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HUB/UnB: Limpeza em obra parada do Hospital Universitário custou mais caro do que construção

Construção custou R$ 5,02 milhões à Universidade de Brasília desde 2005. Empresa contratada recebeu R$ 5,2 milhões para manutenção do prédio.

"Após a revisão do projeto, a obra será licitada e teremos a previsão de término" - Ebserh - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares , por e-mail.


O Hospital Universitário de Brasília (HUB) gastou mais com o pagamento de limpeza e conservação do Instituto da Criança e do Adolescente (ICA) do que com a construção do prédio.

 

A obra, que teve a construção iniciada há 13 anos, já custou R$ 5,02 milhões. Pelo serviço de limpeza – nunca feito, porque o prédio está no esqueleto de concreto, conforme revelou o G1 –, já foram gastos R$ 5,2 milhões.

 

Apesar de ter recebido por um serviço não prestado, a a empresa Dinâmica diz que o pagamento não representou prejuízo aos cofres públicos, porque remanejou os funcionários que atuariam na limpeza e conservação do prédio para outras áreas do HUB.

 

A Dinâmica pertence à família da ex-deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS).

Prédio do Instituto da Criança e do Adolescente, no Hospital Universitário de Brasília (Foto: Gabriel Luiz/G1)

Prédio do Instituto da Criança e do Adolescente, no Hospital Universitário de Brasília 


A administração da UnB, que fazia a gestão do hospital na época da assinatura do contrato de limpeza, afirmou que a empresa retirou entulhos da obra para evitar que o local tivesse água parada e roedores.

 

Ainda assim, diz ter afastado preventivamente dois gestores do contrato e instaurado uma sindicância para apurar eventuais irregularidades. Segundo a universidade, os responsáveis pelo acordo não quiseram se manifestar.


O contrato de serviço, a que o G1 teve acesso, não mencionava a possibilidade de remanejar o efetivo de trabalhadores para outras áreas.

 

O documento estipulava, por exemplo, que um consultório e a enfermaria – ambos previstos para ficar no segundo andar do ICA – deveriam ser limpos por R$ 9,8 mil mensais, durante todos os dias da semana.

A área administrativa receberia manutenção de segunda a sexta, durante 12 horas, por R$ 3,1 mil mensais.

Preços para limpeza no ICA em 2012 (Foto: Reprodução)
Trecho de contrato mostra preços referentes à limpeza no ICA em 2012

No subsolo, a limpeza do centro cirúrgico e da UTI estavam estipulados em R$ 28,4 mil por mês, também todos os dias da semana.

 

Já a higienização dos vidros – que nunca foram instalados – renderiam à Dinâmica R$ 1.920 mensais. Os valores, referentes ao contrato de 2012, foram calculados com base na área de cada espaço do prédio, considerando que ele estivesse em pleno funcionamento.


Em 2012, a Dinâmica recebeu R$ 1.090.799 para limpar o ICA. O valor foi reajustado ano a ano. Em 2013, passou para R$ 1.226.405, 12,4% maior do que o custo do ano anterior.

 

 

Em 2014, o preço pulou para R$ 1.407.192 – um reajuste de 29%. No ano seguinte, a previsão era de a empresa receber R$ 1.535.120 (40% mais do que o valor original do contrato), mas o contrato foi suspenso devido à “necessidade de reavaliar” os preços pelo serviço, segundo a UnB.

Tapumes velhos cercam a obra do ICA (Foto: Gabriel Luiz/G1)
Tapumes velhos cercam a obra do ICA

HUB e Ebserh
Na época da assinatura do contrato, o HUB era gerido pela Universidade de Brasília (UnB). A instituição passou para a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) – estatal vinculada ao Ministério da Educaçãocriada para gerenciar hospitais universitários federais – no início de 2013.


Desde a assinatura do contrato, a empresa recebeu R$ 36,3 milhões para a limpeza de todas as unidades do HUB, informou o hospital. O contrato atual vence em julho, e pode ser renovado por mais um ano. O hospital adiantou ao G1 que pode não renovar com a Dinâmica.


A administração do imóvel foi cedida para a Ebserh em novembro de 2015. A estatal que administra hospitais públicos diz ter iniciado processo para contratar uma empresa com o objetivo de rever o projeto de engenharia e arquitetura para “adequar às normas vigentes” porque ele tem mais de dez anos.


“Após a revisão do projeto, a obra será licitada e teremos a previsão de término”, afirmou a Ebserh. A empresa não informou a estimativa de gasto com o novo processo.

Bombeiros resgatam corpo de um dos operários que morreram soterrados em obra no Instituto da Criança e do Adolescente (ICA), do Hospital Universitário de Brasília, nestq quinta (21) (Foto:  Ed Ferreira/AE)Bombeiros resgatam corpo de operário que morreu soterrado na obra m 2011 (Foto: Ed Ferreira/AE)

O ICA começou a ser construído em 2003. As obras foram paralisadas por três vezes. Uma delas porque o contrato não foi cumrpido. A segunda quando três operários morreram soterrados no canteiro, em 2011.

 

Na terceira vez, o contrato foi rescindido porque "a empresa não cumpriu os objetos instituídos em contrato", informou a UnB. Inicialmente, a previsão é de que o ICA fosse custar R$ 3,26 milhões e ocupasse 6,2 mil m².


O projeto previa o funcionamento de Unidade de Terapia Intensiva e o centro cirúrgico no subsolo, setores de emergência e ambulatório no térreo e enfermaria, salas de isolamento e brinquedoteca no primeiro e segundo andares. Em vez disso, a obra permanece parada e cercada por tapume no terreno do HUB.


Antes da morte dos operários, a previsão era de que ele estaria em funcionamento no dia 12 de outubro de 2011, “data simbólica” por ser Dia da Criança, conforme chegou a anunciar a Universidade de Brasília em junho daquele ano.

“Temos que ter um pensamento global de como tratar a criança no DF. Este Instituto vai se encaixar perfeitamente no que pensamos e queremos em termos de atendimento de criança e adolescente do Distrito Federal”, chegou a dizer à agência UnB o então subsecretário de Programação e Regulação, Avaliação e Controle da Secretaria de Saúde, Lucas Cardoso Veras, quando se anunciou a data de inauguração.


Depois, a obra foi retomada no final de 2013 e a previsão era de que fosse finalizada em abril de 2014. No projeto, a previsão era de que o ICA incluísse atendimento emergencial, ambulatorial e cirúrgico. O espaço para internação deveria contar com duas enfermarias, com 80 leitos no total.

Obra parada do ICA (Foto: Gabriel Luiz/G1)
Obra parada do ICA 

 

Fonte: *G1 - Clipping

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