Problemas respiratórios e desidratação, entre outros, atingem mais a crianças, idosos e pessoas que trabalham expostas ao sol, no período de seca. Especialistas explicam os motivos. Exposição à baixa umidade e a altas temperaturas aumenta o risco de desidratação grave.

Exposição à baixa umidade e a altas temperaturas aumenta o risco de desidratação grave. Na foto, Alex Oliveira, vendedor de picolé -  (crédito:  Ed Alves/CB/DA.Press)

O Distrito Federal  passou dos 70 dias sem chuva e a secura, típica desta época do ano, exige cuidados extras com a saúde, sobretudo para grupos mais vulneráveis, como idosos e crianças. A umidade relativa do ar está chegando à faixa dos 20%, nos últimos dias. Trabalhadores que atuam expostos ao sol também precisam ter atenção.

Thallys Ramalho, coordenador da pediatria do Hospital Santa Helena, da Rede D'Or, explica que crianças e idosos, mesmo quando desidratados, não costumam sentir sede para uma reposição efetiva do déficit de água. "A pele mais fina de idosos e bebês colabora também para o aumento da perda insensível de água, que acontece por meio da pele. Nessas faixas etárias, a desidratação pode ter consequências mais graves, por exemplo, insuficiência renal", alerta o especialista. 

Em relação aos trabalhadores que atuam expostos ao sol ou em ambientes externos, o risco é de desidratação grave, devido à exposição à baixa umidade do ar e a altas temperaturas, como tem ocorrido nas tardes da capital.  

Ramalho elenca alguns cuidados essenciais para a saúde no período de estiagem, como tomar água com frequência e ter atenção à quantidade de urina e cor. "A redução do volume de urina e diminuição da quantidade, são indicativos de maior necessidade de água", explica.  

A pneumologista do Hospital DF Star Milena Zamian Danilow destaca  que a umidade baixa apresenta maior risco de doenças, principalmente as respiratórias, cutâneas e oculares. "Devido à perda de umidade das secreções que revestem as mucosas das vias aéreas, há diminuição da capacidade de defesa contra microrganismos, predispondo a infecções respiratórias. A maior quantidade de poeira suspensa no ar é um fator agravante e afeta principalmente os portadores de asma e rinite", detalha a médica. 

Aqueles que trabalham ao ar livre são mais vulneráveis por causa da exposição ao vento e ao sol, o que aumenta a perda de líquidos corporais e acentua a desidratação. Milena sublinha a importância de se  evitar esforços extenuantes durante o período mais quente do dia, que vai das 10h às 16h. "Também é recomendado o uso de protetores solares, chapéus e roupas que garantam proteção da pele à exposição solar", elenca. 

O otorrinolaringologista da clínica OtorrinoDF e membro associado da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia (ABOC), Stênio Ponte, aponta que idosos e crianças têm risco aumentado porque  possuem  constituição de água no corpo proporcionalmente mais importante do que um adulto normal. "A falta de quantidade ingesta de líquido afeta essas pessoas  em uma velocidade maior. Uma criança desidrata de um dia para o outro, assim como o idoso", observa. 

Para os idosos, a hidratação ganha mais importância por conta das estruturas fragilizadas do corpo. A ingestão de água acaba sendo importante, também, para a recomposição dos ossos e músculos. "Já as crianças podes ter dificuldade de manifestar vontade de beber água", alerta Stênio, que recomenda o aumento do consumo de água. "Quem bebe 2 litros diariamente, deve passar a beber 3,5 a 4 litros". 

Cautela

A dentista Amanda Leme tem um desafio duplo em casa: manter hidratados os dois filhos pequenos, Luísa, de 2 anos, e Joaquim, de três meses. Os pequenos sofrem com congestionamento nasal neste período do ano, problema que ela minimiza com a aplicação de soro fisiológico nas narinas. 

Luísa sempre anda com uma garrafinha com água — em casa e quando sai com um adulto. A menina se acostumou a beber água com frequência e já pede pela garrafinha. "Tem que ter incentivo dos pais, que devem reforçar a importância de beber água", aconselha a dentista.

Roberto Dias, 40, vende doces, salgadinhos e bebidas em um ponto de ônibus na Epig. "Com sol ou chuva, sempre estou aqui", afirma o vendedor. Ele fica exposto ao sol boa parte do dia, pois trabalha das 13h às 20h, diariamente. "Bebo quatro litros de água por dia. Um de manhã, dois à tarde, porque é mais quente, e mais um litro à noite", diz. 

Ele nunca passou mal por causa da secura, mas percebe que a respiração é mais difícil, o que não o impede de praticar capoeira e corrida de rua. "Em dias de treino, bebo um litro extra de água para garantir a hidratação", conta.

Principais precauções

» Beber água com frequência;

» Preferir dietas leves;

» Lavar as narinas com soro fisiológico à temperatura ambiente;

» Usar colírios lubrificantes
para os olhos;

» Usar protetor solar, chapéus e roupas que garantam proteção da pele;

» Hidratar a pele, pelo menos, após o banho;

» Evitar grandes esforços nas horas mais quentes do dia — 10h às 16h.

Fontes: (*Clipping:Correio; Thallys Ramalho, pediatra; Milena Zamian Danilow, pneumologista