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OPERAÇÃO AQUARELA: Julgamento contra família Roriz é adiado para liberação de grampos telefônicos

'Existe possível divergência nos laudos da degravação', argumentou um dos advogados. Nova audiência está marcada para 17 de outubro.

O julgamento da Operação Aquarela, que acusa o clã Roriz de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um esquema de corrupção dentro do Banco de Brasília (BRB), foi adiado pela Justiça do Distrito Federal.

A decisão é para que as defesas tenham acesso à íntegra dos áudios das escutas telefônicas antes de começar a fase de interrogatório dos réus.

“Existe possível divergência nos laudos da degravação [por escrito]”, argumentou um dos um dos advogados durante a última audiência, na quinta-feira (20). “Os diálogos telefônicos colhidos nos meses que antecederam o trecho transcrito na denúncia têm grande impacto probatório em favor da defesa, e que tem direito de acessá-los antes de serem os acusados interrogados.”


O pedido foi acolhido pelo juiz André Ferreira de Brito, da 2ª Vara Criminal. Segundo ele, a defesa “possui a faculdade/direito de se manifestar diretamente ao juízo sobre todas as provas”.

Com isso, a oitiva dos ex-gestores do BRB e das filhas do ex-governador Joaquim Roriz – Weslliane Roriz e Jaqueline Roriz – só deve acontecer em 17 de outubro. O ex-governador também é réu, mas o processo está suspenso para ele porque ainda não definiu um advogado.


 

Relembre

 

De acordo com a acusação, o ex-governador Joaquim Roriz usou a influência política para intermediar a concessão e a repactuação de um financiamento de R$ 6.742.438,84 no BRB para beneficiar a construtora WRJ Engenharia.

Em troca, os donos da empresa entregaram 12 apartamentos no condomínio residencial Monet, diz o Ministério Público. Os imóveis teriam em seguida sido divididos entre demais membros da família Roriz.

O residencial Monet, em Águas Claras — Foto: TV Globo/Reprodução O residencial Monet, em Águas Claras 

As investigações da Operação Aquarela começaram em junho de 2007, com a apreensão de documentos, computadores e dinheiro pela Polícia Civil dentro do banco.

Mais de 20 pessoas foram presas, inclusive em outros estados.

O caso chegou ao tribunal no mesmo ano, quando Roriz era senador pelo PMDB.

Na época, ele foi flagrado em escutas telefônicas com Franklin de Moura, que estava preso sob suspeita de comandar um esquema de desvio de dinheiro de cartões de crédito.

As investigações levaram Roriz a renunciar ao mandato no Congresso Nacional para evitar o processo de cassação na Casa. Na época, ele foi apontado como beneficiário de um cheque de R$ 2,2 milhões descontados no BRB num episódio que ficou conhecido como "Bezerra de Ouro".

 

Fonte: *Via G1/Clipping

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