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DIA MUNDIAL DO CÂNCER: Diagnóstico rápido devolve tempo e esperança a pacientes de Brasília

Publicada em: 05/02/2026 09:39 -

 Programa do GDF reduz filas, antecipa tratamentos e muda a trajetória de quem enfrenta a doença no SUS.

Gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do GDF (IgesDF), o Hospital de Base foi o primeiro serviço da rede pública a realizar a avaliação inicial dos pacientes que se enquadravam nos critérios do programa.

 Aos 31 anos, André Luiz Bezerra viu a rotina virar do avesso. Trabalhando na pista do Aeroporto de Brasília, ele começou a sentir um incômodo na região do rosto e, em pouco tempo, veio a suspeita de câncer. O diagnóstico foi rápido. O impacto, profundo.

A expectativa inicial era simples: resolver tudo com uma cirurgia. André chegou a ser internado e aguardava o procedimento quando novos exames mudaram completamente o rumo da história. Os médicos identificaram metástase no pulmão, quando a doença se espalha para outros órgãos.

A cirurgia foi descartada. O tratamento precisaria começar o quanto antes.

Veio a alta hospitalar e, com ela, o medo da espera. “Quando a gente recebe um diagnóstico desses, cada dia conta”, resume André. Foi nesse momento que a agilidade do programa “O Câncer Não Espera. O GDF Também Não”, fez a diferença.

Chamado para a primeira consulta, André iniciou a quimioterapia e deu sequência ao tratamento. Hoje, é acompanhado pelo Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e realiza sessões de radioterapia no Hospital Anchieta, unidade privada conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do programa. “O que mais me marcou foi não me sentir sozinho. Ser atendido rápido muda tudo”, diz.

Menos espera, mais chance de cura

A história de André se repete em milhares de atendimentos no Distrito Federal. Lançado em julho de 2025, o programa do Governo do Distrito Federal (GDF), executado pela Secretaria de Saúde, mudou a lógica do atendimento oncológico no SUS: reduziu filas, acelerou diagnósticos e antecipou o início do tratamento.

Dados da Secretaria de Saúde, divulgados no site oficial do programa mostram que o tempo médio de espera para a primeira consulta oncológica caiu de cerca de 80 dias para 15, uma redução superior a 80%.

A fila de pacientes aguardando atendimento também diminuiu de forma expressiva: de mais de 1.500 pessoas para cerca de 194, com tendência contínua de queda.

“O tempo, que historicamente sempre foi um dos maiores inimigos de quem enfrenta o câncer, passou a ser tratado como prioridade absoluta na rede pública do Distrito Federal”, afirma o secretário de Saúde, Juracy Lacerda. “A elaboração e implantação de uma linha de cuidado oncológica estruturada permitiu avanços concretos na organização do acesso, na integração das etapas assistenciais e na continuidade do tratamento, reduzindo atrasos, qualificando a resposta clínica e ampliando os ganhos assistenciais para a população".

 Hospital de Base

O Hospital de Base do Distrito Federal teve papel decisivo na implantação do programa. Gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do GDF (IgesDF), o Hospital de Base foi o primeiro serviço da rede pública a realizar a avaliação inicial dos pacientes que se enquadravam nos critérios do programa.

Segundo o chefe da Oncologia do hospital, Victor Oliveira, a avaliação inicial foi essencial para organizar o atendimento. “Nosso papel foi identificar o perfil dos pacientes que poderiam ser atendidos na rede privada conveniada ao SUS, especialmente aqueles com chance de cura”, explica.

Durante quatro meses, o Hospital de Base realizou 403 avaliações iniciais, direcionando os pacientes para tratamento na rede pública ou para hospitais e clínicas particulares conveniadas ao SUS, conforme o perfil clínico. Atualmente, a avaliação inicial passou a ser realizada exclusivamente pela Oncoclínicas, conveniada ao SUS, e o atendimento é organizado de forma compartilhada entre a rede pública, os serviços conveniados e a Secretaria de Saúde.

“O tempo, que historicamente sempre foi um dos maiores inimigos de quem enfrenta o câncer, passou a ser tratado como prioridade absoluta na rede pública do Distrito Federal”

Juracy Lacerda, secretário de Saúde do DF

Além da avaliação inicial, o Hospital de Base ampliou sua capacidade de atendimento. Entre julho e dezembro de 2025, foram realizadas 810 consultas de primeira vez, mais de 12 mil consultas de retorno, 5.214 sessões de quimioterapia ambulatorial e 289 quimioterapias em regime de internação.

“Houve ampliação de vagas ambulatoriais, aumento de leitos e maior volume de atendimento na sala de quimioterapia”, detalha Victor. “Agora, seguimos alinhados com as equipes cirúrgicas para dar continuidade ao tratamento dos pacientes.”

Atenção aos sinais

No Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é uma das principais armas contra a doença e destacam a importância de procurar atendimento médico diante de sinais persistentes ou fora do padrão. Perda de peso sem causa aparente, sangramentos anormais, nódulos, feridas que não cicatrizam, tosse prolongada, alterações intestinais e dores contínuas estão entre os principais alertas. “Nem todo sintoma é câncer, mas todo sinal persistente precisa de avaliação médica”, orienta o oncologista Victor Oliveira.

A recomendação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Havendo suspeita clínica ou exame sugestivo, o paciente é inserido em fila única pela Central de Regulação do GDF, responsável por organizar os encaminhamentos e atendimentos especializados, e passa por avaliação especializada. A partir da definição de prioridade, o tratamento é iniciado na rede pública ou em serviços credenciados.

Para quem vive o diagnóstico de um câncer, o impacto é devastador. “Assusta muito, mas esperar sem resposta assusta ainda mais”, diz André Luiz Bezerra. “Começar o tratamento rápido me deu força para enfrentar e ter esperança”, desabafa.

 

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