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GDF DIZ QUE 'CONVERSA': Professores fazem protesto por melhores condições de trabalho

Publicada em: 20/03/2026 07:10 -

O intuito é equiparar o salário base dos professores e orientadores educacionais à média dos demais servidores públicos do GDF com a mesma escolaridade, meta prevista no Plano Distrital de Educação.

Quinze mil professores temporários, salas de aula lotadas, educadores sem apoio e uma categoria que já fez duas greves no atual governo sem ver reposição salarial significativa.

Esse é o cenário que levou os professores da rede pública do Distrito Federal a se reunirem em assembleia do 'SinPro-DF' para cobrar mudanças nas condições de trabalho na área de educação

A primeira assembleia geral com paralisação de 2026 aconteceu no estacionamento do Eixo Cultural Ibero-Americano.

 Não houve decretação de greve.

O encontro aprovou o calendário de lutas 2026 da categoria, que inclui: zerar o banco de aprovados no último concurso para professores efetivos, que aconteceu em 2022; novo concurso público para suprir a carência de profissionais em diversas áreas; reestruturação da carreira; celeridade e desburocratização de aposentadoria aos profissionais da Secretaria de Educação; combate à militarização das escolas e a favor da gestão democrática. 

A reestruturação da carreira do magistério é uma das principais pautas da categoria.  

A finalidade é equiparar o salário base dos professores e orientadores educacionais à média dos demais servidores públicos do GDF com a mesma escolaridade, meta prevista no Plano Distrital de Educação (PDE).

A categoria ainda recebe salários abaixo da média.

Entre as mudanças reivindicadas está a redução dos níveis da tabela salarial de 25 para 15, com progressão a cada três anos. Na prática, isso significa que os professores chegariam mais rápido ao topo da carreira com impacto direto no cálculo da aposentadoria.

A categoria também cobra a regulamentação da gratificação de coordenação pedagógica (GaCoP), hoje fixada em R$ 300, valor que, segundo o sindicato, é perdido assim que o professor deixa a função. 

Professores alfabetizadores que atuam nos anos iniciais e no primeiro segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) reivindicam a Gratificação de Atividade de Alfabetização (GAA). 

Já os que trabalham com alunos com deficiência ou transtornos em escolas regulares cobram a garantia da Gratificação de Atividade de Ensino Especial (GAEE), benefício que, atualmente, não é assegurado a todos que exercem essa função.

Professores temporários

A quantidade de professores temporários na rede pública do GDF é outro ponto central do debate.

São 15 mil contratos temporários ativos, e os impactos dessa realidade se fazem sentir dentro das salas de aula.

Na Escola Classe 115 Norte, o professor Janio Alcantara, de 57 anos, que é coordenador pedagógico, estima que entre um terço e 45% do corpo docente é formado por temporários.

Na escola onde leciona, a pedagoga Ingrid Santos, 29 anos, esse número chega a 50%.

Um dos impactos principais é a descontinuidade do ensino, que afeta o aprendizado das crianças, afirma Jânio.

Para ele, a precariedade do vínculo também impacta o próprio professor: sem estabilidade, o temporário tem menos condições de se dedicar ao trabalho.

A categoria reivindica a nomeação de todos os aprovados no concurso público de 2022 — mais de 2 mil pessoas ainda aguardam a convocação. Das três mil nomeações realizadas recentemente, 718 candidatos não tomaram posse.

O 'SinPro -DF' também cobra a realização de um novo concurso público para suprir a carência de profissionais em diversas áreas da rede.

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Dentro das escolas

A lotação das salas de aula é um dos problemas mais citados pelos docentes. Jânio Alcantara observa o problema de perto. “As classes aumentam”, diz. Cerca de 15% dos 300 alunos da escola têm alguma deficiência ou Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), e o apoio disponível se resume ao monitor ou Educador Social Voluntário, cargo que, segundo Jânio, é precarizado e insuficiente para a demanda.

No Centro de Ensino Médio Paulo Freire, o professor de matemática Luan do Planalto, 24 anos, divide oito turmas de segundo ano com cerca de 40 alunos cada. “É muito ruim, pois é um colégio que tem muitos alunos e as salas são pequenas”, conta. Uma das estudantes é usuária de cadeira de rodas e cega, e só conseguiu monitor de apoio neste ano.

professores df prostesto2Para Meicar Carvalho, professora de Educação Física no Centro de Ensino Infantil 01 de Ceilândia, o problema vai além dos números.


“O professor se sente desamparado”, afirma. “Não tem condição de alfabetizar uma criança com a sala de aula lotada.

O adoecimento da categoria é consequência direta desse cenário. Andressa Vieira, 37 anos, pedagoga com 14 anos de rede, viveu isso na pele: teve burnout enquanto estava na direção de uma escola. Ela não é exceção. Nájila Mota, professora de quinto ano, nunca se afastou por questões de saúde mental, mas faz questão de ressaltar: “ainda não me afastei”, brinca, sem esconder o peso da frase.(*JBr/UniCEUB)

 

 

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