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"TREINAMENTO DE CÃES-GUIA": Projeto de 'formação dos animais' para promover autonomia a deficientes visuais

Publicada em: 09/06/2026 13:22 -

 Filhotes de golden retriever, pastor-alemão e labrador passam por habilitação, com processo de socialização e treinamento especializado, para atuar como escudeiros de pessoas com deficiência.

O projeto de formação de cães-guia do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CB-DF) deu mais um passo nesta semana: sete filhotes foram entregues para socialização com famílias temporárias e outros 11 passarão por treinamento especializado.

A iniciativa foi retomada em agosto do ano passado, com a inauguração do centro de treinamento de cães da corporação, e visa capacitar os animais para garantir autonomia e segurança a pessoas com deficiência visual.

Os sete filhotes entregues para socialização são da raça golden retriever, que nasceram a partir do cruzamento de cães com aptidão para o trabalho.

A “ninhada D” recebeu nomes que seguem a organização alfabética adotada pelo projeto: Duda, Delta, Dacota, Dora, Dom, Dante, Draco e Dexter.

Agora, os animais passam a viver com famílias voluntárias para a etapa de socialização, com duração de dez a 12 meses, considerada fundamental para a formação de cães-guia.Os sete filhotes entregues para socialização são da raça golden retriever e integram a "ninhada D" 

O capitão Jean Charles Meireles dos Santos explica que, durante o período, os animais convivem em ambiente doméstico para desenvolverem comportamentos básicos, adaptação a diferentes estímulos e obediência. “É o momento em que o cão sai de bebê até ficar adulto, mas numa vida normal, convivendo com a sociedade, indo e vindo aos lugares a que as pessoas vão”, observa. Três labradores também estão em processo de socialização, com previsão de término para outubro deste ano.

Um dos filhotes da 'ninhada D' será recebido na casa da economista Júlia Conter, 50 anos. Em fevereiro, ela pegou a labradora Cora e, nesta semana, iniciou o processo com a golden retriever Dora. “Tem quatro meses que estamos com a Cora; e, quando fiquei sabendo da ninhada nova, decidi pegar também. São ótimas companhias para a minha golden retriever, que tem dez anos, e animam a nossa casa. O principal é que é uma missão muito bonita, estamos contribuindo com a segurança de alguém”, conta Júlia.Júlia Conter já recebeu a labradora Cora e, agora, se prepara para também acolher a golden retriever Dora

A rotina com as duas cachorrinhas engloba tanto atividades externas como estímulos dentro de casa. “Levo elas para todos os lugares a que posso: supermercado, padaria, farmácia, escola, trabalho. E no dia a dia, as três cachorras brincam o tempo todo”, revela a economista. “Elas serão os olhos de um cego. Vão ajudar a se movimentar melhor, caminhar na rua, tudo mesmo. Tenho certeza de que serão ótimas cães-guia”.

Já entre os 11 cães que agora passarão por treinamento especializado há sete pastores-alemães, nascidos na corporação, e quatro labradores, recebidos por doação. Essa fase dura entre seis e oito meses e inclui comandos avançados, obediência, mobilidade urbana e identificação de riscos. Depois, os animais são encaminhados para a fase de adaptação com os futuros tutores.

Dia internacional do cão-guia: momento de ressaltar sua importante atuação

“O cão vai aprender a conduzir alguém. Ele é treinado para proteger o tutor, evitar que ele caia em um buraco, tropece em um obstáculo ou até mesmo colida com estruturas mais altas"

Jean Charles Meireles dos Santos, capitão

Segundo Santos, o treinamento especializado tem como finalidade preparar os animais para conduzir pessoas com deficiência visual de forma segura e autônoma. “O cão vai aprender a conduzir alguém. Todo esse processo foca principalmente a condução segura. Ele é treinado para proteger o tutor, evitar que ele caia em um buraco, tropece em um obstáculo ou até mesmo colida com estruturas mais altas”, detalha.

Dois cães-guia já foram entregues a pessoas com deficiência visual desde a retomada da iniciativa: são os labradores Bento e Tom, que foram doados para a corporação com um ano de idade. O atleta paralímpico Leonardo Moreno, 41, recebeu Tom, hoje considerado seu fiel escudeiro. “O trabalho com as famílias socializadoras é muito importante, ajudam muito no preparo dos nossos parceiros”, diz.

Leonardo reforça a importância do animal para a segurança e conforto de pessoas com deficiência visual: “O cão é preparado para reconhecer obstáculos baixos, médios [na altura da cintura] e aéreos [na altura da cabeça]. Com a bengala só consigo rastrear o obstáculo, correndo o risco de bater o rosto. O cão não deixa isso acontecer. É meu parceiro 24 horas”, comenta.Leonardo Moreno conta com o auxílio do labrador Tom: "É meu parceiro 24 horas"

Serviço essencial

Além da formação dos cães, o CB-DF investe na qualificação de profissionais para garantir a continuidade do projeto. Quatro militares estão em processo de capacitação para se tornar treinadores e instrutores de cães-guia. “Cada um deles ficará responsável por acompanhar cerca de três cães. Todo esse treinamento é muito complexo e exige excelência. Um cão treinado de maneira errada pode colocar em risco a segurança de uma pessoa com deficiência visual”, esclarece o major João Gilberto Silva Cavalcanti.

A metodologia aplicada, de origem canadense, foi aprendida por militares em intercâmbio internacional e permite que os cães sejam treinados para fazer qualquer trajeto necessário. Com a inauguração do centro de treinamento, o serviço ocupa um patamar de referência nacional na formação de cães de assistência, em um espaço que já prepara os animais para auxiliar pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e deficientes visuais, além de promover a inclusão social e o bem-estar animal.

As famílias são escolhidas após processo seletivo que avalia o ambiente e o comprometimento de todos os integrantes da casa

Para assegurar o sucesso da socialização, as equipes dos Bombeiros fornecem orientação, acompanhamento técnico e custeio de despesas como alimentação do animal e cuidados veterinários, o que contribui para a adesão das famílias. As famílias são escolhidas após processo seletivo que avalia o ambiente e o comprometimento de todos os integrantes da casa. Durante o processo, os tutores são identificados por meio do crachá, e os cães, com o lenço.

Os animais são destinados para pessoas com deficiência visual com base em uma lista de espera e, após a entrega, a responsabilidade pelos cuidados com o animal passa a ser do usuário, com acompanhamento das equipes do Corpo de Bombeiros.

O ingresso e permanência de cães-guia nos veículos e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo são previstos pela norma 11.126/05, regulamentada pelo decreto 5.904/2006, conhecido como a 'Lei do Cão-Guia'.

 

Interessados em se tornar família hospedeira de um filhote devem entrar em contato pelo e-mail famíliahospedeira@gmail.com. Para participar da seleção para ter um cão-guia, solicite informações pelo e-mail cadastronacional@projetocaoguia.com. Atualização são divulgadas pelo Instagram @‌centrodetreinamentodecaescbmdf.
 

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