Fábio Pereira de Sousa, da pasta da Educação, comemora uma conquista recente: “Desde 2014, temos escolas em todas as unidades de internação vinculadas a outro colégio. O jovem entra obrigado a comparecer à sala de aula e sai com a matrícula obrigatória como medida protetiva. Era um grande problema para a rede. O aluno ficava sem ensino e, quando retornava, não dava conta de acompanhar. É um círculo vicioso. Se não tem amparo, pode voltar a cometer delitos”.


Alunos de 15 a 17 anos que deixaram a escola

De 2013 para 2014

Ensino Fundamental:  2.197

Ensino Médio:  2.109 

EJA:  2.450

Total:  6.756

De 2014 para 2015

Ensino Fundamental:  2.501 

Ensino Médio:  1.988 

EJA:  2.945

Total:  7.434

(*Por:Jessica Antunes)

 

Fonte: *JBr - Clipping

COMENTÁRIOS